Sociedade

No momento em que o senhor D. Manuel Felício celebra os 50 anos da sua ordenação sacerdotal, eu quero olhar par aos quase 18 anos de Pastor na Diocese da Guarda, dando graças por aquilo que tem sido o seu ministério episcopal nessa Igreja Particular.

Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro

Recolha de donativos através e jantar debate

Iniciativa decorre em Fátima e na Guarda

Entrevista: Manuel Peres Sanches, autor do livro “Guarda – Cidade Republicana com José de Lemos”

O TT Douro Cidade Europeia do Vinho foi apresentado em conferência de Imprensa nas instalações da Adega H.O. Winery em Santa Marta de Penaguião,

Entrevista: Rita Alves Rito – Voluntária na Juventude Hospitaleira

Rita Alves Rito é natural do Soito, concelho do Sabugal. Estudou no Sabugal e em Lisboa.
Nos tempos livres gosta de praticar desporto (correr, caminhar, jogar futebol, natação); gosta de fotografia e de criar conteúdo digital; voluntariado; catequese e grupos de jovens; ir a festas e bailes; estar com os amigos.

A GUARDA: Quem é Rita Rito e como tem sido o teu percurso de vida até agora?

Rita Rito: A Rita é uma menina que tenta fazer com que o mundo esteja melhor a cada dia que passa. Sou gestora, mas costumam dizer que sou a “mulher dos sete ofícios”. Estudei no Sabugal, fiz o ensino superior em Lisboa e por lá trabalhei durante alguns anos. Estive em missão em Moçambique e na Guiné Bissau, experiências que me moldaram como pessoa e como profissional. Trabalhei 3 anos no Soito e actualmente trabalho com as Irmãs Hospitaleiras em Condeixa-a-Nova.

A GUARDA: O Soito é, sem dúvida, o teu lugar de eleição e onde tens passado muito do teu tempo?

Rita Rito: Sou do Soito de coração e do mundo por missão! Já tive em diversos sítios mas os fins de semana são quase sempre passados no Soito, pois estou muito envolvida na comunidade e no associativismo. O mundo é a minha alegria mas a família e a minha terra são os locais onde começa a vida e o amor nunca acaba.

A GUARDA: O que leva uma jovem com um futuro desafiante pela frente a optar pelo voluntariado?

Rita Rito: O voluntariado é uma opção de crescimento... penso que é um desafio profissional que nos ajuda e nos enriquece! É um sítio onde é mais meigo errar e evoluir! É um sítio onde o que salva o mundo é o amor! O voluntariado é uma oportunidade de mudar o mundo com o dom da gratidão e da gratuitidade.
A GUARDA: Como apareceu a tua ligação às Irmãs Hospitaleiras?
Rita Rito: Eu tinha três tias consagradas e portanto desde sempre que ouço falar em hospitalidade. Entretanto participei nas actividades da Juventude Hospitaleira e fui entranhando o cuidado ao outro... Descobri a verdadeira realização pessoal e profissional!
Aqui encontrei a defesa de valores que fazem parte da minha vida, nomeadamente a valorização da pessoa sempre, em tudo e com todos, seguindo uma das máximas do fundador, São Bento Menni, que afirmava que “uma pessoa vale mais que o mundo inteiro; a vontade em fazer o bem, bem feito, sendo bons, procurando com alegria e criatividade ultrapassar os obstáculos.
Sinto que a persistência e o compromisso da entrega das irmãs é uma linha orientadora, onde a caridade cura através do tempo dedicado e da força alicerçada na confiança nEle! Actualmente, sou e vivo a hospitalidade!
A GUARDA: Como vês o trabalho que é realizado pelas Irmãs Hospitaleiras nas diversas casas que têm em Portugal?
Rita Rito: Olho, não só para o trabalho das Irmãs Hospitaleiras como para o trabalho de muitas instituições... acho que se faz MUITO e BEM!
Infelizmente, as pessoas que são assistidas estão sempre em condições de vulnerabilidade e sofrimento e o sucesso nunca pode ser o mesmo e por vezes é completamente desajustado das expectativas dos familiares e da sociedade. No entanto, acho mesmo que todos os colaboradores vivem atarefados e com horas preenchidas, conscientes em adoptar estratégias para estar bem e cuidar melhor! Acho que o sucesso se vive nas pequenas vitórias do dia-a-dia.
Apesar do estigma, sonho com a invenção de uma estratégia de 6 em 6 meses, todos fazermos analises de saúde mental e que depois disso pudesse haver também soluções para equilibrarmos o inconstante desequilíbrio da vida! Sonho com aquele dia em que dizer que “não estou bem” seja olhado com empatia pelo outro! Sonho com aquele dia que uma pessoa doente é cuidada de acordo com as melhores práticas clínicas, que tenha ao seu dispor uma equipa multidisciplinar disponível para cuidar da pessoa e não apenas da doença. Sonho com aquele dia que tratar as doenças mentais seja olhado com tanta naturalidade como tratar de um problema cardíaco! Sonho com o dia em que a pessoa não é olhada pela sua diferença, mas pelo que tem em comum.
Enquanto isso não acontecer… as Irmãs Hospitaleiras continuam com as portas abertas para acolher integralmente e valorizar a pessoa (e não a doença).

A GUARDA: Participaste na Jornada Mundial da Juventude a acompanhar peregrinos especiais. Como foi essa experiência?

Rita Rito: Foi uma jornada de entrega e de serviço. Depois de 4 JMJ como peregrina, sinto que foi o culminar de permitir que outros vivessem esta alegria. A igreja não tem portas e nós temos um amor além fronteiras! Foram tocadas várias fragilidades e colocada a responsabilidade a cada um de se emocionar e de lutar também para as soluções acontecerem. Acredito que temos de estar prontos para os outros, para a empatia e escuta… ser um coração inquieto que não se entedia… uma pessoa que procura a felicidade e não a superficialidade… um coração reconciliado e grato! Trago das JMJ, muitos ensinamentos, entre eles: Sou uma vida inquieta e apressada, de serviço e de entrega, e assim quero continuar! Quero partilhar e viver acompanhada! Quero continuar a ser alegre… Alegria é missionária e tem que se descobrir! Procurar a alegria cansa! Quando estamos cansados, não temos ganas de fazer nada! E às vezes… quando caímos não quer dizer que acabou! Quando se quer desistir, o ideal é beber um copo de agua (ou coca cola), não permanecer caído e levantar(ou ser levantado)! E quando alguém cai ao nosso lado… temos de a levantar, pois só aí é permitido olhar uma pessoa de cima para baixo! Não há nada grátis a não ser o amor dEle!
Atrás de um êxito há sempre muito trabalho e treino e estas JMJ também foram um sinal claro disto! A vida não tem um curso… é preciso caminhar e aprender! Aquele ditado que quem corre por gosto não cansa… cansa igual mas traz uma realização que compensa! Traz amor sempre! E o amor é um presente para todos! O Amor é a estrela que guia o meu coração e ilumina o meu chão! Claramente que “esperamos, desejamos, ENVOLVEMO-NOS e conseguimos”!
Concluindo em relação à minha participação enquanto acompanhante de pessoas com limitações, acho que é a clara intenção do Papa, que isto seja para “todos, todos, todos!”. Quando tenho uma oportunidade que faz participar em algo único, a grande experiência é conseguir partilhar isto com mais pessoas, para que isto não fique só para mim, mas que seja posto a render! Acho que este serviço nas JMJ é a expressão clara de por os talentos em render, em prol de todos!

A GUARDA: No teu ponto de vista, como é que os mais novos olham para a Igreja?

Rita Rito: Na verdade, não há uma única opinião para isto! A fé é vivida de forma única por cada um, seja criança, jovem, adulto ou idoso! Esta forma de viver por vezes também é influenciada pela fase da vida. A maioria das pessoas olha para a igreja como as quatro paredes ou como o pároco, tal como se olha para a maioria das entidades da sociedade. E acho que aquilo que tem de ser mudada é a visão das pessoas... Sair da bolha exige estar com comunidades, que são diferentes partes da mesma igreja!
As pessoas entram pelas “coisas” oferecidas e ficam pela Fé, o motor da igreja. É importante a insistência daqueles exemplos que nos acompanham e os compromissos que desafiam. Todos estes compromissos exigem e responsabilizam nos, sendo essencial reforçar as nossas raízes na oração... Acho que é cada vez menos frequente ficar off e rezar! Parar ver e agradecer! Rezar não pode nunca ser um hábito nem uma rotina mas sim algo que faz parte do meu dia porque traz sentido à existência. Rezar por hábito é mau! Rezar tem que ter sentido! A fé exige fidelidade (afectiva e efectiva) sendo que o mais importante é vive lá em diversas facetas e contextos.
No acompanhamento que faço dos jovens, tenho uma coisa certa… os jovens querem um lugar depois da formação catequética! A perspectiva dos jovens serem ouvidos muda consoante a realidade e a proximidade dos jovens. Os jovens não são ouvidos porque não há disponibilidade nos espaços. Esses espaços precisam de confiança e acolhimento. Há relutância à marca de ser católico, não está na moda nem é cool. Ser católico exige conhecimento. Outro dos pontos a melhorar é efectivamente os convites que são feitos. Insistir no convite aquele que tem o dom de fazer para assim conseguir se caminhar juntos com Ele. Jesus também chamou os discípulos e hoje em dia falta os insistentes convites diários para as responsabilidades.
Não há vínculos mas sim causas! Os jovens vivem a Espiritualidade! Os jovens precisam de uma dimensão que lhes dê alento, mas não se comprometem com a igreja (bando de padres corruptos e tudo mais)
Também acho importante que não exista uma igreja de massas… mas sim um facto de exigir se uma Igreja de um para um! Uma igreja focada nos processos e caminhos e não nos números e resultados. A Igreja não deve ser ao ritmo dos anos lectivos. Deve ser intergeracional!
Concluindo, penso que há cada vez mais católicos por opção e convicção deixando por parte a obrigação. Mas dentro destes católicos há medo da mistura e de fazer caminho com os outros! Os jovens perante os escândalos, não exigem respostas mas necessitam que a igreja continue a fazer caminho. A referência moral exige coerência! Os religiosos têm que continuar a ser próximos independentemente dos problemas sociais. As pessoas precisam de ser acompanhadas com caridade e fazendo um caminho de verdade. As pessoas são mais importantes que as ideias e as idealizações.

A GUARDA: Projectos para o futuro?

Rita Rito: Acho que o futuro se vai perspectivando e construindo! Se me render agora, ficarei onde estava quando comecei. E quando comecei, desejava desesperadamente estar onde estou hoje… por isso… tento a cada dia fazer o melhor

O jornal A GUARDA promoveu um passeio na zona de Miranda do Douro e Astorga (Espanha), nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro.

Entrevista: Ana Rita Balau Figueiredo, missionária concepcionista a caminho de Timor-Leste