Entrevista: João José Reis Pereira – Presidente do Núcleo Diocesano da Guarda da Associação dos Médicos Católicos Portugueses


A GUARDA: O que é a Associação dos Médicos Católicos Portugueses?

Reis Pereira: A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) é um organismo nacional privado sem fins lucrativos que tem por finalidade congregar os profissionais da medicina que se afirmam católicos e desejam exercer a sua profissão à luz dos princípios evangélicos.
A missão da AMCP é a definição e a difusão de princípios orientadores das atividades ligadas a saúde à luz da fé cristã, partindo da análise dos problemas que derivam do exercício concreto da Medicina, nos quais incide a reflexão e se fundamenta a experiência dos seus associados.
 
A GUARDA: Esta Associação desdobra-se em vários núcleos, entre os quais o da Guarda. Quando apareceu o Núcleo Diocesano da Guarda da Associação dos Médicos Católicos Portugueses?

Reis Pereira: Por persistência, durante meses ou anos, do capelão do Hospital de Sousa Martins, P.e Joaquim Bastos, foi possível reunir um grupo de médicos com o intuito de se discutir a criação de um Núcleo Diocesano na Guarda e em 5 de maio de 2008, após eleição, foi proposta ao Sr. Bispo uma lista que foi homologada em 30 de junho de 2008 e foi nomeado o P.e Joaquim Álvaro de Bastos como seu Assistente Espiritual, depois de ouvida a Direção Diocesana.
 
A GUARDA: Quem dá rosto, ou seja, quem faz parte da direcção deste Núcleo?
Reis Pereira: A actual Direcção, homologada em 23 de março de 2023, é constituída por:
Presidente – Reis Pereira, Vice-presidente – Carina Santos, Secretária – Paula Neves, Tesoureiro – Paulo Costa e Vogais: Vítor Santos, Filomena Xavier, João Silva, Jéssica Fidalgo e Patrícia Tenreiro.

A GUARDA: Quais as principais iniciativas em que o Núcleo da Guarda tem estado envolvido?
Reis Pereira: Ao longo dos anos desenvolvemos várias atividades, nomeadamente:
Seminário: Anima sana in corpore sano, 10/10/2008 (todo o dia), Conferência: “O que é a saúde” – P.e Feytor Pinto; Mesa Redonda: “Anima Sana”, moderador – D. Manuel Felício, e, preletores: Drs. José Rosa e Virgílio Bento; Mesa Redonda: “Corpore Sano”, moderador – Reis Pereira, e, preletores: Drs. Cameira Serra e Isabel Albuquerque.
Conferências: Uso e Abuso dos medicamentos, 25/03/2010, Victor Santos e Reis Pereira; Gravidez na adolescência, 22/09/2010, Cremilda Sucena; Desafios atuais da Bioética, 10/05/2011, Prof. Dr. Walter Ossvald; Eutanásia, 21/10/2016, Isabel Galriça Neto; O poder da comunicação em contexto clínico: reflexões, 13/12/2023, Rosa Marina Afonso; Cuidados de Saúde – Aliança de: doente, profissionais de saúde, família e assistência espiritual, agendada para 13 de Março, por D. Manuel Felício, Bispo da Guarda.
Caminhadas: do Museu da Lã (Meios) até à Senhora do Soito (Fernão Joanes), 02/06/2012; do Hotel H2 até à Senhora da Saúde, Unhais da Serra, 08/06/2013; Passadiços do Mondego (da Guarda até Videmonte), 30/09/2023.
Magusto e colóquio sobre Alimentação Saudável, junto à Capela do Senhor dos Aflitos (vulgo, Senhor do Barroquinho), Panóias,10/11/2019.
 
A GUARDA: No seu ponto de vista como é que a dimensão espiritual se encaixa no mundo da saúde e vice-versa?
Reis Pereira: Essa ligação é de tal modo evidente que levou a OMS, em 22 de janeiro de 1988, a atualizar a definição de saúde ao incluiu a dimensão espiritual no conceito multidimensional de saúde (para além das dimensões corporal, psíquica e social). Desde aí o bem estar espiritual tem sido considerado como mais uma dimensão do estado de saúde.
 
A GUARDA: Podemos dizer que a saúde também é um grande campo de missão e evangelização?

Reis Pereira: Sem dúvida nenhuma, sobretudo quando os profissionais têm contacto directo com os doentes e/ou familiares.
A GUARDA: Como Médico Católico, como olha para o actual estado da saúde em Portugal?
Reis Pereira: Com preocupação. No início da minha atividade profissional o Ministro da Saúde, António Arnaut, fez um Despacho Ministerial, que foi publicado no DR nº 173 – II série de 29 de Julho de 1978, que criou o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que no ano seguinte foi formalizado através da Lei 56/79 de 15 de Setembro – Lei de Bases da Saúde, que revolucionou a prestação de cuidados de saúde à população e que contribuiu para a melhoria de vários indicadores, nomeadamente na saúde Materno-Infantil. Hoje, receio que o SNS seja esvaziado de profissionais e competências, o que já está a acontecer em muitos Hospitais, e que uma grande parte da população deixe de ter acesso a cuidados de saúde de qualidade.