A «Papelaria Fernando», localizada na Rua Francisco de Passos, n.º 12, no Centro Histórico da cidade da Guarda,

reabriu as portas em Maio, pela mão de Ana Duarte, 35 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Alemães. A papelaria esteve fechada nos meses de Março e de Abril, após a morte do seu anterior proprietário, Fernando Godinho, mas reabriu as portas a 10 de Maio e com uma nova aposta na vertente alfarrabista (venda de livros antigos).
“Eu estava desempregada há 2 anos e como não há perspectivas de trabalho na minha área, vi aqui uma oportunidade que não podia perder. Sou cliente desde sempre desta papelaria e decidi apostar no negócio, porque está relacionado com livros”, contou Ana Duarte ao Jornal A Guarda. A jovem desempregada alugou o estabelecimento e decidiu apostar na vertente alfarrabista, que é uma área que “não há na Guarda”. “Foi por não haver na Guarda, porque gosto e porque tenho uma pessoa que me está a ajudar e que gosta dessa parte. Também por ser diferente. Esta aposta está agora a começar e a intenção é crescer”, explicou, adiantando que vende livros a partir de 0,25 cêntimos de euro.
A empresária explicou que ficou com o depósito da papelaria e também está a tentar “escoar esse material para repor coisas novas”. Assume que aquele estabelecimento, que abriu em 1968, “quer ser, sobretudo uma papelaria diferente e uma papelaria no sentido de as pessoas voltarem a procurar livros neste espaço”. “Com o aparecimento da [Livraria] Bertrand (instalada no Centro Comercial Vivaci) as pessoas deixaram de procurar livros nas livrarias, daí também a aposta na vertente alfarrabista”, explicou.
Quando reabriu a «Papelaria Fernando», Ana Duarte colocou novo mobiliário e passou a anotar alguns preços nas paredes de ardósia, com giz branco, como nos quadros escolares.
A papelaria vende livros, material escolar e de escritório e artigos da Agência para a Promoção da Guarda, como livros sobre a cidade, chávenas para café, réplicas de azulejos com os nomes das freguesias do concelho, pisa-papéis e medalhas com a Sé, porta-chaves, imanes com a Sé, aspectos da herança judaica e Parque Polis, bases para copos com a representação dos azulejos da Igreja de São Vicente, Diplomas de Presença na cidade mais alta do país e mapas da Guarda e de Portugal. A empresária referiu que “não tem havido muitos visitantes a comprar” recordações da Guarda, mas já vendeu alguns artigos “a pessoas da cidade que também gostam de ter. “Os turistas vêm aqui muito à procura de Mapas de Portugal e da Guarda”, esclareceu. Apesar de Ana Duarte só estar na «Papelaria Fernando» há cerca de dois meses, faz um balanço positivo do negócio: “Tenho que estar satisfeita com o que tem acontecido. As pessoas vêm muito a esta casa, porque estão habituadas a ela. Daí eu manter o nome, pela homenagem ao senhor Fernando e por a casa ter 46 anos”. No futuro, espera que “as pessoas continuem a vir e que eu possa fazer algo de diferente aqui”. Com o aproximar do novo ano lectivo, a jovem empresária tem esperança que “a procura aumente”.
Ana Duarte assume que “foi um risco” abrir a papelaria em época de crise económica, mas tem esperança em como o negócio “vai correr bem”. Depois de ter dado aulas em Gouveia e em Castelo Branco e de ter trocado o ensino pela venda de livros, refere que se sente “bem” porque também gosta de comunicar com as pessoas”. “No fundo, é o prolongamento daquilo que é o professor - é a comunicação”, justificou.