Entrevista: Ainhoa Agudo Pimenta - Movimento Caixa Solidária


Ainhoa Agudo Pimenta é natural de San Sebastian (Espanha), estudante na escola secundária da Sé, no curso tecnológico e informática, técnica auxiliar da acção educativa na Casa da Criança.Nos tempos livros gosta de andar de mota, ir à praia, passear ao ar livre, fotografia, ler e ver um bom filme.
A GUARDA: O que é e como surgiu o Movimento da Caixa Solidária? 
Ainhoa Agudo: O movimento caixa solidária é um projecto de solidariedade que tem como conceito a frase “Leve o que precisa deixe o que quiser.”Surgiu como necessidade de ajuda às pessoas carenciadas e afectadas pela pandemia do Covid-19. O Movimento da Caixa Solidária Sé é uma réplica dos criadores Rui Malheiro e Nuno Botelho, este movimento têm uma página no Facebook onde os dinamizadores locais podem fazer o seu registo.A nossa caixa solidária Sé recolhe, reparte bens essenciais (alimentos, higiene) que podem ser colocados pelas pessoas que queiram oferecer e, por sua vez, quem precisa vai recolher. A nossa Caixa Solidária Sé também tem um grupo na plataforma digital Facebook, onde são publicados os bens oferecidos e recolhidos pelos administradores do grupo, que fazem pequenos cabazes e são entregues às famílias carenciadas vítimas desta pandemia.
A GUARDA: O que levou a abraçar este projecto?
Ainhoa Agudo: O que me levou a abraçar este projecto foi o gosto em ajudar o próximo e a preocupação em saber que existe muita gente da nossa cidade em situação de pobreza agravada pela pandemia.
A GUARDA: Na Guarda onde estão localizadas as caixas?
Ainhoa Agudo: As caixas solidárias estão localizadas na Sé Catedral, contando também com o apoio de um grupo de Facebook “Caixa Solidária Sé” que até à data compreende 899 membros e quatro administradoras que também fazem parte do projecto.
A GUARDA: Até ao momento têm ideia de quantas pessoas já interagiram neste projecto?
Ainhoa Agudo: Ao certo não tenho ideia de quantas pessoas interferiram, pois a Caixa Solidária Sé baseia-se em forma de anonimato, no entanto, contamos com a ajuda de várias entidades tais como a Pastelaria Avenida, que desde o início oferece pão em sacos para abastecer a nossa caixa solidária diariamente; o Moto Clube da Guarda que recolhe bens que são angariados pelos sócios em vários pontos da cidade; o café Cantinho da Luz que se disponibilizou como ponto de recolha. Também contamos com o apoio de funcionários da ULS e empresa de segurança COPS, estes recolhem os bens e colocam nas caixas solidarias; por fim o senhor José do minimercado Zé Manel disponibilizou cabazes para as famílias carenciadas. À parte destes existem também as pessoas anónimas que oferecem directamente para as famílias carenciadas.
A GUARDA: Quais os bens que as pessoas partilham com mais frequência?
Ainhoa Agudo: Os bens que as pessoas deixam com mais frequência são: massa, arroz, leite, todo o tipo de enlatados. O que deixam menos e também faz muita falta tem a ver com produtos de higiene, e alimentação para crianças (papas, fruta, verdura, bolachas).
A GUARDA: Considera que na Guarda, há pessoas privadas de bens essenciais?
Ainhoa Agudo: Na minha opinião, porque neste momento estou no terreno, consigo observar que há muita gente privada de bens essenciais, principalmente idosos com pequenas pensões.Eu sou natural de San Sebastian, mas estou na Guarda desde muita tenra idade (3 anos), quase sempre vivi em bairros desfavorecidos da nossa cidade, por isso tenho percepção desta realidade. A impressão que tenho das pessoas da Guarda é de que são um povo generoso e acolhedor.
A GUARDA: O movimento caixa solidária termina com o fim da pandemia ou veio para ficar?
Ainhoa Agudo: O Movimento Caixa Solidária Sé veio para ficar e envolver a sociedade, principalmente a cidade da Guarda, num lema de solidariedade e amor ao próximo: “ Fazer o bem, sem olhar a quem”.