O Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) promoveu na segunda-feira, dia 14 de Julho, na Praça do Município, na Guarda,

uma concentração pela defesa da manutenção das escolas do distrito que o Governo pretende fechar. Na acção participaram algumas dezenas de pais, crianças, professores, sindicalistas e autarcas.
No ano lectivo de 2014/2015 o Ministério da Educação e Ciência pretende fechar 5 escolas no concelho da Guarda (Rapoula, Cubo, Rio Diz, Rochoso e Vila Fernando), 5 no Município de Celorico da Beira (Açores, Cortiçô da Serra, Ratoeira, Fornotelheiro e Estação) e um estabelecimento de ensino nos concelhos de Aguiar da Beira (Penaverde), Manteigas (Sameiro) e Sabugal (Santo Estevão).
Durante o protesto, que teve como mote “Escola fechada - povoação apagada”, foi aprovada uma Carta Aberta, a enviar ao Presidente da República, à Presidente da Assembleia da República, ao Primeiro-Ministro e ao Ministro da Educação onde é pedida a manutenção de todas as escolas. “Não são muitas as escolas que o Ministério da Educação pretende encerrar no distrito da Guarda, mas são todas elas muito importantes para as crianças que as frequentam e para as populações e localidades em que se inserem”, segundo Sofia Monteiro, dirigente do SPRC. A responsável referiu que cada escola no distrito “funciona como um precioso instrumento de combate à desertificação” sendo “factor de incentivo à fixação de jovens casais” e de “renovação das gerações através do aumento da natalidade”.
Algumas crianças presentes na concentração exibiam cartazes com mensagens como: “Sameiro com a escola em função anima a população. Demita-se o Ministro da Educação”, “Escola sim, desertificação não” e “Vou ter de emigrar”.
No protesto destacou-se a participação de representantes da Freguesia do Sameiro, no concelho de Manteigas. Margarida Prata, mãe de duas crianças que no próximo ano lectivo vão ficar sem escola na aldeia, está contra a medida do Governo pelo facto de os filhos terem que ir estudar para Manteigas quando a escola “tem todas as condições” para continuar a funcionar. A mesma opinião é partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia, Joaquim Biscaia. “O número podia beneficiar crianças que vivem em espaços desfavorecidos. Quanto menos são mais hipótese têm de ter uma boa educação”, alertou o autarca, ao apontar que o actual Ministro da Educação “vai ficar como o coveiro que enterrou as escolas das áreas que mais necessitavam delas”.
No protesto também estiveram elementos da estrutura distrital do Bloco de Esquerda (BE) da Guarda que naquele dia deram início a uma campanha intitulada “Não fechem o país - sem escolas não há futuro”, que consta da colocação de faixas nas escolas a encerrar no distrito. A primeira faixa foi colocada na escola do Rio Diz, onde, segundo o BE, estão “inscritas 21 crianças, limite estabelecido pelo Governo para viabilizar a manutenção” dos estabelecimentos de ensino. De acordo com o partido, a iniciativa “tem como principal objectivo demonstrar aos cidadãos o descontentamento e o repúdio pelo anúncio do encerramento previsto de 13 escolas do 1.º ciclo no distrito da Guarda”.