Entrevista: Pedro Almeida – Autor do livro “Monografia da Corujeira”


Pedro Miguel Brito de Almeida nasceu na Corujeira, concelho da Guarda. Estudou na Escola Secundária Afonso de Albuquerque, na Guarda, até ao 9º ano. Actualmente está a estudar na Escola de Hotelaria de Manteigas, onde frequenta o curso de técnico de Cozinha e Pastelaria.
Nos tempos livres gosta de tocar concertina, tirar fotografias e de ler.
A GUARDA: O que é que o motivou a escrever este livro?

Pedro Almeida: Antes de mais nada, obrigado ao Jornal A Guarda pela oportunidade que me está a dar para promover o lançamento do meu livro.
Em 2019, depois de ter lido as Memórias Paroquiais de 1758 e o livro «Freguesia de São Pedro dos Comedeiros do Lugar dos Trinta» do escritor António J.F. Soares pensei: Faz falta um livro deste género a contar aquilo que a Corujeira tem para oferecer a quem a visita e contar algumas das suas histórias e estórias. Decidi começar a escrever este livro que agora apresento.

A GUARDA: Quais as principais fontes de investigação de que se valeu na elaboração desta monografia sobre a Corujeira?

Pedro Almeida: Como já referi anteriormente o livro das Memórias Paroquiais, alguns livros de Actas da Freguesia da Corujeira (antes de ser união de freguesias de Corujeira e Trinta), algumas bem antigas ainda com os selos dos reis, e claro, muitos testemunhos de pessoas, aquelas histórias que já o meu bisavô contava ao meu pai.

A GUARDA: De forma resumida, quais os assuntos que são abordados nesta obra?

Pedro Almeida: Este livro dá a conhecer tradições da Corujeira, que marcaram a marcam a vida da aldeia ao longo do ano, desde a encomendação das Almas em tempo de Quaresma, ao madeiro de Natal. Falo das quintas da Corujeira, do seu património Religioso até as suas casas antigas com arquitectura tão típica da Beira Alta.

A GUARDA: Ao escrever este livro o que é que mais lhe chamou a atenção sobre esta povoação do concelho da Guarda?

Pedro Almeida: O que mais me impressionou foi a sua história e património muito antigos com a data mais remota a ser 1666. Também foi interessante a colaboração das pessoas a contarem-me as suas histórias retratadas no livro.

A GUARDA: Podemos dizer que o livro vai ajudar a preservar as tradições e costumes da Corujeira?

Pedro Almeida: Espero que sim. No livro está, por exemplo, a letra da Encomendação das Almas. Escrevi sobre os jogos tradicionais como a malha, o jogo do prego, o pião, entre outros…
Falo também da arte de enramar as ovelhas com a tesoura, na altura das tosquias e falo ainda das festas que se faziam na nossa terra, por exemplo à Nossa Senhora de Fátima e ao Divino Espírito Santo.

A GUARDA: Depois do estudo que fez como é que olha para o futuro da aldeia de Corujeira?

Pedro Almeida: Com muita pena minha e pelo andar da carruagem corremos o risco de que daqui a alguns anos não haja cá ninguém. Os idosos falecem e os novos não ficam na terra. Alguns até queriam fazer cá as suas casas mas o Parque Natural da Serra da Estrela teima em implicar com tudo e com todos.
Mas o problema da desertificação do interior não é só da Corujeira é transversal às aldeias todas.

A GUARDA: Quando e onde é apresentado o livro?

Pedro Almeida: O livro “Monografia da Corujeira” será apresentado no dia 17 de Setembro, às 17.00 horas, no Salão de Convívio da Corujeira. A sessão de lançamento é aberta a todos os interessados. No final haverá um pequeno convívio com todas as pessoas presentes.

A GUARDA: Para terminar, quem é Pedro Almeida, autor da Monografia da Corujeira?

Pedro Almeida: Nasci na Corujeira dia 8 de Março de 2005, onde reside.
Conclui o 9º ano em 2020 na Escola Secundária Afonso de Albuquerque, na Guarda. Actualmente estudo na Escola de Hotelaria de Manteigas, entrando este ano no último ano do curso de técnico de Cozinha e Pastelaria. A ideia de escrever um livro sobre a minha terra surgiu em 2019.