Entrevista: Patricia Madeira, sócia Gerente da marca “Comendador Francisco Esteves”

“A casa agrícola complementava a indústria têxtil para garantir o emprego porque aproveitava a mão-de-obra disponível das quebras de produção”. Patricia Madeira, sócia Gerente da marca “Comendador Francisco Esteves”, em Manteigas, é natural de São Sebastião da Pedreira, Lisboa. É licenciada em Gestão de Recursos Humanos (Universidade Lusófona) e com Pós Graduação em Empreendedorismo na Universidade da Beira Interior. Nos tempos lives, gosta de passear na Serra da Estrela e de ver o mar.
A GUARDA: O que é que vos levou a apostar na marca Comendador Francisco Esteves, um projecto turístico, agrícola, integrado e sustentável? 
Patricia Madeira: O legado do nosso bisavô. Honrar não um nome mas um trajecto de vida. Continuar a fazer bem. Produzir o melhor.
A GUARDA: Esta marca tem por trás uma empresa que actua na área da agricultura já desde 1960 e no turismo desde 2010. O que é que distinguia esta empresa? Patricia Madeira: A criação da empresa implicou um conceito de sinergia que hoje é muito conhecido mas que na época, e no interior, foi revolucionário. A casa agrícola complementava a indústria têxtil para garantir o emprego porque aproveitava a mão-de-obra disponível das quebras de produção.Essa preocupação, essa abordagem de negócio, era progressista na época.Portanto, respondendo à questão, o que a distinguia era precisamente ter sido criada a pensar nos outros, sem perder contudo o conceito mercantil. Era uma sociedade que visava o lucro como qualquer outra.
A GUARDA: Podemos dizer que é uma nova vida para esta história de 60 anos de experiência no equilíbrio entre sabores, indústria e gosto de bem receber?
Patricia Madeira: A ideia de qualidade ao nível alimentar evoluiu muito e hoje sentimos que há mais espaço para o que fazemos. As pessoas querem mais qualidade, não só no sabor, textura ou durabilidade, mas também num conceito ligado à saúde. Para uma nova oportunidade temos de escolher novas vias. O Covid acelerou tudo, escancarou uma janela que se vinha abrindo devagar. Há que aproveitar e transpô-la e se, ao mesmo tempo, pudermos divulgar produtos de grande qualidade e singularidade, de uma região que faz parte da nossa essência, tanto melhor.
A GUARDA: Esta marca tem capital social distribuído, única e exclusivamente no feminino. Quem são os rostos desta marca?Patricia Madeira: As bisnetas e as tetranetas. Uma família de mulheres há 4 gerações. A Patrícia é a única que trabalha exclusivamente no negócio, mas todas participam e estão envolvidas.
A GUARDA: Serem herdeiras de um legado de sustentabilidade, numa zona tão sensível como é o Parque natural da Serra da Estrela, é um grande desafio. Como pretendem preservar e manter todo este património construído e natural?
Patricia Madeira: Com o valor decorrente da qualidade do que fazemos. Não temos a menor dúvida de que o que fazemos é muito bom. Isso vai criar valor.
A GUARDA: Quem foi o Comendador Francisco Esteves e que é que representou e representa para Manteigas?
Patricia Madeira: Foi o maior benemérito da história da vila, o maior empregador e industrial. A principal figura que a história de Manteigas teve até agora, que é preservada pela comunidade com muito respeito e carinho.A GUARDA: Como olham para o futuro desta região integrada no Parque Natural da Serra da Estrela e no Estrela Geopark? Patricia Madeira: A Serra da Estrela tem muitos desafios pela frente em que um dos principais é conseguir um equilíbrio entre o desenvolvimento económico, que implique a criação de um emprego de qualidade, e o ambiente, que possa garantir o turismo e a qualidade de vida. O futuro dependerá de uma grande visão a longo prazo, de progressistas como o nosso avô. Não parece que, para já, estejamos bem servidos a este nível.