“O empenho e a generosidade de todos os que colaboraram e continuam a colaborar com a CERCIG fazem a diferença”

Joaquim Monteiro Brigas, Presidente da CERCIG - Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Guarda, é natural de Badamalos, SabugalEstudou na Guarda, nas escolas do Bonfim, Preparatória, Sé e Afonso de Albuquerque e nas Universidades de Coimbra, Nova de Lisboa, Lisboa, Aberta e Beira Interior (Covilhã).Nos tempos livres gosta de ler (muito) e participar em várias áreas do social e do solidário.A GUARDA: Desde a fundação, em 1977, que a CERCIG tem desempenhado um papel fulcral na educação, formação e reabilitação de cidadãos com dificuldades especiais. Uma missão nem sempre fácil? 
Joaquim Brigas: Não. Esta missão não tem sido fácil ao longo dos quarenta e quatro anos da história da CERCIG. No início foi muito difícil pela falta de apoios, designadamente financeiros. É, também, de assinalar a questão do preconceito. É um desafio permanente o lutar contra o preconceito. Porém, o empenho e a generosidade de todos os que colaboraram e continuam a colaborar com a CERCIG fazem a diferença e contribuem muito para mitigar estes problemas. Na actualidade, muitas das respostas sociais são proporcionadas devido à existência de protocolos com o Estado e com a comparticipação das famílias.Nós na CERCIG não fazemos selecção dos utentes. Somos, entre as instituições similares, a que tem maior percentagem de utentes com maior dependência, levando a maior afectação de recursos humanos e consequentemente maiores custos de estrutura. Porém, esse facto não nos impedirá de continuarmos com a porta aberta para aqueles que mais precisam e acolhermos os que, porventura, não têm lugar noutros lugares.
A GUARDA: O que é que o levou a abraçar este projecto e, agora, a assumir a presidência?
Joaquim Brigas: A minha ligação à CERCIG começou pelo facto do meu filho ter realizado cá um curso de reabilitação profissional e depois ter começado a frequentar o Centro de Actividades Ocupacionais. Daí até ter integrado os órgãos sociais da cooperativa foi um pequeno passo. Senti que tinha um dever de cidadania em colaborar de uma forma mais efectiva na vida da cooperativa e tudo aconteceu muito naturalmente. Passei, primeiro, pela presidência da mesa da Assembleia Geral e, desde há cinco anos, pelo Conselho de Administração, sendo que em Julho passado assumi a sua presidência. Encaro esta etapa como um serviço em prol de uma população que está na periferia e que é muitas vezes excluída.
A GUARDA: Quais as respostas sociais que são oferecidas pela CERCIG?
Joaquim Brigas: As respostas sociais têm vindo a aumentar. Neste momento temos em funcionamento: um Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão com sessenta utentes; um Lar Residencial com vinte e dois utentes; três Residências Autónomas com quinze utentes; um Centro de Reabilitação Profissional com seis cursos e trinta e seis formandos; um serviço do Rendimento Social de Inserção que apoia cerca de trezentas famílias; um Centro de Recursos para a Intervenção Precoce na Infância e um Centro de Recursos para a Inclusão que prestam apoio às crianças e alunos das escolas; integramos o Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, fornecendo alimentação a mais de duzentas famílias; temos quinze utentes a quem prestamos o Serviço de Apoio Domiciliário; temos três alunos na Valência Educativa e quatro utentes Centro de Actividades de Tempos Livres.Podemos ainda referenciar dois projectos em que estamos envolvidos com a Confederação Cooperativa Portuguesa (Confecoop) e outros parceiros europeus num projecto tendente à definição de um perfil para o gestor das cooperativas sociais e com colegas espanhóis num projecto de produção de produtos de montanha. São duas parcerias que nos projectam para uma maior dimensão geográfica que ultrapassa o nosso país.Todas estas respostas sociais são executadas porque contamos com a colaboração abnegada de setenta e nove funcionários, dos quais vinte e seis são técnicos superiores.
A GUARDA: Que projectos estão programados para desenvolver nos próximos tempos?
Joaquim Brigas: Está em vias de concretização o alargamento de novas respostas sociais. Contamos iniciar, em breve, a construção de uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas em Maçainhas e reabilitar o edifício da antiga Residencial Guardense para servir como estrutura de habitação de emergência, destinada a pessoas de violência doméstica, a migrantes e refugiados. A antiga casa dos caseiros na Quinta da Torre já foi intervencionada e contamos candidatar esse espaço para duas residências autónomas. Também está no nosso pensamento a eventualidade de construirmos na Quinta da Torre um novo Lar Residencial, pois é um tipo de resposta que é muito procurada por utentes de todo o país. A resposta que é dada a nível nacional é muito baixa face às necessidades das famílias, que sentem grande ansiedade em saber onde ficam os seus filhos após a sua partida.
A GUARDA: O Centro de Produção de Plantas é para manter e valorizar?
Joaquim Brigas: O Centro de Produção de Plantas é neste momento uma estrutura importante para um dos cursos de reabilitação profissional e também como fornecedor de plantas a vários públicos na nossa zona. Queremos que o Centro ganhe novo dinamismo e funcione como elemento de suporte para um novo projecto que queremos implementar. Trata-se da criação de uma “empresa” dentro da CERCIG para poder executar obras de ajardinamento, nomeadamente no embelezamento de espaços públicos como as rotundas. Contamos inserir nessa “empresa” os nossos formandos, cumprindo assim um desejo de incluir social e profissionalmente alguns dos nossos utentes.
A GUARDA: E o Centro Equestre?
Joaquim Brigas: O Centro Equestre está concessionado a um jovem profissional que muito tem feito para alargar o seu impacto junto da comunidade. O Centro possibilita que os nossos utentes façam aí hipoterapia e permite que um conjunto mais ou menos alargado que pessoas exteriores à CERCIG possam praticar equitação. Esta estrutura, a par de outras valências existentes na Quinta, está em vias de se transformar numa verdadeira quinta pedagógica. Já começaram a usufruir deste serviço as crianças e alunos dos jardins de infância e escolas do primeiro ciclo com algumas visitas, apesar do contexto de pandemia limitar fortemente estas actividades.
A GUARDA: Como decorreu a campanha do Pirilampo Mágico?
Joaquim Brigas: A participação na campanha do Pirilampo Mágico faz parte da natureza mais intrínseca das instituições como a CERCIG e é uma das imagens de marca da FENACERCI (Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social). A campanha corre sempre bem porque conta com a abertura e generosidade de coração das pessoas. A campanha não se cinge ao pequeno Pirilampo Mágico (ainda que ele seja o verdadeiro ex libris da campanha). Há também a venda de chávenas, canetas T-shirts e sacos que, anualmente, muitos adquirem para apoiar, mas também para constituírem novas peças de colecção.