Comércio tradicional


A loja «Electro Santiago», que pertence ao casal de empresários Manuel Santiago e Maria dos Anjos, tem duas lojas na cidade da Guarda, encontrando-se a loja principal, de exposição e venda, na Praça Luís de Camões, n.º 20, e a outra, onde são feitas as reparações, na Rua 31 de Janeiro, n.º 23. O negócio começou em Junho de 1985, com a abertura da loja da Rua 31 de Janeiro. Em Abril de 2000, os empresários adquiriram o trespasse da loja da Praça Luís de Camões onde passou a funcionar o estabelecimento principal. “Mudámo-nos por uma questão de evolução e pelo espaço, porque na loja da Rua 31 de Janeiro era reduzido. Por outro lado, foi por uma questão de evolução, porque não podemos parar. Com a abertura desta loja passámos a oferecer aos clientes um espaço maior, com maior exposição e com serviços diferentes”, contou ao Jornal A Guarda Maria dos Anjos. O estabelecimento «Electro Santiago» vende todo o tipo de electrodomésticos (trabalha com marcas como Teka, Bosch e Ariston/Indesit) e acessórios e presta assistência após venda.
Maria dos Anjos lembrou que o marido, Manuel Santiago, decidiu apostar no negócio por conta própria, em 1985, após trabalhar na firma HM Brites, antiga Grundig, localizada junto do Jardim José de Lemos. “Casámos em 1980 e ele ainda continuou a trabalhar na HM Brites e, em 1985, foi quando abrimos a nossa primeira loja. Ele começou pelas reparações, porque era técnico de rádio e televisão. Entretanto, houve clientes que vinham ter com ele e foi então que surgiu a ideia de começarmos também a vender electrodomésticos”, acrescentou.
A proprietária do estabelecimento comercial queixa-se dos contratempos originados com as obras de reabilitação da Praça Velha e com a falta de estacionamento no local. “Houve um bocadinho de contratempo com as obras, mas nunca se deixou de vender. O nosso problema é o estacionamento, porque após as obras e o corte de trânsito, é preciso dar uma volta muito grande para as pessoas chegarem aqui. Se houvesse parquímetros, as pessoas paravam 5 ou 10 minutos, porque havia estacionamento. Assim, estão sempre com a preocupação da multa e não vêm tanto”, relatou.
Em relação ao negócio, Maria dos Anjos disse que, devido à crise, “não se vende como se vendeu no passado”, mas a casa tem clientes fiéis e “o ano tem 365 dias e há sempre um dia melhor do que o outro”. “O cliente certo vem, embora note que cada vez há mais gente a vir ao comércio tradicional, porque o cliente pede uma determinada peça e eu arranjo sempre. Posso não ter na hora, mas tento arranjar e isso é uma mais-valia no comércio tradicional e também faz a diferença”, explicou. E acrescentou: “Tenho clientes desde o início da loja e que me dizem que não têm nada em casa que não seja daqui. Os nossos clientes são de todo o lado. Já cheguei a ir levar material a Lisboa”.
Segundo Maria dos Anjos, a crise é mais notada ao nível da venda das máquinas de lavar louça e de electrodomésticos para equipar cozinhas novas. “Não havendo construção civil, baixou a comercialização de electrodomésticos para equipar as cozinhas novas. Num ano era capaz de preencher um caderno com pedidos de cozinhas, mas agora o cliente apenas compra um forno que avaria ou troca uma placa que já tem vários anos”, disse. Entretanto, como a «Electro Santiago» também faz reparações, a proprietária nota que as pessoas estão a optar mais por mandarem reparar electrodomésticos em vez de comprarem novo. O mesmo já não acontece em relação às televisões tradicionais, pois por vezes fica mais caro a reparação do que a compra de um novo aparelho. “Quando veio a TDT (Televisão Digital Terrestre) vendemos muitos aparelhos e, neste momento, à medida que os TDT vão avariando ou as televisões, as pessoas já optam por televisores LED, que gastam menos energia. Hoje, um LED novo custa 165 euros e uma peça para um televisor é capaz de custar 20 ou 30 euros e as pessoas já não hesitam e compram um aparelho novo e moderno”, referiu.