Entrevista: Maria Isabel Reis - Presidente da Direcção do Núcleo da Guarda da Fraternidade Nuno Álvares

Maria Isabel Reis, Presidente da Direcção do Núcleo da Guarda da Fraternidade Nuno Álvares é natural da Guarda (da freguesia da Sé). Estudou Contabilidade e Administração em Coimbra e é licenciada em Ciências Sociais – Área de Sociologia. Nos tempos livres gota de ler, ouvir rádio que conjuga com as tarefas do dia-a-dia e manualidades.A GUARDA: O que é a Fraternidade Nuno Álvares?
Isabel Reis: A Fraternidade de Nuno Álvares (FNA) é uma Associação constituída por antigos filiados do Corpo Nacional de Escutas (CNE) - Escutismo Católico Português, que deixaram o activo nesta associação. A Associação coloca-se sob protecção de S. Nuno de Santa Maria, seu Patrono, e toma-o por exemplo de Fé, Humildade, Espírito de Serviço e Abnegação, para ser seguido por todos os seus Associados. A FNA tem por fins: Manter vivo nos Associados o ideal escutista, segundo a Lei e os Princípios; Estimular nos Associados o desenvolvimento pessoal contínuo e a prática escutista de inspiração católica, expressa pela coerência da vida com os valores do Evangelho; Desenvolver um serviço voluntário aos outros e de protecção da Natureza e Ambiente; Promover a amizade escutista universal. A FNA é membro de pleno direito da ISGF – International Scout and Guide Fellowship – a Fraternidade Internacional de Escuteiros e Guias Adultos. A GUARDA: Como é que apareceu o Núcleo da Guarda da Fraternidade da Guarda?
Isabel Reis: Por iniciativa do actual Assistente de Núcleo e antigo filiado do CNE, Dr. Virgílio Mendes Ardérius, que reuniu com outros antigos escuteiros do Agrupamento 32 do Seminário Maior da Guarda e do Agrupamento 134 da Guarda, decidiram efectuar uma proposta de Criação de Núcleo da FNA, na Guarda. No total, oito antigos Escutas subscreveram a proposta que foi apresentada à Direcção Nacional da Fraternidade de Nuno Álvares, no dia 4 de Março de 2017, no decorrer do 1º Colóquio Escutista, da Região da Guarda, que se realizou no Fundão. As primeiras investiduras dos Fraternos deste Núcleo aconteceram em 29 de Julho de 2017, sucedidas de outras em 11 de Novembro de 2017 e 4 de Março de 2018. Assim, o Núcleo foi-se constituindo gradualmente.
A GUARDA: Quantos membros fazem parte do Núcleo da Guarda?
Isabel Reis: Actualmente os Fraternos do Núcleo da Guarda são dezanove, perspectivando-se que possa crescer ao longo do próximo ano com admissão de novos elementos
A GUARDA: A sede do Núcleo da Guarda foi inaugurada recentemente. É importante a existência de um espaço desta natureza?
Isabel Reis: A Sede é a “Casa”. É acolhedora se os habitantes fizerem dela o seu ponto de encontro. As reuniões mensais ou as menos recorrentes aí se efectuam. Os momentos de partilha, de formação, de oração, de convívio… é versátil. A sede recentemente inaugurada ainda não teve todas estas valências, mas leva-nos a outras vivências anteriores e conterá em si memórias dos nossos tempos de Escutas, no activo, através de exposições temporárias de objectos escutistas pertencentes aos membros do Núcleo ou a qualquer escuteiro que queira partilhar connosco as suas recordações. A primeira exposição foi efectuada para o dia da inauguração.
A GUARDA: Quais os projectos que pretende levar a cabo enquanto Presidente da Direcção do Núcleo da Guarda da Fraternidade Nuno Álvares?
Isabel Reis: Viver e fazer viver, a todos, se possível, o ideal escutista. Aquele que Baden- Powell concebeu para os seus rapazes. Este ideal não tem idade, é uma forma de estar na vida, cumprindo a Lei e os Princípios.Depois, sempre em conjunto com os restantes Fraternos e através do Plano Anual de Actividades dar continuidade aos projectos de Núcleo: Formação interna no âmbito das competências de cada um, que as partilhará com os demais; formação ministrada por experts em áreas de interesse comum; actividades ambientais; voluntariado nas diversas vertentes: na sociedade civil, sós ou em parcerias, apoio à Paróquia e sempre que necessário a primeira premissa do nosso voluntariado, apoio aos agrupamentos do CNE, sempre que solicitado. A participação em actividades Regionais e Nacionais está também presente.Pessoalmente, o assumir de mais um mandato como elemento da Direcção Regional da Guarda. A candidatura da Região foi apresentada e as eleições decorrerão dia 12 de Dezembro.
A GUARDA: É fácil motivar os Escuteiros Adultos ou é melhor trabalhar com os mais novos?
Isabel Reis: O Escuteiro Adulto não deve necessitar de ser motivado. É adulto e por natureza capaz de fazer as suas opções. Face às realidades será sempre voluntário na sua prestação. A motivação vem do fato de ser Fraterno (Irmão), presente nos momentos mais impensados. Se isto, a que acrescentamos a Boa Acção de Cada Dia e a Fé, for cumprido, então temos um Escuteiro Adulto motivado. Se foi escuteiro enquanto criança, jovem, jovem-adulto e até dirigente, tem certamente toda uma aprendizagem que leva o Fraterno a actuar em cada situação, sem medo e “Da melhor vontade” – para os Lobitos, levado agora até ao “Sempre Alerta para Servir” - Divisa da Fraternidade. Mas, se não foi escuteiro anteriormente, vai aperceber-se ao longo do seu tempo de preparação para integrar o Núcleo destes fatos, transmitidos pelo exemplo dos restantes membros e pela praticidade das acções.Trabalhar com crianças e jovens foi sempre aliciante e uma aprendizagem permanente. Um apelo à imaginação, à agilidade para a resolução do que se nos apresenta, à transmissão de conhecimentos. Chegar ao fim de uma jornada em que o corpo já não tem forças, mas a alma está plena.Ser escuteiro dirigente é uma entrega. Ser escuteiro adulto, uma continuidade.
A GUARDA: Com tanta oferta de actividades para as gerações mais novas, considera que ainda há espaço para o movimento escutista?
Isabel Reis: Há espaço para o movimento escutista, sem dúvida. Existem mais de 40 milhões de escuteiros em todo o mundo e mais de 500 milhões de pessoas já foram escuteiros (fonte escrita CNE). A história do escutismo é abismal e atrevo-me a dizer que perto de qualquer pessoa, se o tema for abordado há alguém que diz: eu fui, ou eu sou escuteiro.O Escutismo é uma escola de vida permanente. As crianças e os jovens de hoje, carecem de espaço ao ar livre, carecem de que alguém, disponível, lhes preste atenção e lhes conte uma história, que pode ser sobre escutismo, acompanhada de uma aventura, daquelas que ouviu a um avô, ao pai ou à mãe e que gostariam de experimentar. O Escutismo de hoje é acusado de pouca autenticidade, mas vejamos, não teria o escutismo de acompanhar a evolução? Não teria o escutismo de se apresentar com dirigentes mais capacitados para acompanhar esta era de tecnologias? Como poderia o escutismo competir com as ofertas de que fala, se as não possuísse também? Não é por acaso que a sociedade vê no escuteiro alguém que da política, da sociologia, da religião, da pedagogia, à ética pode ser uma mais valia. Recentemente, os currículos para efeito de emprego passaram a ter um campo em que os candidatos declaram que foram, por exemplo, voluntários em determinada área. Ser escuteiro passou também a constar deste campo. Uma pessoa disponível, que reage às contrariedades, sorri mesmo quando a alegria esmorece, aproveita na sua vida profissional tudo o que aprendeu quase a brincar, lidera porque aprendeu a ser líder. Ser escuteiro é ser fiel a si próprio, cumprir os seus deveres e saber agir integralmente. Por isso, sim, há lugar para todos os que queiram proceder de acordo com estes princípios.