Entrevista: Albino Bárbara – presidente do Centro Cultural da Guarda


Albino Freire Barbara é natural da Guarda – (freguesia da Sé). Estudou no Colégio de São José, Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e Centro Cultural Les Dombe (França), Centro Universitáriode Bouges.
A GUARDA: O Centro Cultural da Guarda vai promover o “Festival de Música Coral da Cidade da Guarda”. Quais os objectivos desta iniciativa?

Albino Bárbara: Como sabem todos os anos o CCG leva a efeito o já tradicional Encontro de Coros – Cidade da Guarda.
Estivemos parados estes 3 anos por causa desta pandemia que assuou o mundo, mas logo que foi possível retomamos esta salutar convivência e esperamos mantela ao longo dos anos.

A GUARDA: Quando e onde vai decorrer este Festival?

Albino Bárbara: O Festival vai ter lugar, nos Claustros do Paço da Cultura, às 16.00 horas do próximo domingo, dia 11 de Junho.

A GUARDA: Quais os grupos que vão participar?

Albino Bárbara: Os Grupos participantes, para além do Orfeão do CCG são: O Grupo Coral de Manteigas e o Grupo Coral David de Sousa da Figueira da Foz.

A GUARDA: Podemos dizer que o Orfeão do Centro Cultural da Guarda é uma referência na cultura musical da cidade da Guarda?

Albino Bárbara: Sim. Isso é indiscutível. O Centro Cultural da Guarda foi fundado a 17 de novembro de 1962.
Vamos a caminho dos 61 anos de existência e relembro, isto porque a primeira valência do Centro foi o Orfeão, dirigido pelo padre Geada Pinto a que se seguiu o Padre Bernardo Terreiro do Nascimento e o Maestro Gustavo Humberto Delgado.
Este último, por razões da sua vida, deixou de viver na cidade da Guarda, o que fez com que tivéssemos de convidar um novo Maestro para dirigir esta valência e o convite recaiu no Maestro Luis Serra.

A GUARDA: Como é que o Orfeão se adaptou ao novo maestro?
Albino Bárbara: É claro que cada Maestro tem o seu estilo próprio e é perfeitamente natural que exista entre os Orfeonistas e quem os dirige uma fase de entendimento e de adaptação.
Isso foi perfeitamente conseguido, pois ambos os lados (Orfeonistas e Maestro), tem a prática e o “savoir-fair” para tal.
Depois do concerto de Natal, em Dezembro de 2022, em tempo record (o Maestro assumiu a direção em finais de setembro), percebeu-se que o entendimento entre as partes foi total.
A Direção do CCG, os Orfeonistas e do Maestro estão empenhados para que o Orfeão prossiga por muitos e largos anos, cumprindo assim a missão para a qual foi criado.
O Maestro Luis Serra, é sem dúvida uma mais valia e com a sus dedicação, levará longe esta valência do Centro Cultural, sendo ele um verdadeiro entusiasta da música coral.
A GUARDA: Quantos elementos integram actualmente o orfeão da Guarda?
Albino Bárbara: O Orfeão do Centro Cultural da Guarda é constituído por 32 elementos.

A GUARDA: É difícil recrutar elementos para o Orfeão?

Albino Bárbara: Sim, é difícil.
O Movimento Associativo atravessa o seu pior momento.
O Mundo tal qual o conhecemos deixa antever um processo onde tudo tem preço. E não pode nem deve ser assim.
Estas Instituições merecem continuar, pois acreditam que o mundo, o nosso mundo, tem um lado positivo, onde nem só os Sanchos Panças reinam e ainda há felizmente muita gente que gosta e lhes dá prazer participar nas várias vertentes do movimento associativo.
Regressando há pergunta, e tendo conhecimento de muita gente que canta bem, sim, é verdade que estamos a precisar de vozes, em todos os naipes do Orfeão e o convite fica aqui: Apareçam, estamos no Paço da Cultura, em pleno centro da cidade, todas as quartas-feiras, a partir das 21.00 horas. E nem é preciso bater. Subam as escadas a porta está aberta.

A GUARDA: Como avalia a política cultural da Câmara Municipal da Guarda, nomeadamente em relação às colectividades que desenvolvem actividades ligadas à música?

Albino Bárbara: Aí está uma pergunta de veras interessante.
Como sabem eu levo a efeito na Rádio Altitude um programa onde participam apenas e tão só, as associações culturais, com grupos que preservam o património musical, da chamada música popular portuguesa.
O interessante de tudo isto, é que todos eles afirmam que é necessário o apoio por parte da Câmara Municipal da Guarda, não só do cheque, mas sim de acompanhamento técnico com vista a aperfeiçoar a utilização dos vários instrumentos bem como na preparação das vozes.
A Câmara Municipal da Guarda deveria ter um Gabinete de apoio ao Movimento Associativo que pudesse motivar, acompanhar e aconselhar todos os grupos do concelho, não só na área da música, como também noutras: dança, folclore, teatro, etc.
O concelho da Guarda, nesta área, é riquíssimo. Não há freguesia que se preze, que não tenha, pelo menos, um grupo cultural e isso faz de nós um exemplo e uma referência não só no distrito como a nível nacional (recorde-se o trabalho feito nas janeiras ou nas peças de teatro comunitárias, levado a efeito, iniciadas pelo atual Diretor Geral das Artes “Américo Rodrigues”, envolvendo centenas e centenas de pessoas).
Esta forma de estarmos e participarmos, deverá fazer repensar a política cultural da Câmara Municipal da Guarda, e tem de ser vista indiscutivelmente aumentando significativamente o subsídio anual, onde a filosofia a ter em conta é o apoiar de forma igual tudo o que é igual e de forma diferente tudo o que é diferente.
Acerca da política cultural da CM Guarda, muito haveria para dizer. Não caberia nas páginas deste Jornal.
Uma coisa é certa, façam um debate vivo, com todos as coletividades e agentes culturais e irão perceber tudo o que se caba de dizer.