Vila Nova de Foz Côa


A Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP) está indignada com o “criminoso atentado” que foi praticado em finais de Abril contra uma gravura rupestre no Parque Arqueológico do Vale do Côa, em Vila Nova de Foz Côa. Em comunicado, a AAP “condena com veemência e manifesta a sua mais viva indignação” pelo vandalismo de um dos mais significativos núcleos de Arte Rupestre do Vale do Côa e recorda que o núcleo em causa está classificado pela UNESCO, como Património da Humanidade. A associação exige uma punição “exemplar dos seus autores materiais”. A direcção da AAP reclama ainda a intervenção directa do Ministério da Cultura na gestão do Parque Arqueológico, “de modo a assegurar a reposição imediata, e até o reforço do dispositivo de vigilância e segurança dos vários núcleos de arte rupestre que o integram”. O presidente da direcção, José Morais Arnaud, acrescenta no documento que o Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, “foi, há já mais de um ano, alertado para a grave situação do Museu e do Parque Arqueológico do Côa, pela AAP e por outras entidades, sem que acções efectivas tenham sido tomadas no terreno”. O dirigente espera que o Governo “não se limite a lamentar uma situação de que, em última instância, é o responsável político, e tome as medidas conjunturais e estruturais adequadas para assegurar uma efectiva protecção e valorização de um património de excepcional valor arqueológico, histórico e artístico”.
A Fundação Côa Parque denunciou no dia 28 de Abril, um “inqualificável” atentado contra uma das rochas do Parque Arqueológico do Vale do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, na qual está representada uma figura humana com mais de 10 mil anos. “Fomos surpreendidos com a descoberta de novíssimas gravações de uma bicicleta, um humano esquemático e a palavra «BIK» directamente sobre o conhecidíssimo conjunto de sobreposições incisas do sector esquerdo daquele painel, onde, como é universalmente sabido, está o famoso «Homem de Piscos», a mais notável das representações antropomórficas paleolíticas identificadas no Vale do Côa”, disse António Baptista, director do Parque Arqueológico do Vale do Côa. Segundo o responsável, trata-se de um conjunto de gravuras que sobreviveram intactas mais de 10.000 anos e que agora foram “miseravelmente mutiladas pela ignorância de alguém que possa ser rapidamente identificado e exemplarmente punido”. Acrescentou que “este atentado mancha a região”, classificada como Património Mundial desde 1998, sendo “uma nódoa no certificado de qualidade, de conservação e de apresentação ao público que a Arte do Côa orgulhosamente ostenta e é por (quase) todos reconhecido”. “É um crime que lesa este património mundial e quem tomou esta atitude sabia, aparentemente, os prejuízos que iria causar. É vandalismo puro e duro”, sublinhou António Baptista.