Festa da em Casais de Folgosinho une dimensão religiosa e popular

O dia 8 de Setembro é dia de romaria à Senhora de Assedasse, em Casais de Folgosinho, no concelho de Gouveia. Ao contrário do que acontece todos os anos, desta vez, não haverá qualquer celebração, respeitando as normas impostas para evitar a propagação da pandemia provocada pela Covid19. O pároco do lugar, padre António Morais, disse ao Jornal A GUARDA que “infelizmente, este ano, não é conveniente celebrar a Senhora de Assedasse como sempre temos feito, devido à situação que estamos a viver”. E acrescentou: “Há um fluxo muito grande de gente mesmo sem qualquer celebração e, por isso, temos de evitar ajuntamentos propícios à propagação da pandemia”.O padre Morais, como é conhecido, recorda que esta romaria é uma marca para o povo serrano, uma “festa com ligação profunda à terra, aos pastores da serra” e que “une o sagrado e o profano”. Explica que a evocação à Mãe de Deus, ali Senhora de Assedace, acontece em duas datas diferentes com profunda ligação à vida do campo, as sementeiras e as colheitas. Explica que “a primeira data, na segunda-feira de Páscoa, é o cumprimento do voto, uma promessa assumida pela gente de Manteigas mas depois cumprida pelo povo do Folgosinho, há séculos, quer chova quer neve, este ano foi a excepção por causa da Covid, não foi lá ninguém… Celebra-se a missa e vem-se embora, uma ligação profunda à terra, às sementeiras, entregam a terra à bênção da Senhora”.  Acrescenta que o ponto alto é no dia 8 de Setembro e a romaria acontece desde tempos imemoriais “debaixo de chuva, trovoada e grandes nevões”.“A romaria do 8 de Setembro aqui na zona é a festa das sete Senhoras, e a Senhora de Assedasse é uma delas, uma festa com uma vertente diferente, havia uma peregrinação a pé, serra acima, pela calçada romana e é uma mistura entre a festa profana e o sagrado”, explica o padre Morais.Habitualmente, a festa começa de véspera quando as pessoas passam as noites na serra, onde “acontecem muitas promessas e devoção”, com muita gente a fazer romaria à capela que “está aberta toda a noite”, mas também quando “acontece a festa pagã”.De acordo com o sacerdote “há um ambiente de silêncio em volta da capela, onde as pessoas pagam as suas promessas e não há uma única palavra, pode demorar horas e há sempre gente a fazer romaria à capela, ao mesmo tempo há uma estranha mistura entre o sagrado e o profano, que é uma concertina e as danças tradicionais”.O padre Morais olha para esta mistura “com a maior das simpatias” porque entendeu que só ao “entrar no coração do povo se percebe que não é tão profano quanto isso”. A festa de Setembro termina com a arrematação das ofertas à Senhora, onde aparecem “cabras, ovelhas, queijo, vinho e galinhas” porque “esta data tem outra ligação à terra, as colheitas, as pessoas vão agradecer”.A capela da Senhora da Assedasse, datada do século XII e zelada pela Irmandade das Almas, está aberta apenas nos dias de festa. Por questões de segurança, a imagem de Nossa Senhora também só é levada para a capela nessa ocasião, ficando o resto do ano guardada em Folgosinho.