Censo de 2020 aponta para a recuperação da espécie

A população de lince ibérico alcançou 1111 exemplares em 2020 em toda a Península Ibérica, o número mais elevado desde que existem programas de monitoração e 30% a mais em relação a 2019, quando foram registados 855 exemplares. Trata-se de um marco muito relevante no processo de recuperação desta espécie e melhoria do seu estado de conservação.Em 2020, foram registados 14 núcleos populacionais de linces, um dos quais em Portugal (Vale do Guadiana) e 13 em Espanha - Andalucía com cinco núcleos, Castilla-La Mancha com três e Extremadura com cinco. O total de exemplares registados durante 2020 em toda a área de distribuição ibérica foi de 1.111, repartidos entre Portugal (140-12,5%), Andalucía (506-45,5%), Castilla-La Mancha (327-29,4%) e Extremadura (141-12,6%).Os valores fornecidos pelos censos de produtividade para crias nascidas / fêmeas territoriais, foram, para Portugal de 2,3, enquanto os resultados médios para Espanha foram de 1,7. Para as comunidades autónomas espanholas, as proporções foram as seguintes: Andalucía, com 1,3 crias nascidas por fêmea territorial; Castilla-La Mancha, com 3,1 crias e Extremadura, com 1,2 crias por fêmea territorial.Para Portugal, com um núcleo populacional situado no sul do país, denominado Vale do Guadiana, foi estimado um total de 140 exemplares durante 2020, dos quais 80 são indivíduos adultos ou subadultos (>1 ano). Este número inclui 26 fêmeas reprodutoras/territoriais, que geraram 60 crias durante a temporada de 2020.Recorde-se que o declínio das populações de lince-ibérico foi uma constante desde a década de 1950 até, pelo menos, 2004, em toda a sua área de distribuição. A perseguição humana e a escassez de coelho-bravo foram as principais causas deste declínio populacional, conduzindo a espécie à beira da extinção. Na zona da Serra da Malcata o Lince Ibérico desapareceu por completo.Desde o início do século XXI, foram desencadeadas diversas iniciativas de conservação, entre as quais se destacam diversos projectos LIFE, desde 2002 até à data e o início da reprodução em cativeiro. Graças a este grande esforço de conservação, nos últimos anos a população de lince-ibérico não parou de crescer em número e em relação à sua área de presença.