Manifestação reuniu mais de 200 pessoas


Mais de duas centenas de habitantes e de autarcas de Manteigas manifestaram-se na tarde do dia 3 de Junho, contra as obras de beneficiação da estrada ER 338 (Manteigas-Piornos) e exigiram do Governo uma intervenção condigna e um tratamento idêntico ao que foi dado às vias dos concelhos de Seia e da Covilhã. Durante a acção de protesto, realizada junto do Poço do Inferno, no local onde a ER 338 está cortada devido às obras, os manifestantes empunharam cartazes com mensagens como “Desviados do mundo”, “Postos de quarentena”, “Estão a matar-nos” e “Manteigas não merece” e gritaram palavras de ordem como “A esta solução Manteigas diz não” e “Obras sim, remendos não”.
“Nós, os manteiguenses, queremos uma estrada 338 condigna, reabilitada, com uma largura suficiente. Não queremos um IC, não queremos uma auto-estrada, queremos uma estrada regional com os trâmites normais das estradas regionais e aquilo que a própria lei impõe para as estradas regionais”, disse Luís Melo, porta-voz dos habitantes de Manteigas. E acrescentou: “Sentimo-nos indignados, sentimo-nos profundamente ofendidos com a solução que foi encontrada. Esta não é a solução que queremos, esta não é a solução que nos foi prometida, esta não é a solução que vai trazer desenvolvimento ao concelho de Manteigas”. Luís Melo sublinhou que os habitantes defendem uma estrada “que respeite todas as regras ambientais, mas que também ofereça segurança”. Quanto ao fecho da via durante a realização das obras, pelo período de 4 meses, alertou que terá consequências económicas para Manteigas, que tem no turismo a sua grande fonte de rendimento.
O presidente da Assembleia Municipal de Manteigas, Lemos Santos, também presente na manifestação, lembrou que aquele órgão aprovou, desde Dezembro de 2014, moções de protesto e de repúdio pela intervenção que a Estradas de Portugal (EP) iria fazer na ER 338. “A população não quer esta beneficiação porque é comprometer para o futuro o alargamento que deve ser feito”, sustentou, lembrando que o actual traçado não permite o cruzamento de dois autocarros. Já José Maria Saraiva, presidente da direcção da ASE - Associação dos Amigos da Serra da Estrela, disse ao Jornal A Guarda que compreende a preocupação das entidades em relação ao alargamento da via, mas é “um problema extremamente fácil de resolver”. Quanto ao fecho da via durante as obras, admitiu que é “um absurdo” porque a intervenção podia ser feita por troços e permitir “o trânsito por segmentos”.