Manteigas


A Associação Amigos da Serra da Estrela (ASE), com sede em Manteigas, emitiu um comunicado onde refere que “a tragédia que os fogos causaram até ao momento, com a perda de muitas dezenas de vidas humanas e prejuízos difíceis de calcular, num país com as carências conhecidas, exige de todos os portugueses a solidariedade e serenidade que não vemos no debate partidário e em grande parte dos órgãos de comunicação social”. Para a direcção da ASE, “o momento que o país está a viver não deve servir para a chicana política nem para análises de circunstância, pelo respeito que nos merecem os cidadãos que perderam as suas vidas, bens e de todos os que ainda nem sequer recuperaram do cansaço e das feridas que os terão marcado para a vida”. “No fundo, o que urge fazer é procurar não perder mais tempo, pensar mais no interesse do país, porque não há folga para mais erros como os que foram cometidos ao longo destas quatro décadas”, aponta. A associação considera que “a ausência de investimentos para a melhoria das condições dos nossos agricultores que os estimulasse a manter as suas explorações agro-pastoris, valorizando o seu contributo para o equilíbrio dos ecossistemas, foi contrariada por fortes impulsos para a promoção de povoamentos de eucaliptos que estampam a paisagem de Norte a Sul do país”. E acrescenta: “Além das variáveis associadas às condições atmosféricas, os eucaliptais, independentemente de serem bem ou mal geridos, são um dos factores que mais influenciam a dinâmica dos fogos”. Refere ainda que “apesar de todos os problemas que a Serra da Estrela enfrenta, inclusive da alteração estrutural na orgânica do combate aos fogos e que, a experiência que uma centena de anos já demonstrara que funcionava bem, temos a sorte de não existir um único povoamento de eucaliptos digno de registo. E para isso contribuiu muito a nossa Associação quando na década de 80 do século passado foi capaz de sensibilizar a Portucel para não povoar com eucaliptos a encosta de Famalicão da Serra, como estava previsto fazê-lo”. A concluir a nota, a ASE refere que a Serra da Estrela, “principal abastecedor de água ao país, tem sido muito fustigada pelos incêndios e essa factualidade está a causar a erosão dos solos que se tem vindo a agravar pela manifesta ausência de vegetação nas cotas mais elevadas da Serra e a causar danos na capacidade de armazenamento de água no subsolo, situação à qual não está a ser dada a devida atenção”.