Guarda


O Tribunal absolveu Ana Manso, antiga presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, da prática de um crime de abuso de poder. Ana Manso, actual administradora hospitalar na ULS, estava acusada da autoria material e na forma consumada de um crime de abuso de poder, por ter votado a transferência do marido, Francisco Manso, de Castelo Branco para a Guarda, e, logo depois, ter promovido a sua nomeação para auditor interno da ULS da Guarda a que presidia em 2012, sem referir o parentesco.
Na terça-feira, dia 9 de Junho, o Tribunal da Guarda decidiu hoje absolver Ana Manso reconhecendo que a transferência do marido da ULS de Castelo Branco para a ULS da Guarda não iria lesar “em nada” o interesse público. No entanto, durante a leitura da sentença o juiz disse que a ex-presidente da ULS, que exerceu aquelas funções entre Dezembro de 2011 e Novembro de 2012, violou os deveres de isenção e de objectividade, pois devia ter-se abstido na votação da transferência do marido.
Após conhecer a decisão do Tribunal, Ana Manso disse aos jornalistas que sempre esteve de “consciência tranquila” em relação ao processo que a sentou no banco dos réus. “Eu sempre acreditei que a justiça se faz nos tribunais e não na comunicação social. Sempre estive de consciência tranquila. A verdade tardou, mas veio ao de cima”, afirmou. Disse ainda estar consciente que “não tinha cometido nenhum delito” e que no exercício de funções deu o seu “melhor, de forma apaixonada, pela Guarda e pelo serviço público, no hospital, na ULS”.
O advogado João Bandurra, que defendeu Ana Manso em Tribunal, acompanhado por Jorge Neto, disse aos jornalistas que recebeu a absolvição “sem surpresa” e que o processo foi conduzido “com serenidade”. “Carreamos ao processo todas as provas que tínhamos disponíveis para demonstrar aquilo que hoje, sem surpresa, o juiz deu como provado e, sem surpresa, também, absolveu a arguida, declarando isso expressamente na sentença, de que não há aqui cometimento de nenhum crime e não há nenhum procedimento ilegítimo na sua conduta enquanto presidente do Conselho de Administração da ULS da Guarda”, declarou João Bandurra.
Recorde-se que durante o julgamento, iniciado no dia 21 de Abril, a arguida declarou que agiu sempre de “boa-fé” e que nunca teve “intenção de prejudicar quem quer que fosse de forma ilegítima”. Ana Manso disse também que quando o marido pediu autorização para exercer funções na ULS da Guarda, a decisão foi tomada pela necessidade do serviço.