Governo vai apurar razões da demora na abertura do edifício que custou 55 milhões de euros

O Ministro da Saúde, Paulo Macedo, esteve na segunda-feira, dia 23 de Junho, na cidade da Guarda, onde presidiu à cerimónia de inauguração do novo pavilhão do Hospital Sousa Martins (HSM), que custou 55 milhões de euros. Paulo Macedo reconheceu que o novo equipamento vai melhorar a qualidade do serviço prestado às populações, mas deixou claro que o Governo vai apurar o que “correu mal” no processo de construção do novo bloco. “A Inspecção-Geral de Actividades em Saúde está há vários meses a analisar este processo numa dupla vertente: sobre, de facto, o que é que correu mal e também sobre a razão de ter demorado cinco anos a abrir este edifício, e a abrir em termos de segurança”, adiantou.
“Há aqui não só responsabilidades em termos de erros funcionais, mas também de responsabilidades financeiras, e essas vão ser apuradas”, garantiu. O Ministro reconheceu que a nova unidade representa uma mais-valia para os serviços de saúde prestados aos habitantes do distrito, mas afirmou que não devem ser ignorados alguns “aspectos que não estão bem” no edifício, apontando a existência de “excessos de corredores completamente vazios” e a “falta de espaços noutros sítios”. Quanto a investimentos futuros, alguns relacionados com a segunda fase das obras do hospital, o titular da pasta da Saúde referiu que irão ser assinalados os investimentos “imprescindíveis”. O Ministro reconheceu ainda que a nova unidade representa “um acréscimo de qualidade muito importante em certas áreas da saúde”, destacando o aumento de camas nos cuidados intensivos, a existência de uma área de cuidados intermédios e a melhoria dos serviços de imagiologia.
Na sessão inaugural, o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Álvaro Amaro, também se referiu aos 5 anos que demorou a inauguração do edifício, desde o início da sua construção. “Cinco anos em que se têm de deslindar os meandros, as razões, que levaram a que uma obra essencial como esta demorasse tanto tempo para estar operacional. Durante muito tempo, nesta cidade, discutiu-se se haveria um hospital novo, se um novo hospital, se devia localizar-se aqui ou acolá. Durante demasiado tempo, adormeceu-se em torno de declarações políticas que em nada ajudaram, que não agilizaram, que não resolveram, antes atrasaram”, afirmou.
Álvaro Amaro também disse “ser de absoluta relevância que o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação e Ciência possam conferir ao Hospital da Guarda o estatuto de «Hospital com Ensino Universitário», de acordo com o Decreto-Lei nº206/2004, de 19 de Agosto. Sabemos que existem protocolos de colaboração, mas não basta. É por isso necessário e até urgente que o Hospital, a sua Administração faça o respectivo requerimento de acordo com o mesmo diploma”. O autarca deu ainda conta da “ambição” relacionada com a criação de “um Centro Académico e Universitário, naturalmente com sede na Covilhã e com um pólo na Guarda”.
Já o presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, Vasco Lino, referiu que a inauguração do novo edifício do Hospital representa a concretização de um sonho antigo dos habitantes da região. “Há largos anos que a Guarda manifestava o desejo da abertura de um novo Hospital”, disse, acrescentando que o edifício está preparado para “satisfazer as necessidades” dos utentes servidos pela ULS.
Entretanto, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) entregou uma carta aberta ao Ministro da Saúde onde apela à resolução de vários problemas. Na missiva, que foi entregue pelo dirigente sindical Honorato Robalo, o SEP pede a revogação imediata da portaria 82/2014 (que classifica as unidades hospitalares), a contratação de mais enfermeiros para a ULS/Guarda e a aposta nos cuidados de saúde primários. O sindicato também defende que seja assegurada “a segunda fase de construção prevista para o HSM, como havia sido projectada, e que este Governo teima em extorquir a esta cidade e a esta região”.