O Ciclo dedicado ao escritor Nuno de Montemor, pseudónimo literário do padre Joaquim Augusto Álvares d’Almeida, promovido pelas Câmaras Municipais da Guarda e do Sabugal, incluiu, na segunda-feira, dia 26 de Maio, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (BMEL), a inauguração de uma exposição, a realização de um colóquio e o lançamento da Revista Cultural Praça Velha com um núcleo dedicado à sua vida e obra.

O primeiro momento foi a inauguração da exposição “Nuno de Montemor: Alma Brava e Meiga”, que fica patente ao público na BMEL, até ao dia 12 de Julho. Trata-se de uma mostra composta por 19 painéis onde são tratados os temas: “O homem”, “O Lactário”, “O escritor” e um painel extra sobre o título de “Etc.”, do qual fazem parte excertos de uma carta de 1960 e de uma entrevista, nas quais é feita referência a Nuno de Montemor. Fazem ainda parte da exposição, que tem coordenação geral de Américo Rodrigues, obras do autor, documentos, bens pessoais, peças de mobiliário e objectos do Lactário Dr. Proença ligados às crianças. O espólio em exposição, um pouco por todo o edifício da BMEL, foi cedido para este fim, pelo Lactário Dr. Proença, pela Fundação José Carlos Godinho Ferreira de Almeida, pelo Museu da Guarda e pelo Arquivo Distrital da Guarda.

A exposição revela, entre outros aspectos, que Nuno de Montemor estudou no Seminário da Guarda, foi sacerdote e capelão militar no quartel da Guarda e durante a I Grande Guerra, em França. Nasceu em Quadrazais, Sabugal, a 16 de Dezembro de 1881 e em criança foi entregue aos cuidados do avô e tios paternos, em Pega, localidade onde concluiu o ensino primário. Foi ordenado sacerdote a 17 de Dezembro de 1904 e foi pároco em Bendada e Almeida. Ocupou o posto de Capelão Militar no quartel da Guarda. Reformou-se em 16 de Dezembro de 1951, no dia em que completou 70 anos. Viveu na Rua Batalha Reis, na Guarda, e depois de reformado passou a residir em Lisboa, onde faleceu, a 4 de Janeiro de 1964, com 83 anos. Os seus restos mortais estão sepultados no jazigo do seu amigo João de Almeida, no cemitério da Guarda.

Quem visitar a exposição fica também a saber que o sacerdote escolheu o pseudónimo literário de Nuno de Montemor pelas seguintes razões: Nuno - em homenagem ao Santo Condestável e Montemor - por causa dos Montes Hermínios (Serra da Estrela).

Na sessão de abertura do colóquio sobre “Vida e obra do escritor Nuno de Montemor”, o vereador da Câmara Municipal da Guarda, Victor Amaral, referiu que a homenagem que está a ser feita ao escritor “deve ser motivo de orgulho para a Guarda e para o Sabugal”. O autarca referiu que o Município não podia deixa de se associar ao desafio que foi lançado em Novembro de 2013 pela direcção do Lactário Dr. Proença, considerando que comemorar os 50 anos da morte do escritor é “uma efeméride muito importante, que uniu” os dois Municípios. Victor Amaral considerou que o colóquio “é uma oportunidade muito importante para conhecermos melhor o homem e a obra”. Também considerou a exposição “muito importante” e fez votos para que a sua importância seja reconhecida pela Guarda e pelas escolas.

Já Delfina Leal, vice-presidente da Câmara Municipal do Sabugal, afirmou que evocar os 50 anos da morte de Nuno de Montemor tem a intenção de “revisitar e reflectir a sua obra”. Apontou que a parceria entre os dois Municípios envolvidos pretende melhorar a divulgação da obra do escritor e lembrou que a Câmara Municipal do Sabugal, em 2003, reeditou o romance “Maria Mim” como “forma de manter viva a memória de Nuno de Montemor”, que nasceu na Freguesia de Quadrazais, naquele concelho.