Gouveia


O Município de Gouveia iniciou, na quinta-feira, dia 28 de Janeiro, as actividades comemorativas do Centenário do Nascimento de Vergílio Ferreira. O programa, que também incluiu iniciativas na sexta-feira e no sábado, dias 29 e 30 de Janeiro, irá prolongar-se ao longo de todo o ano de 2016 e encerrará a 28 de Janeiro de 2017. Vergílio Ferreira nasceu na aldeia de Melo, no concelho de Gouveia, a 28 de Janeiro de 1916 e morreu a 1 de Março de 1996.
Da programação definida pela Câmara Municipal de Gouveia fizeram parte o lançamento da reedição de obras de Vergílio Ferreira pela editora Quetzal, uma visita de Francisco José Viegas à Escola Secundária de Gouveia, a reposição do busto de Vergílio Ferreira na Praça de S. Pedro, a inauguração da exposição “Vergílio Ferreira: Os Caminhos da Escrita ou O Fascínio da Arte”, no Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta, um colóquio intitulado “Vergílio Ferreira: Evocação, Evocações” e a representação do monólogo “Em Memória ou a Vida Inteira dentro de Mim”, baseado no romance “Até ao Fim” de Vergílio Ferreira. O programa também incluiu uma sessão solene, realizada na sexta-feira, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Gouveia. Durante a sessão, o presidente da Câmara Municipal, Luís Tadeu, referiu que as comemorações do Centenário do Nascimento de Vergílio Ferreira irão prolongar-se até Janeiro de 2017 com a realização de eventos sobre as “paixões” de Vergílio Ferreira: a música, a dança, a poesia, a fotografia, o cinema, a sua terra, a Serra da Estrela, etc. “E, com estas paixões, vamos dar a conhecer, a todos os que são apaixonados por Vergílio Ferreira, o homem e a obra”, disse o autarca. “Achamos que é fundamental dar a conhecer a vida de Vergílio Ferreira, porque, dessa forma, mais facilmente as pessoas compreendem a obra”, acrescentou. Luís Tadeu apontou ainda que o escritor é “um dos grandes cidadãos de Gouveia, é um vulto da Literatura Portuguesa e mundial”.
Na sessão solene, o director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Silvestre Lacerda, disse que os serviços estão a disponibilizar online, e gratuitamente, desde o dia 28 de Janeiro, documentos inéditos relacionados com Vergílio Ferreira, que estavam integrados “no Fundo dos Serviços de Censura e também da PIDE/DGS”. Alguns dos documentos incluem “a parte relativa à censura do livro que conhecemos como «Manhã Submersa», mas que não era esse o título original, era «Cavalo Degolado»”, adiantou, explicando que estão acessíveis “os apontamentos em que Vergílio Ferreira justifica à Censura a importância da obra e consegue convencê-los a deixarem publicar essa mesma obra”. Era documentação que “se encontrava inédita, que nunca tinha sido consultada no Arquivo da Polícia, e que nós estamos neste momento a disponibilizar”, referiu o responsável.