Amendoeiras em flor


O presidente da Coamêndoa - Cooperativa Agrícola de Produtores de Frutos de Casca Rija, com sede na localidade de Touça, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, reconhece que a realização das Festas da Amendoeira em Flor que acontecem anualmente nos concelhos produtores de amêndoa, têm contribuído para o reconhecimento do sector. “São festividades importantíssimas para o desenvolvimento da região. São estas festas que promovem o turismo e dão a conhecer ao país os produtos da região, como o vinho, a amêndoa, o azeite, a doçaria tradicional”, disse ao Jornal A GUARDA o dirigente Paulo Petiz. O responsável considera que sem as festividades o prestígio que tem a amêndoa dos concelhos de Vila Nova de Foz Côa e de Figueira de Castelo Rodrigo “não seria o mesmo, nem a sua qualidade teria o reconhecimento que hoje tem”. E acrescenta: “Estes eventos, pela projecção mediática que têm, chegam a todo o país e têm o condão de divulgar esta região que tem potencialidades turísticas e agrícolas verdadeiramente únicas. Todo o sector agrícola vai por arrasto, dado promoverem-se em simultâneo todos os outros produtos agrícolas da região. Quem vem a estes eventos anuais, não quer apenas provar a amêndoa, mas, quer provar todos os outros produtos, quer conhecer o património histórico e o património natural”. “Se durante muitos anos Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo, estiveram relativamente esquecidas, hoje, o que se verifica é uma espécie de descobrimento do potencial turístico e agrícola assente num património histórico e ambiental verdadeiramente único e estes eventos têm sido a ferramenta que tem permitido este «achamento»,” considera. No entanto, este ano, de acordo com Paulo Petiz, a floração das amendoeiras “começou de uma forma bastante precoce e muito irregular, quer nas variedades tradicionais quer nas variedades ditas modernas”. “Verifica-se que numa mesma variedade existem árvores com os botões florais muito desenvolvidos enquanto noutras, os botões ainda se encontram totalmente fechados. As alterações climáticas têm afectado de sobremaneira a floração, tornando o seu normal desenvolvimento verdadeiramente caótico e imprevisível, cheia de fenómenos contra natura. Para se ter uma ideia, no ano que findou devido à falta de geadas e às elevadas temperaturas, no final de Dezembro, já se observavam amendoeiras em plena floração”, relatou.
O presidente da Coamêndoa adiantou ainda que, as estimativas apontam que em 2015, a região terá produzido cerca de 300 toneladas de amêndoa. “Uma parte considerável, pensamos que cerca de cinquenta por cento, é vendida para o mercado espanhol”, indicou. “No que à Coamêndoa diz respeito, exportamos parte da produção, sendo que uma parte ainda considerável foi vendida a operadores portugueses que se dedicam à transformação da amêndoa. Temos tentado colaborar e privilegiar os operadores portugueses por nos parecerem que têm feito um trabalho verdadeiramente excepcional na transformação e comercialização da amêndoa e como tal nos merecem inteira confiança”, referiu. Paulo Petiz referiu também que têm surgido novas plantações de amendoeiras na região. “Como o preço do miolo da amêndoa tem estado em alta comparativamente com os anos anteriores, isto tem levado a um maior interesse pelas amendoeiras, conduzindo a novas plantações. Além disso, a amendoeira está bastante bem adaptada às condições dos solos e clima da região, permitindo produções de elevada qualidade o que potencia ainda mais a sua plantação. No entanto, seria bom que quem esteja a pensar em investir num amendoal, se lembre que os custos de instalação são bastante elevados, o investimento é contínuo e a amêndoa tal como qualquer outra «comoditie» tem as suas oscilações de preços ora em alta, ora em baixa. A previsão de rendimentos a obter nas novas plantações deve ter em conta essa variabilidade de preços que por demasiadas vezes se mostra verdadeiramente irracional”, concluiu.