Celorico da Beira


Nesta altura do ano o casal de horticultores de Celorico da Beira vende pimentos, cebolo, tomates, couve galega e repolho, entre outras plantas para transplante que são próprias da época. A seguir vem a temporada das couves para o Natal. “A sementeira (nos alfobres) é feita em Junho e Julho para a couve do Natal ser transplantada nos meses de Agosto e de Setembro, para depois se servir no Natal, com o bacalhau”, especificou José Rocha.
As vendas é que já conheceram melhores dias, pois segundo José Rocha, nos últimos anos nota-se uma quebra “porque cada vez estamos com as Freguesias mais envelhecidas e os novos não querem nem saber disto”. “Quem vai comprar às praças são pessoas de 50 e de 60 anos, porque os mais idosos já nem plantam nada para consumo, porque já comem nos Lares. Isto está a ficar muito complicado, não há gente nas aldeias. Na minha opinião, daqui a 20 anos, temos aldeias que não têm ninguém”, disse. Acrescentou que fruto desta realidade, e por só já existirem três produtores, a actividade hortícola típica de Celorico da Beira “está em risco”. “Já só somos três. Eu sou o mais novo. Logo, quando eu acabar, acaba tudo”, referiu, indicando que os filhos “têm outra vida”. Para avivar o sector, a União de Freguesias de São Pedro, Santa Maria e Vila Boa do Mondego e a Câmara Municipal de Celorico da Beira promovem anualmente um concurso de couves de Natal. “O concurso tem tido cada vez mais concorrentes e o número de participantes tem aumentado de ano para ano”, disse José Rocha. E acrescentou: “Nota-se que mesmo quem não costumava plantar couves começou a fazê-lo por causa do concurso. Temos até jovens que começaram a dizer aos pais para plantarem as couves de Natal porque querem vir ao concurso”.