Câmara Municipal continua a trabalhar no projecto de candidatura


A Câmara Municipal de Almeida continua a trabalhar com o objectivo de a vila ser reconhecida como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). O presidente da autarquia, António Baptista Ribeiro, disse ao Jornal A Guarda que gostava que a candidatura da fortaleza, que foi apresentada conjuntamente com Valença, “tivesse já sido colocada na lista indicativa da UNESCO”. “Foi-nos transmitido que iria acontecer brevemente e já lá vai um ano. Penso que já é tempo de decidirem a nossa entrada na lista indicativa da UNESCO”, acrescentou. No entanto, António Baptista Ribeiro, referiu que pelo facto de Portugal integrar o Comité do Património Mundial da UNESCO, para um mandato que decorre até 2017, só podem ser apresentadas candidaturas nacionais relacionadas com património imaterial. Almeida e Valença fizeram a solicitação em conjunto para a lista identificativa e o autarca gostaria que isso fosse “reconhecido de imediato”, mas a decisão não será decidida enquanto Portugal integrar o Comité da UNESCO. Até lá, a autarquia está a trabalhar em publicações e na organização de seminários “porque tudo isso é um valor acrescentado à nossa candidatura”. “Todos os anos realizamos um seminário internacional com especialistas de todas as partes do Mundo. Temos feito essa aposta anual e têm surgido publicações todos os anos”, acrescentou. Este ano, a Câmara Municipal de Almeida irá publicar um livro de Miguel Noras e outro de Adriano Vasco Rodrigues (relacionado com a fuga de judeus durante a 2.ª Guerra Mundial) e publicará o n.º 12 da Revista do Centro de Estudos de Arquitectura Militar de Almeida - CEAMA. “Temos feito esta aposta, para além de termos participado em muitos seminários organizados pela UNESCO. O trabalho de casa está a ser feito, precisamos é de decisões que nos ultrapassam”, acrescentou, lembrando que o Plano Estratégico também já está publicado e definido.
Segundo o autarca de Almeida, a recriação anual do Cerco da Vila de Almeida durante as Invasões Francesas também tem “vindo a ganhar dimensão” e tem tido êxito. Para este ano a autarquia já tem centenas de inscrições de recreadores  de grupos  de várias partes da Europa. “A recriação histórica já é uma marca além-fronteiras e será um bom contributo para a nossa candidatura” à UNESCO, concluiu.
A fortaleza de Almeida, de traçado abaluartado, é de arquitectura militar seiscentista e setecentista. Tem planta hexagonal irregular, composta por seis baluartes poligonais, irregulares e desiguais entre si, interligados por cortinas, reforçadas por seis revelins, sendo circundada, em todo o seu perímetro, por fosso. Os seis baluartes são denominados de São Francisco, de São João de Deus, Santa Bárbara, de Nossa Senhora das Brotas ou do Trem, Santo António e São Pedro.
Em Agosto de 2009, no âmbito das comemorações anuais do cerco de Almeida em 1810, foi inaugurado o Museu Histórico-militar nas antigas casamatas. O núcleo museológico ocupa sete salas, cada uma dedicada a um tema, desde a Pré-História, a Guerra da Restauração, as Guerras Peninsulares, a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), até à Primeira Guerra Mundial.
A vila de Almeida integra o Programa das Aldeias Históricas de Portugal.