Opinião

Viagens ao reino de Clio

D. Manuel, Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia (IV)


Abril, 7 – Ao sol-posto fomos pousar defronte da cidade da Mombaça e não entrámos no porto. Diante da cidade estavam muitas naus, todas embandeiradas com seus estandartes. E nós, por lhe termos companhia, fizemos outro tanto aos nossos navios, que nos não falecia senão gente, que não tínhamos, porque ainda essa pouca que tínhamos era muito doente.

7 de abril de 1498 - “Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia”, provavelmente escrito por Álvaro Velho durante a expedição.


Na sua viagem marítima para a Índia Vasco da Gama beneficiou de alguns conhecimentos técnicos de navegação, que os descobridores portugueses, seus predecessores, tinham reunido. Começou por seguir a habitual rota dos navios, acompanhando a costa marroquina para sul e assim que passaram as Canárias, rumou às ilhas de Cabo Verde. Aqui fizeram a primeira escala, para reparações e reabastecimento de víveres e água e seguiram para sudeste. Na proximidade da Serra Leoa, os navios afastaram-se da costa e rumaram para sul, em mar alto, pois os navegadores sabiam que existiam correntes e ventos contrários junto à costa africana.
Assim navegaram cerca de três meses sem avistar terra, mas alcançaram a baía de Santa Helena, cerca de 125 milhas a norte do cabo da Boa Esperança, onde avistaram pela primeira vez nativos africanos. Um grupo de portugueses aproveitou para desembarcar, capturou um nativo e trouxe-o ao comandante. A bordo foi-lhe dado jantar, à mesa do comandante, e depois de o vestirem, soltaram-no novamente. Este ato provocou alguma aproximação entre os dois povos, pois durante três dias trocaram mercadorias. Contudo, a certa altura, um dos marinheiros ofendeu um dos nativos e vários portugueses, incluindo Vasco da Gama, ficaram feridos por lanças que lhes atiraram.
Ao fim de uma semana zarparam da baía de Santa Helena e dirigiram-se para o cabo da Boa Esperança, que só conseguiram dobrar ao fim de quatro dias, pois o mar estava tempestuoso.
Três dias depois, Vasco da Gama fundeou na angra de São Brás, atual baía de Mossel, cerca de 300 milhas a leste do cabo, para se reabastecer de água potável e levantar o primeiro padrão, que um grupo de nativos enfurecidos deitou abaixo.
Quinze dias passados, a expedição passou junto ao último padrão que Bartolomeu Dias erigira em 1488.
Cerca de um mês depois, lançaram ferro no amplo porto junto da atual cidade de Quelimane, já para norte na costa de Moçambique, onde fundearam durante um mês.
Aqui, Vasco da Gama sentiu-se encorajado pelos indícios de que alcançara a periferia do domínio comercial árabe, pelo que deu o nome de “Rio dos Bons Sinais” ao rio que ali desaguava.
A rota que seguiam ia-lhe dando cada vez mais sinais de que se aproximavam de águas percorridas pelos navios árabes.
Navegando com o auxílio dos pilotos árabes, a frota chegou a 7 de abril de 1498 a Mombaça, na costa do Quénia, e ancorou ao largo, pois Vasco da Gama, receoso de uma cilada, hesitava em levar a sua armada para o porto.
Após escala em Melinde, a frota aproveitou a monção de sudoeste, que, nos meses de Primavera e de Verão, sopra com regularidade no oceano Índico da África para a Índia, e aportou a 18 de Maio de 1498, em Calecute. Nesta cidade constataram que existiam imensos armazéns e lojas a abarrotar de todas as mercadorias exóticas por que os portugueses ansiavam: sedas e porcelanas finas; pérolas, safiras e rubis; ouro e prata, e grandes sacos cheios de cravinho, noz-moscada, canela, pimenta, gengibre e outras especiarias aromáticas.
Existe um relato da viagem de Vasco da Gama, o “Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia”*, provavelmente escrito por Álvaro Velho, que participou como marinheiro ou soldado na expedição do descobridor português.
Eis um excerto:
“12 de novembro de 1497 – Vieram obra de 40 ou 50 (negros) e nós, depois que jantámos, saímos em terra e, com ceitis que levávamos, regatámos conchas que eles traziam nas orelhas, que pareciam prateadas. Neste mesmo dia, um Fernão Veloso que ia com o capitão-mor desejava muito ir com eles a suas casas, para saber de que maneira viviam e que comiam ou que vida era a sua. E pediu mercê ao capitão-mor lhe desse licença para ir com eles a suas casas. E o capitão o deixou ir com eles; e nós tornámos ao navio do capitão-mor a cear e ele se foi com os ditos negros. E, tanto que eles de nós foram apartados, tomaram um lobo-marinho e foram-se ao pé de uma serra, em uma charneca e assaram o lobo-marinho; e deram dele ao Fernão Veloso que ia com eles e das raízes de ervas que eles comiam. E, tendo acabado de comer, disseram-lhe que se viesse para os navios; e não quiseram que fosse com eles.”

*O “Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia” está registado na “Memória do Mundo” da UNESCO. O registo faz parte da lista de documentos de todo o mundo que é preciso guardar no baú da História para evitar a «amnésia coletiva».

Um governo sem lei

As últimas eleições legislativas que ocorreram em Portugal, tiveram lugar no dia cinco de junho do ano de 2011.Nessa corrida, estiveram vários partidos e coligações que para cativarem o eleitorado apresentaram o seu programa de governo, bem como outras noções que visavam tornar Portugal, num país mais próspero e justo. Aliás os políticos de topo da nossa praça são muito hábeis nessa matéria, pois a primeira cadeira que tiraram dentro do partido em que militam foi a arte de “colar cartazes”, daí alcançaram o estatuto de apoiantes de primeira fila, onde em constantes palestras ouvidas aos seus líderes, também arranjaram traquejo, que em termos de oratória lhes dá o condão de arrastarem multidões. O povo por sua vez vê os partidos em jeito de clube e pouco valor dá ao currículo de quem se apresenta a sufrágio.
Quero com isto dizer que quem tem mais votos, com toda a legitimidade, é quem deve ser eleito e nomeado para a formação do governo para a legislatura a que esse ato eleitoral corresponde, sendo ainda correto fazer os arranjos parlamentares que lhe garantam uma estabilidade governativa durante o mandato que lhe é atribuído.
Chegados aqui, temos que dizer que tudo na vida tem regras, e claro que as regras da governação são as “leis”, que por sua vez têm que estar em concordância com a Lei Base da Nação, que é a constituição da República. Como o que aqui digo tem que forçosamente ser verdade, não pode nenhum governo, seja ele de que pinta for, assumir compromissos que não estejam dentro desta bitola legal.
Também não é menos verdade, que um governo que para agradar ao capital, passa a fazer o invés do que tinha mencionado no programa, moralmente torna-se ilegítimo, e apenas se mantém em funções, porque tem a seu lado a contagem dos correligionários nas cadeiras de São Bento. Por sua vez Belém também já não tem o discurso repreendente e austero da tomada de posse da reeleição de quem ali “exerce” o mais alto cargo político.
Como estamos na presença de um governo fraco com os fortes e forte com os fracos, nada mais faz do que se desviar, assim que possa, da lei fundamental do país, amordaçando o seu povo para de seguida assumir um qualquer compromisso perante os poderosos, a quem é solicitado de cócoras.
Quem não cumpre na íntegra as funções para as quais está habilitado, sujeita-se as sanções que se vão agravando com a reincidência. Todos sabemos que depois de habilitados ao exercício da condução, se não cumprirmos sistematicamente o código da estrada, mais cedo ou mais tarde, o título que nos habilita, acaba pornos ser retirado. Este exemplo que aqui dou, apenas sujeita o mais comum dos mortais, pois quem não é pessoa de bem isenta-se, como é caso de quem tem como lema aferroar o zé-povinho.
Na hora de reprimenda cai o Carmo e a Trindade, destapam-se até negócios que passaram por baixo de mesa, que acabam por envergonhar um país com quase nove séculos de história e que está dento das fronteiras mais antigas da Europa.
Pensando melhor…eu talvez não esteja certo! Não sei se Portugal ainda se mantém como nação independente, pois o dia que assinalava esse evento era feriado e foi riscado do calendário. Estou a falar do dia cinco de outubro de ano de 1143, que na conferência de vizinha cidade de Zamora, com a presença de uma delegação papal, chefiada pelo cardeal Guido de Vico. Por falta de conhecimento ou por vantagem própria, o Poder apenas relaciona esse dia com a implantação de República, evento que aconteceu há um século e pico.
Em meu redor, vejo o número de pobres a aumentar, muito embora os milionários aumentem, mas noutras paragens, pois aqui não existem nascentes que possam fornecer água para manter peixe graúdo.
Sou dos que acredito que temos ainda que chegue para todos, mas também sei que é demasiado deficiente a cadeia da distribuição: Um cântaro para uns poucos. Um dedal para milhões.
Mas que adianta falar! Por cá sempre se ouviu: - Uns comem tudo… e o pequeno paga as favas.

As fronteiras territoriais e as fronteiras mentais: quais os limites?

Pontos de Vista
ELEIÇÕES EUROPEIAS

Também a Pátria deve ser celebrada

Viagens ao reino de Clio

D. Manuel, Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia (III)


Pousámos ao longo da costa, onde tomámos muito pescado. E quando veio o sol-posto, tornámos a dar nossas velas e a seguir o nosso caminho. E daqui andámos tanto pelo mar, sem tomarmos porto que não tínhamos já água que bebêssemos nem fazíamos já de comer, senão com água salgada.

Diário de Bordo de Vasco da Gama, 28 de dezembro de 1497


Vasco da Gama foi o capitão escolhido pelo rei D. Manuel I para prosseguir o projeto da Índia (a descoberta do caminho marítimo para lá chegar) iniciado pelo seu antecessor, D. João II. Contudo, em 1497, as Cortes reunidas em Montemor-o-Novo, eram de opinião de que não se deveria organizar a viagem à Índia, que D. João II tão esforçadamente havia preparado. D. Manuel não é desta opinião e manda prosseguir com o projeto, escolhendo Vasco da Gama para comandar a armada, filho de Estevão da Gama que havia sido escolhido para a viagem por D. João II mas que havia entretanto falecido.
Assim, Vasco da Gama e todos os seus homens, onde se incluía Bartolomeu Dias, passam a noite da véspera da partida em vigília de oração na Ermida de Santa Maria de Belém. Na hora do embarque realizou-se uma procissão em que todos os marinheiros levavam círios nas mãos, sendo todos absolvidos antes do embarque.
A frota, que partiu para a Índia no dia 8 de julho de 1497 e que chegou a 20 de Maio de 1498, a Kappakadavu, próxima de Calecute, abrindo o caminho marítimo dos europeus para a Índia, era composta por cerca de 170 homens, que dispunham de cartas de marear com a marcação de toda a costa africana conhecida. Levavam também quadrantes, astrolábios, regimentos, tábuas com cálculos, agulhas e prumos.
A esquadra era constituída por quatro navios: S. Gabriel, capitaneada por Vasco da Gama; S. Rafael, capitaneada por Paulo da Gama, seu irmão; Bérrio, capitaneada por Nicolau Coelho e um navio de mantimentos. Este era um navio de duzentas toneladas que tinha como objetivo levar os víveres que durassem para os três anos previstos da viagem de ida e volta, como biscoito, feijão, carnes secas, vinho, farinha, azeite, salmoura e medicamentos. Claro que durante a viagem tinham intenção de encontrar água, frutas e outros mantimentos frescos.
No dia 12 de julho de 1499 regressou ao Tejo o navio Bérrio, de Nicolau Coelho, com a boa nova da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Foi o primeiro navio a chegar pois Vasco da Gama havia ficado na ilha Terceira, Açores, para ficar com o seu irmão Paulo da Gama, gravemente doente. Vasco da Gama apenas regressaria a Lisboa no dia 29 de agosto de 1499, cerca de um mês e meio depois de Nicolau Coelho, sendo recebido com grande contentamento por populares e pelo rei. Sabemos, por Damião de Góis, que colocou cinco padrões de descobrimentos durante a viagem: em São Rafael, no rio dos Bons Sinais, em São Jorge (Moçambique), em Santo Espírito (Melinde), em Santa Maria (Ilhéus) e em São Gabriel (Calecute). Como recompensa pelos serviços prestados, D. Manuel concedeu o título de Dom a Vasco da Gama e muitas outras recompensas. A Nicolau Coelho fez fidalgo de sua casa e recompensou, regra geral, todos os marinheiros da expedição.
No mesmo dia em que Nicolau Coelho regressou a Lisboa, D. Manuel escreveu uma carta aos reis de Castela:
“Muito altos, muito excelentes Príncipes e muito poderosos Senhores. Sabem Vossas Altezas como tínhamos mandado descobrir a Vasco da Gama, fidalgo de nossa Casa, e com ele Paulo da Gama, seu irmão, com quatro navios pelo Oceano; os quais agora já passavam de dois anos que eram partidos; e como o fundamento principal desta empresa sempre fosse por nossos antepassados, de serviço de Deus Nosso Senhor e proveito nosso; aprouve-lhe por Sua piedade assim os encaminhar, segundo o recado que por um dos capitães que a nós a esta cidade agora é chegado, houvemos; que acharam e descobriram a Índia e outros reinos e senhorios em que acharam grandes cidades de edifícios e ricos e de grandes povoações; nas quais se faz o trato da especiaria e de pedraria, que passa em naus que os mesmos descobridores viram e acharam em grande quantidade e de grande grandeza, a Meca; e daí ao Cairo, de onde se espalha pelo Mundo, do qual trouxeram logo agora estas quantidades, a saber: de canela, cravo, gengibre, noz-moscada e pimenta e outros modos de especiaria e ainda lenhos e folhas deles mesmos; e muita pedraria de todas as sortes: a saber: rubis e outros; e ainda acharam terra em que há minas de ouro, do qual, a da dita especiaria e pedraria não trouxeram logo tanta soma, como poderão, por não levarem mercadoria. E porque sabemos que Vossa Altezas disto hão-de receber grande prazer e contentamento, houvemos por bem dar-lhes disso notificação. Muito altos, muito excelentes Príncipes e muito poderosos Senhores, Nosso Senhor Deus haja sempre vossas pessoas e Reais Estados em Sua Santa guarda.”

EUROPEIAS 2014

 

No Vietname

Ao encontro de Francisco de Pina, Egitaniense

Nessa madrugada de finais de Julho de 2012, levantei-me à pressa, galguei, a pé e sozinho, aquelas ruas de Hoi An, a Faifo da Cochinchina dos antigos portugueses, mas já pejadas de motorizadas com vietnamitas. Eram cinco e quarenta e cinco minutos.

Ofegante, entrei na Igreja Católica já perto das seis horas. A missa, marcada para as cinco, já havia terminado mas lá se encontrava ainda o P. Paulo de breviário na mão e duas religiosas a fazer a via-sacra.

Quando me apercebi que o P. Paulo havia terminado a sua oração, fomos um ao encontro do outro. A minha presença já não era estranha. Já nos havíamos encontrado, por breves momentos, dois dias antes. Prometera, então, ali voltar. Feitas as saudações iniciais, entreguei-lhe uma carta de apresentação do Bispo da Guarda, a terra de Francisco de Pina, acrescentei eu. A carta estava escrita em francês. Creio que não chegou a entender bem a mensagem da carta e perguntou-me se poderia esperar cinco ou dez minutos, o tempo suficiente para o seu professor de francês se poder deslocar ali para servir de intérprete. Permaneci na Igreja. As religiosas continuavam a sua via-sacra.

Não teriam passado mais de cinco minutos e sou surpreendido pelo P. Paulo, a apresentar-me já o professor de francês e a convidar-me para os acompanhar à residência paroquial. Agradeci. A conversa a três terá durado cerca de trinta minutos. O suficiente para o simpático professor se inteirar dos meus objectivos e prontificar-se a levar-me de motorizada a Phuoc Kieu, a antiga Cacham onde residia, na altura da morte, o jesuíta Francisco de Pina, que, ido da cidade da Guarda, chegara à Cochinchina havia 400 anos.

Eu desejava só algumas informações que me servissem de apoio a uma deslocação de táxi, ainda nesse mesmo dia, àquela localidade que não constava nos roteiros turísticos. A proposta do simpático professor surpreendeu-me em absoluto. Mesmo já tendo presenciado aquele arrepiante movimento de motorizadas nas ruas das cidades vietnamitas, aceitei, sem a menor dúvida. Aliás, aquele movimento arrepiante já vinha dando lugar, no meu espírito, a uma enorme admiração pela perícia daqueles condutores vietnamitas que transportavam nas suas motorizadas a família inteira e ainda notável bagagem.

Às oito partiríamos dali mesmo. Faltava uma hora. O suficiente para ir ao hotel, tomar o pequeno-almoço e avisar a família que ia a Cacham com o Pároco local. Não me atrevi a dizer que iria à boleia numa mota. Havia de ser pontual. Os poucos dias que já tinha de Vietname eram suficientes para saber como os vietnamitas eram de uma pontualidade matemática. E aqui a pontualidade tinha de corresponder a tão grande e inesperada amabilidade.

Quando às oito horas menos cinco minutos transpus de novo o portão do complexo paroquial, logo o simpático professor, com um enorme sorriso, me fez sinal, ao longe, com um capacete na mão. Foi montar e arrancar. Atrás, numa outra mota, vinha o P. Paulo com outro vietnamita.

Nunca esquecerei esta pequena viagem. Primeiro, perdido naquele enxame de motorizadas nas ruas da cidade! Depois, a tranquilidade da viela de terra batida entre os arrozais! Nunca eu, ido da cidade da Guarda, poderia ter imaginado que o meu baptismo de moto fosse no Vietname a caminho de Cacham à procura de outro homem da Guarda que, há quatrocentos anos, ali chegara e ali falecera em trágico naufrágio.

Quando aquelas duas motorizadas entraram no santuário de Cacham, fui surpreendido por um conjunto de cristãos vietnamitas que preparavam aquele espaço para as festas do Beato André, o protomártir vietnamita, que se iriam realizar dali a dois dias. Mas a surpresa foi recíproca. Aqueles homens bem surpreendidos ficaram também com a companhia com que chegava o seu pároco. Os sorrisos diziam tudo. Notei que os meus amigos informaram os trabalhadores de quem se tratava e dirigiram-se a mim. Foi um cumprimento feito de sorrisos, de apertos de mão e inclinações de cabeças. Sem palavras, estavam dadas as boas-vindas naquela terra tão amada do nosso Francisco de Pina, onde ele ensinara anamita (língua local) aos confrades chegados de Lisboa.

Entrei na Igreja, onde era também notória a azáfama de outros vietnamitas. Ao fundo, lá estava a imagem do jovem André, beatificado por João Paulo II em 2000 e logo proposto como um dos protectores da jornada mundial da juventude. Há momentos em que a oração, por mais individual que seja, é bem universal. Este foi um desses momentos.

Numa próxima crónica vamos descobrir Francisco de Pina, no passado e no presente que aguarda o futuro.

Guarda, 9 de Maio de 2014