O programa de Sandra Felgueiras, “Sexta Às 9”, esteve suspenso no período eleitoral e regressou esta sexta-feira, dia 11 de outubro.

As suspeitas sobre a oportuna suspensão do referido programa de jornalismo de investigação foram motivo de acesa discussão nas redes sociais e apontaram para a intervenção do governo num órgão de comunicação social que está sob a sua tutela. Regressou agora, após as eleições legislativas que deram a vitória ao partido que suporta esse mesmo governo, com a notícia de um inquérito-crime aberto pelo Ministério Público por suspeitas de crimes económicos no ato da entrega pelo Estado de uma concessão para a exploração de lítio em Montalegre.
Envolvidos nesta investigação estão dois socialistas com responsabilidades governativas - Jorge Costa Oliveira, ex-secretário de Estado da Internacionalização e Pedro Siza Vieira, ministro Adjunto e da Economia, e ainda uma empresa criada dias antes do negócio.
Neste momento, após tomarmos conhecimento destes factos, a suspeição adensou-se e as perguntas que exigem resposta são:
Porque será que o Sexta às 9 foi suspenso antes das eleições?
Qual a razão de o programa, com factos conhecidos há bastante tempo, só ter sido emitido no dia 11 de outubro?
Perante as dúvidas que se levantam, não é fácil encontrar muitas desculpas, apesar de elas poderem existir. Fica claramente a sensação, até prova em contrário, de que foi imposta uma mordaça a Sandra Felgueiras, no momento em que o programa foi convenientemente suspenso antes das eleições, porque os factos agora conhecidos são deveras inconvenientes.
O que se soube é muito grave e, mais uma vez, pode vir dar razão àquilo que a senhora ex-Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, andou a querer denunciar quando afirmou que “há efetivamente redes que capturaram o Estado e que utilizam o aparelho do Estado para a prática de atos ilícitos...”
É cada vez menos difícil percebermos as razões de vivermos na ditadura fiscal em que vivemos e de o país ter as dificuldades financeiras que tem...