ChatGPT é o nome dado à ferramenta mais popular, de acesso universal e para já grátis (na sua versão 3.5) tendo como base tecnologias de Inteligência Artificial (IA ou AI).

O âmbito de aplicação das tecnologias IA é muito vasto, integrando-se o ChatGPT na área específica dos chamados “Modelos de Linguagem”.
ChatGPT é a sigla inglesa para “Chat Generative Pre-trained Transformer” equivalente em português a Transformador Pré-treinado para Geração de Conversas. Complicado? A ver se no final deste artigo se entende um pouco melhor do que se trata.
ChatGPT  é um algoritmo (sequência de instruções coerentemente organizadas, utilizadas para resolver um problema ou cumprir um objetivo) suportado em tecnologias desenvolvidas para o estudo e implementação de RNA´s - Redes Neuronais Artificiais (que tentam reproduzir a forma como funciona o nosso Cérebro) e “machine learning” (aprendizagem automática através de máquinas), lançada e aberta ao público na sua versão GPT-3 no final de 2022, pelo OpenAI, um laboratório de pesquisa criado em 2015, com sede em São Francisco nos Estados Unidos da América.
Na sua área específica de pesquisa de base - “Modelos de Linguagem” - o OpenAI pretendia melhorar a forma como os assistentes virtuais (suportados em máquinas) desenvolvem os diálogos em linguagem natural (as linguagens desenvolvidas pelos seres humanos de forma natural e não premeditada, por exemplo o Português) com as pessoas. Imagine que liga para uma Central de atendimento telefónico (vulgo “Call Center”) e é atendido por uma máquina (um “BOT”) programada por forma a simular o atendimento humano, que com o tempo vai sendo aperfeiçoada e que, a determinada altura, consegue um nível de desempenho que nos não permite distinguir se estamos a ser atendido por uma pessoa ou por um robot. Da mesma forma, esse diálogo poderia ser escrito num qualquer “Messenger” o que até tornava as coisas mais fáceis de implementar.
O primeiro estudo sobre redes neuronais artificiais foi publicado em 1943 por iniciativa conjunta do neurofisiologista Warren McCulloch e do matemático Walter Pitts. A ele seguiram-se muitos outros estudos propondo modelos conceptuais interessantes mas a maioria dos quais de difícil implementação prática no seu tempo, sobretudo por limitações de natureza tecnológica ao nível do acesso a grandes volumes de informação, da capacidade de armazenamento e da velocidade do seu processamento. Assim o desenvolvimento destas tecnologias foi alternando períodos de grande otimismo coincidindo com os vários desenvolvimentos teóricos, com períodos de desânimo e desinvestimento chamados de “Invernos”, sobretudo pelas atrás referidas limitações. A evolução não foi fácil.
Contudo no final de 2017, foi publicado um artigo científico intitulado “Attention is all you need” (Tudo o que precisas é atenção), que definiu os fundamentos de uma nova RNA projetada para tratar texto e batizada de “Transformer”. Essa plataforma foi desenhada para lidar com dados sequenciais de texto, prestar atenção às palavras-chave, ao contexto e aos diferentes significados que as palavras podem ter. Obrigava a um treino intensivo prévio sobre um número imenso de informação, visando sobretudo a identificação de padrões, por forma a mais tarde poder prever a próxima palavra numa frase com base no contexto anterior. A informação processada sendo muito diversa e em número muito elevado, enriquece a variedade de padrões e relacionamentos entre palavras e frases processados.
O modelo é contudo de uma enorme complexidade pois para poder prever a tal próxima palavra tem de previamente criar um “modelo do Mundo”. Por exemplo, se questionarmos o ChatGPT sobre “a segunda cidade mais alta de Península Ibérica é ...” irá responder “a Guarda”, mas para dar essa resposta teve de internamente criar um modelo integrando todas as Cidades de Portugal e de Espanha e as respetivas altitudes.
No mês de Junho 2018, foi lançada a versão 1 do ChatGPT que já indiciava grandes progressos no desenvolvimento de modelos de linguagem natural “pré-treinados para gerar textos coerentes e gramaticalmente corretos”. O GPT-2 foi lançado em Fevereiro de 2019 e em Novembro de 2022 o GPT-3. Este modelo na sua versão 3.5 passou a integrar a “aprendizagem por reforço” aperfeiçoada através da deteção e a correção de erros e a integrar uma enorme coleção de diálogos específicos. Em 14 de Março de 2023 foi lançada a versão (pública mas paga) mais recente, o GPT-4, que já permite processar imagens. A evolução tem sido tão significativa, que especialistas mundiais na matéria estão a recomendar que se suspendam temporariamente os “treinos” das plataformas mais evoluídas, face ao risco de se entrar numa situação descontrolada de difusão de desinformação e de eliminação socialmente irresponsável de empregos.
Questionei o ChatGPT: “Diz-me em linguagem simples o que é o ChatGPT”
Respondeu-me: “… sou um programa de computador projetado para conversar e responder a perguntas como se fosse uma pessoa real”, e ainda “ … o modelo GPT,…, usa técnicas de aprendizagem automática para processar e compreender o texto … aprende padrões e informações através do texto que lhe é fornecido durante a fase de treino e usa essas informações para gerar respostas coerentes com base nas perguntas que recebe.” Quando refere “sou” até dá a impressão que tem consciência de si, mas não é assim. O ChatGPT produz textos coerentes, mas sem entender o seu significado. Esta ferramenta não entende emoções, não processa intenções nem manifesta desejos. Essas são ainda prerrogativas nossas.
Como disse o professor Vitor Santos na Tertúlia da Ordem dos Engenheiros: “o problema nunca estará na evolução das plataformas de IA mas sim na forma como os humanos a pretendem utilizar.”
O ChatGPT ainda tem dificuldades de adaptação à atualidade pois foi treinado sobretudo com informações anteriores a 2022, mas essa limitação está em vias de ser ultrapassada pois nos próximos desenvolvimentos está previsto passar a interagir com os motores de busca.
Questionei uma “outra” plataforma da família GPT sobre áreas onde pode ser utilizado o ChatGPT. Obtive como resposta que “tem inúmeras aplicações em vários campos, incluindo saúde, finanças e atendimento ao cliente. Uma das aplicações mais populares é em ““ChatBots”” e ““Assistentes Virtuais””, onde pode gerar respostas semelhantes às humanas às consultas dos utilizadores e fornecer recomendações personalizadas. Além disso o ChatGPT também pode ser usado para geração de conteúdos, como escrever artigos ou descrição de produtos, gerar escrita criativa como poesia ou ficção e para tradução de idiomas, resumo e análise de sentimentos” (que envolve a determinação do tom emocional de um texto). Eu não escreveria melhor e acrescentou que “no entanto, apesar das suas importantes capacidades, o ChatGPT também levanta algumas questões éticas, principalmente em relação ao potencial de uso indevido e manipulação. Por exemplo, o modelo pode ser usado para gerar notícias falsas ou espalhar desinformação ou para se fazer passar por indivíduos … online. Para lidar com essas preocupações, a OpenAI implementou salvaguardas e restrições no uso e distribuição do modelo e continua a trabalhar no desenvolvimento de métodos mais avançados para detetar e prevenir o uso indevido.”
Parece conversa de um humano de tão clara, sincera e franca. Contudo embora tenha sido produzido um texto coerente à leitura, estou certo que a máquina não entende o seu significado. A interpretação do texto e a consciência do seu sentido ainda continua a ser uma característica diferenciadora da nossa condição humana.
Mas não há como satisfazer a curiosidade experimentando. Aceda ao ChatGPT através de https://openai.com/blog/chatgpt, registe-se e verifique do que é que esta ferramenta é capaz.