Perante este desfile anual composto em doze temas, temos a entrar em actuação o mês de junho,

que ao longo dos tempos nos vem alegrando. Sem o conhecermos como um mês em que o trabalho e a alegria, viveram de mãos dadas, na área agrícola foi sempre onde se verteu mais suor. Por coincidência em junho de foice em punho dava azo a que surgisse a bendita alegria onde houvesse trabalho ou lazer. Tudo se conjugava para que isso acontecesse, a brisa suave, o aroma silvestre e vestimenta aligeirada davam o seu empurrão para a folia. Hoje não vivemos esses tempos, os campos perderam as suas gentes e em seu lugar a tecnologia acaba por levar mais longe a produção. Normalmente, apenas se vê um operador por cada máquina, que chega ao fim da jornada partido pelos movimentos e ensurdecido pelo ruído constante do engenho. Se estes dois factores deixarem de ser constantes, é porque existe alguma anomalia e que é preciso corrigir.Tudo isto que a ruralidade me deu a conhecer, foi transportado para os aglomerados populacionais independentemente da sua dimensão, onde aparece junho como o mês dos santos populares, onde por quer que se ande reparamos em motivos ao Santo António, São João ou São Pedro.A alegria e a diversão moram na rua, onde toda a gente tem acesso para usufruir de três prazeres que ficam ao nosso alcance, comer, beber e dançar. Qualquer um destes três santos merecem do povo a alegria que cativa quem por ali vive e passa sendo prova do que aqui se afirma, o facto de nos dias treze, vinte e quatro e vinte e nove, em que respectivamente se festejam e pela mesma ordem cada um dos santos populares, sessenta e cinco autarquias de Portugal elegerem um desses dias para o feriado do município.O que vos disse vive-se em Lisboa, onde se atinge o ponto máximo com as marchas dos diversos bairros em competição, cada qual defendendo um tema, bem como a coreografia em noite de Santo António. A cidade do Porto sente o São João por toda a cidade e Braga no meu ponto de vista, é onde se concentra o maior aglomerado de pessoas num só arraial. O São Pedro por seu lado alcança a sua maior tradição da Póvoa do Varzim.No litoral o interesse é sempre maior uma vez que a sardinha não deixa de ser a rainha de qualquer dos festejos que indico, pois já pinga no pão e sem qualquer cerimonial come-se à mão. O vinho aqui também tem o seu interesse, pois verde ou maduro vai consoante a região onde os festejos se realizam.Acontece que estes dois últimos anos, varridos pelo estado pandémico, a folia fica de quarentena, havendo apenas uma pequena mostra na culinária e nos adornos alusivos à alegria popular. A competição de Lisboa e os bailaricos de bairro pela restante parte do país não têm alma. Isto deixa-nos tristes, pois para se comer apenas uma sardinhada não necessitamos daquele ambiente sonoro e alegre que os arraiais nos dão.A par da crise pandémica, surge outra polémica que funciona à medida dos interesses de cada um. São os que defendem as regras do combate à pandemia e a outra parte que pretende uma abertura a este estado de coisas e que haja vida e movimento. Alegam aqui uma questão de igualdade com o futebol onde o aventureirismo deu umas facadas na lei nas cidades de Lisboa e do Porto. Aqui eu vejo a liberdade em causa quando os abusos de uns legalizam a situação de outros. Entendo eu no tempo em que vivemos dá para garantir esta máxima: - “Muita gente junta não se safa”.Temos vindo a dar uns passos significativos no desconfinamento e aí temos de continuar onde em meu entender a distância regulada entre as pessoas é essencial, pois muito embora não despreze a máscara, creio que o devido afastamento é mais seguro.Fico na esperança de que melhores dias virão e aqui voltarei no Dia Nacional do Cigano.