Um governo sem lei

As últimas eleições legislativas que ocorreram em Portugal, tiveram lugar no dia cinco de junho do ano de 2011.Nessa corrida, estiveram vários partidos e coligações que para cativarem o eleitorado apresentaram o seu programa de governo, bem como outras noções que visavam tornar Portugal, num país mais próspero e justo. Aliás os políticos de topo da nossa praça são muito hábeis nessa matéria, pois a primeira cadeira que tiraram dentro do partido em que militam foi a arte de “colar cartazes”, daí alcançaram o estatuto de apoiantes de primeira fila, onde em constantes palestras ouvidas aos seus líderes, também arranjaram traquejo, que em termos de oratória lhes dá o condão de arrastarem multidões. O povo por sua vez vê os partidos em jeito de clube e pouco valor dá ao currículo de quem se apresenta a sufrágio.
Quero com isto dizer que quem tem mais votos, com toda a legitimidade, é quem deve ser eleito e nomeado para a formação do governo para a legislatura a que esse ato eleitoral corresponde, sendo ainda correto fazer os arranjos parlamentares que lhe garantam uma estabilidade governativa durante o mandato que lhe é atribuído.
Chegados aqui, temos que dizer que tudo na vida tem regras, e claro que as regras da governação são as “leis”, que por sua vez têm que estar em concordância com a Lei Base da Nação, que é a constituição da República. Como o que aqui digo tem que forçosamente ser verdade, não pode nenhum governo, seja ele de que pinta for, assumir compromissos que não estejam dentro desta bitola legal.
Também não é menos verdade, que um governo que para agradar ao capital, passa a fazer o invés do que tinha mencionado no programa, moralmente torna-se ilegítimo, e apenas se mantém em funções, porque tem a seu lado a contagem dos correligionários nas cadeiras de São Bento. Por sua vez Belém também já não tem o discurso repreendente e austero da tomada de posse da reeleição de quem ali “exerce” o mais alto cargo político.
Como estamos na presença de um governo fraco com os fortes e forte com os fracos, nada mais faz do que se desviar, assim que possa, da lei fundamental do país, amordaçando o seu povo para de seguida assumir um qualquer compromisso perante os poderosos, a quem é solicitado de cócoras.
Quem não cumpre na íntegra as funções para as quais está habilitado, sujeita-se as sanções que se vão agravando com a reincidência. Todos sabemos que depois de habilitados ao exercício da condução, se não cumprirmos sistematicamente o código da estrada, mais cedo ou mais tarde, o título que nos habilita, acaba pornos ser retirado. Este exemplo que aqui dou, apenas sujeita o mais comum dos mortais, pois quem não é pessoa de bem isenta-se, como é caso de quem tem como lema aferroar o zé-povinho.
Na hora de reprimenda cai o Carmo e a Trindade, destapam-se até negócios que passaram por baixo de mesa, que acabam por envergonhar um país com quase nove séculos de história e que está dento das fronteiras mais antigas da Europa.
Pensando melhor…eu talvez não esteja certo! Não sei se Portugal ainda se mantém como nação independente, pois o dia que assinalava esse evento era feriado e foi riscado do calendário. Estou a falar do dia cinco de outubro de ano de 1143, que na conferência de vizinha cidade de Zamora, com a presença de uma delegação papal, chefiada pelo cardeal Guido de Vico. Por falta de conhecimento ou por vantagem própria, o Poder apenas relaciona esse dia com a implantação de República, evento que aconteceu há um século e pico.
Em meu redor, vejo o número de pobres a aumentar, muito embora os milionários aumentem, mas noutras paragens, pois aqui não existem nascentes que possam fornecer água para manter peixe graúdo.
Sou dos que acredito que temos ainda que chegue para todos, mas também sei que é demasiado deficiente a cadeia da distribuição: Um cântaro para uns poucos. Um dedal para milhões.
Mas que adianta falar! Por cá sempre se ouviu: - Uns comem tudo… e o pequeno paga as favas.