Um Estado de vírus..

.Os portugueses já vivem num Estado de vírus que os contagia há muito tempo. Não devorava pulmões, mas suga riqueza às empresas e aos cidadãos. É o chamado vírus do Estado. Não pertence à família dos coronavírus, mas a sua perigosidade chega a superá-los. Não afeta a saúde das pessoas, mas causa danos que podem ser irreversíveis no bom funcionamento da economia.Se o caro leitor não acredita, digamos como no spot publicitário - veja bem para ver melhor. Então vejamos.Todas as empresas, da maior à mais pequena, têm uma composição societária, que difere de umas para outras, excluindo aquelas em os mesmos sócios têm empresas diferentes. Mas por muito que difiram ou não, todas as firmas deste país têm um “sócio” comum, mesmo aquelas que são sociedades unipessoais, porque de unipessoal, na prática, só o são na designação. Também essas têm um outro “sócio”, que não é de capital nem de trabalho.Este “sócio” comum tem ainda uma caraterística muito especial que é a de ser um “sócio” muito guloso. Retira das empresas, anualmente, em média, mais de 25% dos lucros. Uma espécie de quota de leão. Mas mais. Ao contrário dos sócios de capital - impedidos de o fazer -, este “sócio” quer a sua fatia adiantada, garantido para si próprio que a empresa vai ser lucrativa. Não espera pelas assembleias gerais, recebe “por conta”, várias vezes ao ano e cobra juros por atraso no pagamento. É quase uma cobrança à boa maneira dos tempos gloriosos de Al Capone.Não contente com isso, se a empresa distribuir lucros no final do ano, o “sócio” comum vai reclamar mais 28% aos sócios de capital.Este “sócio” é especial. Além da participação nos lucros, antes de eles serem apurados, envia duas faturas por mês à empresa que incidem sobre a remuneração mensal de todos os seus trabalhadores, incluindo gerentes e administradores (de quem não gosta). Cobra ainda uma contribuição mensal à empresa sobre essa mesma massa salarial, contribuição que esta tem de pagar, quer faça chuva, quer faça sol. Esteja em atividade, ou não!É um “sócio” que não perde uma. Nem o profissional liberal escapa! Se mexer, tem de pagar e tem de contribuir. Paga como um sócio, contribui como um trabalhador. Duplamente penalizado.Outro aspeto curioso deste “sócio” é que quando as coisas correm mal (e por vezes até quando correm bem), o sócio fiscaliza. Manda os seus “capangas” para por o pessoal na ordem. Uma sociedade tem de ser transparente dizem eles. Há multas pelo incumprimento, mas também pela simples negligência. O “sócio” não perdoa, não facilita e não esquece. O seu rendimento não é passível de cortes ou alterações, a não ser que sejam para lhe tornar maior a sua participação. O pior de tudo, à semelhança do holandês sem vergonha, é a soberba do “sócio”! Quando as coisas não correm de feição e os outros sócios lhe dizem desesperados, “isto está mau”, “precisamos de ajuda”, ele é perentório: “Vocês não são trabalhadores!” Como que a dizer, desenrasquem-se. Só lhe falta verbalizar - comam do que têm e, se não tiverem, não comam. É o mesmo que dizer, não vivam.Mas o “sócio” que assim age, quando colocado nos conselhos de administração de uma outra sociedade um pouco maior (chamemos-lhe União Europeia), acha estas declarações repugnantes!Este “sócio” é um autêntico vírus, é difícil gerar imunidade e também não se conhece vacina que seja eficaz.