Há poucos anos, quando se apostava num qualquer projecto de desenvolvimento no aspecto social ou produtivo,

na retórica de quem fazia o anúncio, vinha sempre marcado o ano vinte/ vinte, pois entendia-se que seria uma sequência mais avantajada do progresso que tinha vindo a fazer sentir, depois de deixarmos de ser colonizados pela “Troika”.As finanças iam empurrando a economia e tudo dava oportunidade a vaticínios que levavam Portugal a crescer e a ombrear com os seus pares da Europa ocidental com quem vamos partilhando os êxitos e as desgraças que nos vão batendo à porta, sem que se consiga saber a sua origem.Em muitos casos sãos os desvarios de certos homens poderosos, que não querendo enfrentar os rivais num frente a frente, mobilizam os mais humildes, para alimentarem as armas de guerra tendo sempre em mente a cobiça de interesses económicos, à custa do poderio militar.Estes conflitos gerados pelos humanos, no meu ponto de vista têm três pilares de suporte, que são o poder, a fé e as condições de vida, onde por vezes a miséria alastra em países, onde se tudo fosse devidamente equilibrado o pão daria para todos, sem que houvesse desavenças.Esta é uma das principais causas que muitas vezes desvia a economia mundial dos seus objectivos, pois trocou-se a produção do trabalhar pela destruição do batalhar, onde quem está por cima, ao olhar para baixo fica todo vaidoso se o resultado daquilo que for, quanto pior melhor.No entanto há fatalidades que os humanos por mais capacidades que tenham não conseguem controlar, ou porque a ciência ainda não o permitiu, ou porque a própria Natureza chama a si e não larga mão de fenómenos inopinados, que varrem o Mundo, sem que conheça protecção que os faça parar sem deixarem espalhada a sua razia. Estamos aqui a falar de epidemias de que se desconhece as suas origens, mas sem cor nem corpo visíveis vão atormentando a Humanidade. Estas pestes surgem sem tratamento conhecido, só depois de se conhecerem os seus efeitos e o modo como alastra, a comunidade cientista de todo o Mundo, tenta em laboratórios os produtos essenciais para a sua terapia, ou mesmo o caso mais eficaz que será a vacinação.Enquanto estes objectivos não forem alcançados todos vivemos numa inquietação, pois não sabemos em que lugar se está na fila, nem tampouco se involuntariamente está a infectar alguém que sem qualquer intenção se tenha aproximado de nós.Estou a falar do que me atormenta e possivelmente à esmagadora maioria da população mundial, a maldita pandemia, que além de ter feito cair milhões pessoas, possivelmente as mais debilitadas, também tem contribuído para que tenham tombado um número sem conta de outros seres humanos devido à falta de recursos médicos em outras áreas das saúde que o próprio Covid-19 fez escassear.Falando em recursos, tenho que os dividir em duas parcelas: estou a falar da carência de material e instalações adequadas; a outra, para mim a mais importante, é inoperacionalidade dos profissionais de saúde, que varridos pelo contágio, tiveram que se isolar para também defenderem a sua saúde.Tudo isto me toca profundamente, primeiro porque estou a abrir a porta dos setenta anos, em cuja idade e envelhecimento começa a ter autorização para começar a desgastar a saúde que até aí se foi controlando, por outro lado transporto várias doenças comigo, sendo as que mais me afligem no âmbito cardíaco e no espaço oncológico.Como ninguém é dono da sua própria vida, pouco importam os vaticínios. Por vezes o nosso povo até brinca com as ditas situações que me vão ralando a paciência: homem doente, homem para sempre!E por hoje vou-me calar! Pois creio que vos deixo entender porque é que o ano corrente me desiludiu.