Dei-me à maçada – maior que previa – de, na noite das eleições,

ver TV até que as declarações dos participantes, ou representantes, na/da liça estivessem concluídas.
Uma das primeiras foi de Jerónimo de Sousa: “É uma grande vitória para a CDU, para a Democracia e para o País” (cito de memória). Vitória ou derrota, já que, dos habitualmente representados no Parlamento, se situa agora em último lugar? À “gente séria”, tal como apresentada nos cartazes de propaganda, que importa a Lógica, a Verdade? Dir-me-ão que é uma patetice trazer isto à baila, que os comunistas são useiros e vezeiros em falarem de derrotas como vitórias, e que, além de “só 6% das pessoas saberem o que querem” – não há que refutar a seriedade do estudo que levou a tal conclusão –, uma percentagem absolutamente avassaladora da população preocupa-se apenas com o momento que corre, o hic et nunc.
Os herdeiros e continuadores dos do tiro na nuca (ler, v.g. O Zero e o Infinito de Arthur Koestler) e dos dos “mimos” dos gulags (ler Solzhenitsyn) não são recicláveis de forma absolutamente nenhuma? Não saberão que, na actual Europa Ocidental, nenhum partido como o PC (a designação CDU revela tão-só que nem coragem têm para se assumirem como o que realmente são) tem a sua força – nem mesmo no ex-território desse “paraíso” que foi a “RDA”? Sim, porque neste espaço ainda há comunistas. Ainda no passado 19-VIII falei com um, economista e artista, na cidade de Lutero, acompanhado da mulher, não comunista, senhora distinta, da área dos estudos anglo-saxónicos. Reterei para sempre uma das suas afirmações: “O que há de mais parecido com um católico é um comunista”. A conversa, de tão viva e animada, com uma cônjuge cheia de inteligência e sorriso, nem sequer deu para lhe retorquir: “Mesmo aceitando que tal seja verdade, o certo é que, na antiga Roma, os cristãos se dirigiam para a morte com cânticos espirituais e orações, ao passo que os comunistas matam os adversários” – e os próprios familiares, como agora está a acontecer na Coreia do Norte, esse espantoso estado onde jorra leite e mel…
Pedro Bacelar de Vasconcelos, Prof. de Direito Constitucional, ex-Governador Civil de Braga, com anel de brasão e homem simpático (há anos falei com ele quatro ou cinco minutos), apresentando-se como Membro do Secretariado Nacional do PS, escrevia (Público, 12-X transacto) que “os comunistas se converteram às regras da democracia representativa, que a guerra fria acabou e até Washington se reconciliou com Havana”.
Na célebre entrevista que deu à (então comunista) jornalista italiana Oriana Falacci, o “patriarca” Cunhal declarou-lhe que em Portugal jamais haveria uma “democracia burguesa”. Era acompanhado por Jerónimo de Sousa, que nunca desdisse o camarada… “A guerra fria acabou”, Doutor Bacelar de Vasconcelos!? – Ocorreu foi uma metamorfose. A ocupação da Crimeia, a invasão do leste ucraniano, a intervenção na Síria, do lado oposto dos americanos, aí estão, eloquentemente, a mostrá-la. O soviético Putin, a apoiá-lo, tem é forças tão obscuras quanto prosélitas como os “Lobos da Noite”, motociclistas de blusão de couro e Harley-Davidson que, por combaterem no este da Ucrânia, foram, pelos EEUU, tal qual o chefe, incluídos na lista negra. Mais. Ao operarem como cruzados “Gozam do apoio do todo-poderoso patriarca ortodoxo Cirilo, que, com regularidade, benze estas hordas vestidas de couro” (a leitura foi feita algures). Claro que Putin sabe bem o estado em que se encontra a OTAN…
Mais ainda – há que ser preciso (mesmo que a falta de espaço na Imprensa seja uma espada de Dâmocles). A debilidade interior de Obama é de tal ordem que não conseguiu sequer ensinar o cão. Não é o animal que segue o presidente, mas o presidente que corre atrás do “fiel amigo”, por sinal o cão d’água dos pescadores algarvios. O comportamento do presidente foi motivo de análise, comentário e conclusão (na primeira potência mundial não se brinca em serviço). Ou seja: ao querer ficar na História lembrou-se de Cuba…que lhe veio mesmo a calhar. Ou ignora o Doutor Bacelar de Vasconcelos a oposição dos exilados e do Partido Republicano?
“Gente séria”!? O condutor do “meu” Jeep em Angola, um rapaz cheio de vivacidade e inteligência, ademais de amigo profundo, logo após desmobilizado arranjou um muito bem pago trabalho na Lisnave ou Setenave. Reformou-se aos 42 anos e o montante da aposentação era, com diferença mínima, igual ao meu no final de carreira. “Como é isso possível, J…!?”. “O poder dos sindicatos”, esclareceu-me prontamente.
Ao escrever um artigo tão afastado da Verdade – que começa logo por um título escarninho (quem deprecia deprecia-se a si próprio) –, de facto uma nefelibatice, o ex- Governador Civil “ficou muito mal na fotografia”. Além de ser instante actualizar-se, permita-me que, com toda a delicadeza, lhe faça uma proposta, Senhor Doutor: veja se consegue, ao menos de vez em quando, ser convidado para jantares com oficiais superiores e generais, alguns heróis e aristocratas de sangue e espírito – nos antípodas de Vasco Lourenço, bem entendido. Talvez seja necessário cortar esses cabelos e essas barbas – mas a flexibilidade e a mudança valem bem a pena. Das muitas honras de que me orgulho na Vida, ter combatido no Ultramar foi uma delas. Os meus agradecimentos a quem me preparou e – já agora, pois bem o merece – também à minha madrinha de guerra, igualmente uma aristocrata de sangue e de espírito.
O erro, seja de quem for e venha donde vier, é sempre uma malignidade. Vamos transformá-lo em benignidade, Senhor Professor. Em nome de Portugal, a nossa Nação.
Guarda-15 -X-2015