A situação pandémica é algo muito sério no nosso país.

Jamais alguém imaginou que o número de novos casos batesse recordes atrás de recordes, dia após dia, semana após semana. Os números são alarmantes e devem mobilizar-nos a todos no sentido da proteção, a nossa e a dos outros. Esta é uma preocupação que devemos ter bem presente.Seria impensável há uns meses atrás que, chegados a este momento, após o surgimento de um vírus que nos surpreendeu a todos, estivéssemos com as dificuldades com que diariamente somos confrontados. Os serviços de saúde estão no limite da sua capacidade, quer para doentes Covid-19, quer para doentes não Covid-19 e só o vírus tem concentrado as atenções das autoridades de saúde e dos decisores políticos.Ninguém olha para os AVC, para os enfartes, para os tumores e todas as outras patologias que são causas de grande mortalidade no nosso país? O que foi feito durante o verão para que pudéssemos estar agora melhor preparados para enfrentar a segunda vaga da pandemia?É uma questão pertinente e uma dúvida que prevalece no íntimo das pessoas, em face da realidade que vivemos. Apenas assistimos a anúncios diários de reforço de meios humanos e materiais para o SNS, quando eles já tanta falta fazem. Este não seria um planeamento que devia estar feito? As camas de cuidados intensivos anunciadas para o primeiro trimestre de 2021 não virão tarde demais?Não chegarão tarde as grandes quantidades de vacinas anunciadas para a gripe, que se encontram esgotadas quando mais falta fazem?Também na adoção de medidas mitigadoras da expansão da pandemia, a exceção tem sido a regra e já ninguém entende muito bem o porquê de ter que fazer isto ou aquilo.Uns podem circular e outros não. Quando os cemitérios ficam vazios outros celebram festas políticas ou automobilísticas. Enquanto se adotam medidas limitativas para a vida social e profissional dos portugueses, os estádios de futebol começam a receber público. Não se podem homenagear os entes queridos falecidos, se isso acontecer fora do concelho de residência, mas se for turista, nacional ou estrangeiro, já não há razão para ter qualquer restrição. Da mesma forma que se quiser ir ver um espetáculo/concerto a um qualquer concelho do país, já beneficia de uma via verde para poder circular livremente.A coerência das decisões é fundamental para promover a adesão das pessoas às medidas que se querem adotar em tempo de dificuldades.Nestes dias difíceis que correm, com muitos dos serviços públicos essenciais encerrados ou em teletrabalho, tem havido uma enorme insistência e um esforço muito grande para divulgar os serviços on-line como um instrumento fundamental de acesso dos cidadãos a esses mesmos serviços. Esta seria uma medida importantíssima para que o país não deixasse de funcionar e para que as pessoas pudessem tratar da sua vida, caso esses mesmo serviços on-line respondessem às solicitações.Dá-se a coincidência de, na primeira pessoa, poder aqui testemunhar duas situações concretas de inoperacionalidade de dois serviços on-line.No passado dia seis de outubro dirigi-me, via e-mail, ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes e, até esta data, ainda não obtive resposta. No dia dezanove do mesmo mês enviei comunicação escrita ao serviço de atendimento da ULS Guarda e apenas recebi silêncio. Assim, é difícil encontrar um título.