O coronavírus impôs profundas alterações na vida de todos os dias, não apenas em Portugal, mas no mundo inteiro.

Não há nenhum país imune. Todos os países foram afetados, uns mais do que outros. As razões para que isso aconteça são muitas e complexas, para que se estejam aqui a escalpelizar todas. Desde logo, o modo de vida de mais ou menos contactos sociais das pessoas é uma das razões incontornáveis nos níveis de contágio de uma doença que atinge de forma mais grave os mais idosos e debilitados.As decisões políticas e técnicas, de saúde pública, também entram na equação das razões que determinam a maior ou menor gravidade de afetação do país, em termos de disseminação do vírus e do número de óbitos por ele causados.No que respeita às relações sociais que estabelecemos e como as estabelecemos, diria que a responsabilidade é individual e que a segurança começa em cada um de nós. A racionalidade das nossas ações será determinante para o bem-estar de todos.Já no que se refere às decisões políticas e técnicas (nem sempre se distinguem umas das outras) a responsabilidade é dos decisores políticos e dos mais altos responsáveis da saúde pública no país. E são estas que, muitas vezes, nos deixam perplexos e nos obrigam a indagarmo-nos.Exemplos são muitos. Todos os conhecemos e quanto a isso basta dizer que quando as leis não são cumpridas por quem as faz, o povo não está a ser governado, está apenas a ser dominado. E mais não digo.O ano letivo arrancou na semana passada em condições de excecionalidade determinadas por esta pandemia da COVID-19. Nestas circunstâncias, as preocupações de pais, professores, pessoal auxiliar e administrativo são legítimas e não devem ser desvalorizadas em circunstância alguma. É certo que as crianças não são muito atingidas pela doença e, quando o são, não desenvolvem sintomas, mas são igualmente transmissores do coronavírus, apesar da sua assintomatologia. Neste regresso à escola, as crianças que estiveram confinadas largos meses e ausentes da sala de aula vão continuar confinadas dentro dessa mesma sala de aula, sentadas, quietas e caladas, com uma gestão de um tempo muito formatado, estruturado, e a terem inclusivamente intervalos ou parte deles dentro da própria sala de aula.  E é aqui que as regras determinadas pelos responsáveis técnicos e políticos se afiguram, algumas delas, incompreensíveis. Se o número de horas que as crianças passavam sentadas na escola já era um verdadeiro disparate, com muitas consequências para a sua saúde física e mental, essa situação vai ser agravada com as orientações que foram impostas à Escola. Depois, todas as essas restrições em sala de aula resultam totalmente ineficazes quando olhamos para as condições dos transportes dessas mesmas crianças, para os ajuntamentos sem regras que se formam à porta das escolas, para os momentos em que as turmas se misturam nas cantinas ou se fundem nos ATL. As únicas regras a que as crianças não estão sujeitas em sala de aula é a do distanciamento social, que não lhes é imposto como à generalidade da sociedade, e o uso de máscara que até à idade de dez anos não é obrigatória.É certo que há uma componente de responsabilidade individual nos níveis de contágio que não pode ser desvalorizada, mas a qualidade das decisões políticas e técnicas tomadas não pode ser diluída por comportamentos que deixam algo a desejar.O seu a seu dono!