No momento difícil que atravessamos, no nosso país e no mundo, estas são porventura as palavras chave

que nos poderão ajudar a encarar e ultrapassar o problema que nos afeta e as consequências que irremediavelmente dele resultarão, em termos económicos e da organização da nossa vida em sociedade.Depois desta pandemia, nada será como dantes. Ou melhor, nada poderá continuar como dantes. Esta é uma dívida de quem nos tem governado ao longo das últimas décadas e que tem que ser paga. O problema não é de hoje. Mas também é.Sobre o leite derramado, não vale a pena chorar e na situação de grande dificuldade que se adivinha para o nosso Sistema nacional de Saúde, de nada vai adiantar lamentarmo-nos por não termos adquiridos máscaras e desinfetantes, em vez de apostarmos em noites brancas e rotundas; também de nada servirá dizer que em vez de locomotivas velhas teria sido melhor comprar ventiladores hospitalares novos. Tudo virá tarde, por muito cedo que chegue. Para alguns nunca virá. Infelizmente. É por isso que digo que depois do vírus, nada poderá ser como antes ou dantes. É todo um modo de vida que está a ser posto em causa.Muitas empresas, muitas instituições da nossa sociedade e muitos empregos poderão não mais existir depois desta pandemia. Pessoas também! Os nossos comportamentos e, provavelmente, os nossos direitos não serão os mesmos. São tempos de grandes mudanças, quer queiramos quer não. Aquilo que poderíamos ter decidido por nós, em total liberdade, vai-nos ser imposto irremediavelmente pela força das circunstâncias excecionais que agora vivemos.Algo que é deveras preocupante neste contexto particularmente difícil é que Portugal tem cerca de 280 mil idosos a viverem sozinhos, dos quais, estima-se, mais de 100 mil a viver no limiar da pobreza, e perto de 50 mil em situação de grande vulnerabilidade, seja por isolamento seja por doença, física ou psíquica. A propagação da pandemia e as medidas de isolamento social que marcam este novo tempo exigem medidas adicionais e urgentes de proteção aos mais idosos, que garantam que a nenhum faltem cuidados de saúde, alimentos, medicamentos, artigos de higiene ou outros bens essenciais, mas também o conforto e os afetos de que, afastados das suas famílias, se veem privados. Foi esta a sociedade que criámos e estes são problemas para os quais teremos que encontrar respostas adequadas.Este segmento da população, quer pela sua vulnerabilidade à doença, quer pela situação de carência em que muitos vivem, está à mercê da pandemia do Covid-19 sem ter meios para dela se defender. Para isso muito contribui o isolamento social a que estão condenados e que já levou à privação dos apoios, das ajudas e da rede com que contavam habitualmente, já tantas vezes precária ou até inexistente.Sabemos que nem todos vivem na mesma realidade e que nem todos têm os mesmos meios ou necessidades e que são enormes as disparidades entre o meio urbano e as zonas rurais, mas importa sobretudo que ninguém seja deixado para trás. Para isso torna-se imperioso criar uma rede capilar de solidariedade e apoio que mobilize toda a sociedade, numa atitude de responsabilidade, desde as autarquias às instituições de solidariedade social, desde as forças de segurança à proteção civil e ao voluntariado. Cuidar de quem cuidou de nós e dar prioridade a quem mais precisa tem de ser um objetivo coletivo. É tempo de unir esforços, de firmar um pacto total em toda a sociedade, unindo o público e o privado, os empregadores e os trabalhadores, o patronato e os sindicatos, o Estado e os cidadãos.O esforço tem que ser partilhado. Os deveres não podem estar só do lado de uns e os direitos do lado de outros. A balança tem que ser equilibrada por um esforço partilhado com responsabilidade e solidariedade.Termino com um apelo: FIQUE EM CASA. Para seu bem, para meu bem e pelo bem de todos.