De há uns anos a esta parte, a segunda quinzena de setembro carateriza-se pelo regresso às aulas.

Para alguns não, pois será a primeira vez, para outros haverá mudança de estabelecimento escolar e muitos deles já não vêm por terem terminado a sua carreira académica.
Mas temos que ter em conta aqueles que vão estudando juntos, ano após ano, que já se conhecem, têm a amizade fundamentada e os objetivos definidos.
São estes últimos que mais festejam a chegada ao primeiro dia de aulas. Contam as aventuras durante as férias. Experiências novas, novos conhecimentos, amizades adquiridas e outros pormenores que por isto ou por aquilo, são tema de conversa. Fala-se de alguns que não aparecem, por vários motivos, nomeadamente familiares.
Neste introito, eu escrevi aquilo que me parece o mais natural, pois agora o ensino obrigatório é bem diferente do meu tempo. Tem vantagens que no meu tempo nem sequer nos passavam pela cabeça. Tem alguns, poucos, inconvenientes relacionados com a indisciplina, pois no meu entender resulta do alargamento da escolaridade obrigatória. No meu tempo eram quatro anos, normalmente dos sete aos onze, agora triplicou e parece-me que vai dos seis aos dezoito, se não houver uma raposa pelo meio. Passou-se da quarta classe para o décimo segundo ano a escolaridade obrigatória.
É evidente que esta mudança não foi repentina, houve a sexta classe, o nono ano, enfim. Tudo evoluiu. Com estas condicionantes o corpo e a idade dos alunos sobe, logo há outras apetências para criar adrenalina e daqui resultará a indisciplina que foquei.
Quanto ao ensino comparado com o do meu tempo, não é melhor nem é pior, é diferente. Ouço pessoas do meu tempo recordarem e gabarem a sua aprendizagem, só que em certas ocasiões, para efetuarem uma qualquer diligência onde envolva técnicas modernas, têm que recorrer aos netos, pois por vezes já nem os filhos estão a par da evolução.
Tudo na vida é assim, à medida que a humanidade avança, mais a ciência vai evoluindo que por sua vez faz equipar as escolas para que os alunos tirem o devido proveito da teoria que aprenderam, para mais tarde a colocarem em prática.
A base das escolas, independentemente do grau, são os alunos. Sem alunos não pode haver escolas, se por acaso os alunos escassearem fecham-se algumas, como nós tão bem sabemos disso, pois vivemos num Portugal bem despovoado e muito rico em carências.
Para além dos alunos, que são a maioria, está a classe dominante, que é a dos professores. As escolas são avaliadas pelo desempenho dos alunos, mas tudo isto resulta do empenho dos professores, que como em qualquer outra atividade há os bons e os menos bons.
Nunca sairá um bom aluno de um de um professor que não tenha a mesma estaleca, muito embora o contrário seja possível.
Comparo aqui o aluno ao bom leite, que pode dar muito bom queijo se for bem trabalhado, mas daí pode também sair um mau queijo se as regras de fabrico não forem seguidas.
Há ainda uma outra classe composta por aqueles que dão a devida assistência, tanto aos alunos, como aos professores, havendo mesmo os que estão perto das cúpulas, dos estabelecimentos de ensino para que seja garantido um normal funcionamento.
Espera-se tudo do ano letivo que agora começa. Todos têm as melhores expectativas, fala-se muito em entrar com o pé direito, só que há sempre uns percalços na vida. Umas vezes há em que até temos um certo quinhão na responsabilidade, mas nos de maior gravidade em grande parte das vezes em nada nos envolvemos. O nosso destino é só feito numa viagem, de modo que nunca sabemos o que vamos encontra pela frente.
Se essa caminhada não se concluir na primeira tentativa, tem que se repetir.
Por hoje despeço-me até ao dia da infância.