Quem salva a Saúde na Guarda?

Aquilo que se passou com o mais recente Despacho 6476-G/2021, do Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, que identifica, nas áreas hospitalar e de saúde pública, os serviços e estabelecimentos de saúde com comprovada carência de pessoal médico, não tem classificação, do ponto de vista das vagas atribuídas à ULS da Guarda. A introdução do suprarreferido despacho podia ter-se perfeitamente iniciado desta forma: “O XXII Governo Constitucional definiu como uma das suas prioridades continuar a IGNORAR o que se passa na Saúde na ULS da Guarda”, porque nada nos indignaria mais do que nos indignaram as 7 (sete) vagas atribuídas recentemente.Refere o Despacho 6476-G/2021 que, passo a citar, “ De acordo com o previsto no mencionado decreto-lei, o recrutamento é precedido da identificação dos serviços e estabelecimentos do SNS com comprovada carência de pessoal médico, por área profissional de especialização, mediante despacho do membro do Governo responsável pela área da saúde, sob proposta da Administração Central do Sistema de Saúde, I. P. (ACSS, I. P.), ouvidas previamente as administrações regionais de saúde, I. P. (ARS, I. P.).”É de perguntar: Quem é que identificou as carências no caso da ULS da Guarda?Foi o Conselho de Administração?Supostamente foi. Será para isso que ele existe, para ter uma proximidade com a gestão da Saúde a nível local.Pergunta-se então: O que estão ali a fazer?Como é que é possível que sendo antigas e recorrentes as faltas de médicos em diversas especialidades elas tenham sido IGNORADAS neste concurso?É UMA ESPÉCIE DE CASTIGO IMPOSTO à Guarda?É só fazer contas e perceber o que aí vem: 7 vagas na Guarda; 14 vagas em Castelo Branco; 26 vagas na Covilhã.Ou seja, 6 vagas no distrito da Guarda, 40 vagas no distrito de Castelo Branco.Quantas especialidades foram contempladas com vagas? 7 na Guarda; 4 em Cantanhede; 10 na Figueira da Foz; 12 em Castelo Branco; 23 na Covilhã...Nesta lista não se inserem outros hospitais (Coimbra, Leiria, Aveiro, etc.), por serem unidades com uma categoria superior ao da Guarda.A Guarda é o ÚNICO hospital da zona centro (de TODOS os campeonatos...), que não recebe qualquer vaga para anestesia, um serviço que já estava no limite aqui há uns meses, com médicos a terem de fazer cerca de 80 horas/semana para o conseguirem manter “à tona”. Um serviço que se aguenta com recurso a médicos com mais de 70 anos de idade.A anestesiologia arrisca-se a colapsar no verão, com dias sem anestesista na escala (!), arrastando para o colapso - pela 1.ª vez em mais de 30 anos - a urgência médico-cirúrgica e da maternidade.Nesses dias, se esse colapso vier a ocorrer, vão manter o mesmo n.º de cirurgiões, obstetras, ortopedistas, enfermeiros, auxiliares, etc., nas escalas da urgência e maternidade, como se nada se passasse?A administração da ULS já pensou nisto?Talvez não, mas a Guarda já e a preocupação sobe de nível em cada concurso que deixa o Hospital Sousa Martins e a ULS para trás, sem vagas para colocação de médicos especialistas.