Eu sou dos que acredito na sentença popular, “o sol quando nasce é para todos”. Isto também me leva a sustentar que para mim não há, ou pelo menos não deveria haver, cidadãos de primeira nem cidadãos de segunda.


Estou-me a referir somente ao Portugal civilizado onde gosto de viver numa constante melhoria desde que me lembro de por cá guiado pelas mãos dos que me fizeram vir ao mundo. Aqui cresci, aqui trabalhei e aqui me aposentei depois de ter cumprido a missão que escolhi para meu sustento.
Muito cedo me apercebi de que a minha vida passaria a assentar em duas vertentes, mais concretamente em deveres e direitos. São estas as duas classes que se jogam no tabuleiro da vida.
Os deveres são os que arrancam primeiro. Aí devemos manter um perfeito equilíbrio dar o passo sempre do tamanho da perna. Para tudo há um código de conduta, que muitas vezes não está escrito mas que se transformou num direito rotineiro. Depois a passos muito curtos vão-se adquirindo alguns direitos que podem não ser vitalícios. Pois se os deveres forem beliscados os direitos sofrem uma medida por vezes superior sem que a gente se aperceba.
Acontece que a grande maioria dos cidadãos, entre eles eu, avocamos muitas vezes os direitos que possuímos, aliás conquistados com mérito ao longo da vida, sem nos lembrarmos dos deveres que devemos continuar a atribuir a toda a sociedade em que vivemos. Tanto os deveres como os direitos estão devidamente legislados e com o devido equilíbrio, não podemos hastear mais direitos do que aqueles que conquistámos, nem causar qualquer dano com a quebra dos nossos deveres perante a comunidade em que vivemos.
Todas as civilizações avançadas estão estruturadas de modo em que forças da lei olhem e repreendam as infracções aos deveres, por norma é muito contestada esta actividade, só que não nos esquecemos, que essa acção serve igualmente de garantia aos nossos direitos.
Muitas vezes e por descuido caímos no abuso e sem que se dê por isso violamos o dever que o nosso estatuto nos impõe. Chamados à razão há sempre a tendência de não assumirmos a culpa e até nos colocar como vítima, exprimindo tantas vezes a frase “só me vêem a mim”.
É bem evidente que as asneiras não são transmissíveis, nem se podem alienar. Cada um é responsável pelos seus “pecados” e nada lhe fica melhor do que assumi-los. O que daí resultar entra no seu espólio de cada um, tendo a partir de então o seu efeito. Pode servir de lição e a partir dessa data ser comedido nos pensamentos e nos actos donde resultará a pacatez nos seus procedimentos. Se tal não acontecer virão as medidas mais drásticas que levarão o mais incorrecto ao seu devido lugar.
Também acontece que muitas vezes se procura a adrenalina, que resulta do pisar o risco. Cometer um abuso sem que nada haja acontecido, havendo por vezes até competições à margem da lei e bem perigosas para aqueles que sem a consciência no devido lugar se deliciam a presenciar o aventureirismo de uns quantos, No entanto estas concorrências não duram sempre, pelo menos no mesmo espaço, pois aparece sempre quem faça parar com os meios adequados os mais recalcitrantes. Todavia quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita, mudam de poiso e lá entram eles na mesma toleima em que eles próprios se consideram as estrelas da ilegalidade.
Mas como diz o nosso povo e bem! O cântaro tantas vezes vai à fonte que o dia lá fica a asa. Vive-se aqui a malícia do tralhão mosqueiro, em que a sua habilidade o vai livrando de muitas ocasiões de perigo, mas que acaba por cair na última.
Por tudo o que aqui afirmei, cada vez me convenço mais de que não vale a pena pisar as linhas do espaço que nos está atribuído sai caro e o prazer que daí resulta não compensa.
É evidente de que quem anda à chuva molha-se!
Saúde para todos nós e até ao próximo encontro.