Muita gente estará neste momento a aplaudir a anunciada injeção de oitocentos milhões de euros na Saúde,

como se eles fossem a panaceia para as graves doenças de que o SNS padece: uma desorganização total e um subfinanciamento crónico.
Aquilo que poderia parecer a prenda desejada para o SNS, nesta quadra natalícia, não passa de uma operação propagandística e mediática para enganar os mesmos de sempre.
No que respeita ao financiamento da ULS Guarda, onde se insere a unidade hospitalar da Guarda, esta entidade vai ter inscrito, no Orçamento Estado para 2020, um financiamento de cerca de 112 000 000,00€ (cento e doze milhões de euros), o que apenas corresponde às necessidades de financiamento da despesa anual corrente, já registado em anos anteriores. Desta forma, no próximo ano, se as verbas não ficarem cativas no Ministério da Finanças, a ULS Guarda vai poder pagar a tempo e horas as dívidas (futuras) que vier a contrair.
No entanto, a verba atribuída não chega para corrigir as carências crónicas da Saúde na Guarda, nomeadamente na contratação de pessoal médico, pessoal de enfermagem e reparação e aquisição de equipamentos que se encontram avariados ou obsoletos, uma vez que isso não está contemplado. Vai ser mais um ano horribilis, em que vamos continuar a assistir à deterioração da prestação dos cuidados de saúde à população do distrito da Guarda.
Aquilo que à partida poderia parecer um prenda de Natal, mais não é do que um presente fatal. Um presente envenenado para todos nós que vivemos num distrito do INTERIOR do país.
Senão vejamos.
Como está o concurso para aquisição da torre de laparoscopia, equipamento fundamental para a realização de cirurgias?
O concurso abriu há mais de um ano, mas ainda não fechou. O mesmo é dizer, em linguagem popular, encontra-se em banho-maria. Arrasta-se sem fim à vista.
Em banho-maria também se encontram os concursos para nomeação de diretores de vários serviços, que se arrastam sem fim à vista e que já motivaram a saída de um clínico de uma especialidade carenciada.
Estarão à espera que outros lhes sigam os passos, antes tomarem decisões?
Passo a passo e não sendo de Coelho, caminhamos para a destruição do SNS e o hospital da Guarda é disso um caso paradigmático.
Só mesmo num país de gente que adora ser enganada ou enganar-se a si própria é que se pode acreditar que a esquerda pode passar por ser grande amiga da saúde pública. Aquilo que este e o anterior governo estão a conseguir é aumentar o caos nos hospitais públicos e pôr tudo o que é enfermeiro e médico a fugir do SNS. Nunca como no tempo da geringonça se viu um frenesim semelhante na construção e expansão de unidades de saúde particulares no país. Ainda bem que é assim, pois se o serviço público não serve, valham-nos os privados para não sermos abandonados.
Nunca em tempo algum um partido de direita contribuiu mais para o bem-estar da saúde privada em Portugal do que os partidos de esquerda que nos governam. Cada declaração de amor e de preocupação que fazem pelo SNS, são pregos espetados no caixão de um sistema de saúde público que se encontra em estado comatoso.
Por falar em estado comatoso, e uma vez que as eleições já são passadas e as promessas já eram, parece que é intenção do Ministério da Saúde encerrar definitivamente os serviços de cardiologia, ortopedia e oftalmologia no hospital da Guarda. Quando não se quer ou não se é capaz de resolver um problema, nada melhor do que acabar com os serviços para não se ter que encontrar uma solução para os mesmos. É o que está a acontecer na cardiologia e na ortopedia e que já deu os primeiros sinais na oftalmologia.
Isto é mais um atentado contra a saúde pública do concelho e distrito da Guarda. Um atentado contra todos os que aqui resistimos e vivemos.
Como se pode perceber, os milhões anunciados para a saúde não são mais do que um toque de ilusionismo para enganar os mais incautos.
Não se estranha, por isso, que Jornal Público de 6 de dezembro dissesse que, nos últimos seis anos, onze hospitais entraram em falência técnica. Entre estes hospitais está a ULS da Guarda. Sempre que as notícias são pela negativa, lá está a Guarda ao barulho.
Na semana passada, uma outra notícia, dizia que há dois hospitais no país em que uma consulta urgente de psiquiatria demora mais de três meses a marcar: Hospital de Santa Maria e Hospital Sousa Martins. A Organização Mundial de saúde recomenda que estas consultas demorem menos de um mês a marcar. A Saúde Mental na Guarda também em estado de desgraça.
O presente é fatal, vamos ver o que acontece com o futuro!