O verão já lá vai e o mês de setembro foi a seguir.

Na sequência desse fenómeno, veio o outono e o décimo mês do calendário, que é outubro. Curiosamente não se vê outro mês no ano que tenha a mesma origem na parte literária que coincida com a estação do ano como neste caso.Estamos numa altura de mudar de hábitos, nomeadamente naqueles em que toca a forma de trajar, como o sol baixa e com ele as temperaturas. Há que agasalhar melhor o corpo para o proteger das tais gripes que todos os anos chegam pelo cair da folha o que faz sempre subir a letalidade, facto bem divulgado pela sabedoria popular. A propósito do arrefecimento que se espera, uma amiga minha acaba de dizer que as camas precisam mais peso e que por via de isso ela já se tinha acautelado. Aproveitei e houve um pouco de galhofa.Também temos mudança nos paladares, pois passamos a gostar mais do que é mais quente e doce, estamos no tempo de saborear as compotas, que é o melhor destino a dar aos frutos que o calor dos meses antecedentes amadureceu. Para além de tudo isto contamos ainda com a fruta bem própria da época, como é o caso da castanha e da amêndoa. Além deste aparece o figo seco que acompanha sempre bem com as bebidas que se fabricam na ocasião sem necessitarem de grandes condições de armazenamento.Começam a aparecer as primeiras castanhas no cisco e logo no princípio, pois segundo o povo no seu saber relata, é no dia quatro em que se comemora São Francisco de Assis. Já foi dia de uma grande Feira Anual da minha cidade, com a agricultura a dar-lhe todo o vigor, só que os tempos vão mudando e tudo o que lavoura precisa já não se procura nas feiras, tudo acontece nas instalações da própria actividade.Toda a gente sabe que no dia seguinte é feriado nacional. Foi neste dia, há cento e dez anos que se criou a República Portuguesa, agora o que nem todos se vão lembrar é que a monarquia portuguesa, também nasceu neste dia na conferência de Zamora, o que faz com que Portugal conte já com oitocentos e setenta e sete anos de história.Também temos de lançar à terra, já devidamente preparada, a semente dos cereais praganosos e atupi-los de seguida.Conforme os dias se vão seguindo tudo na natureza se vai transformando, começa-se a olhar para a azeitona mais temporã e para as couves pencas, pois mais lá para a frente o azeite novo irá temperar as batatas com as couves, que nos lagares depois de bem amassadas com bacalhau nos dão um manjar dos deuses. Também têm todos os três a presença certa na consoada bem como no dia seguinte no pitéu de roupa velha.Lá mais para diante tem de se olhar como o porco da casa vai engrossando, pois não terá muito mais tempo para viver e vir a cumprir os objectivos, tem que comer com fartura o que se lhe colocar na frente.Mas a castanha é a rainha nesta altura do ano, desde os pequenos magustos de aldeia até aos festivais, aparece em todo lado, desde que seja num pequeno pacote de papel, ou servida como prato base de uma refeição refugada com cabrito.Naquilo que eu aprendi, ninguém melhor do que Miguel Torga soube enaltecer o valor da castanha, só que no seu tempo a culinária ainda não tinha descoberto o guisado, com que agora nos vamos deliciando nos festivais e em certos eventos, pois as primeiras que comi, já lá vão mais de dez anos num acontecimento muito interessante, no Agrupamento Escolar de Cabreiros junto da cidade de Braga para onde me convidaram.Naveguei aqui desde a minha infância até à idade madura, falei do que me deixa saudades e já encontro poucas vezes, bem como de outras coisas que fora evoluindo e que também fica bem saboreando-as.Mas não quero ir muito além! Para já o que está mais perto. Peço castanhas assadas, figos secos e jeropiga.