No exato dia em que escrevo esta crónica, não faltam motivos para lhe dar corpo.

Claro que há os que são mais importantes do que outros. Foram dois à final, a “vítima” de quarenta e quatro anos, que causou danos irreparáveis no distrito e que ainda passou pela Guarda e também o inesperado resultado das eleições na maior potência mundial, que contrariaram todos os estudos e projeções realizados para o efeito.
Decidi-me pelo segundo, atribuo-lhe uma importância mundial, bem como a exemplar lição de que daí resulta. Já toda a gente teme que as eleições que se vão seguir em vários cantos do mundo venham carregadas de xenofobia e que os países que até agora se têm como desenvolvidos venham a tomar outra trajetória e o Mundo, todo ele se transforme em terceiro-mundista.
Em democracia, a classe de maior força é a designada classe média, que até se pode dividir em média alta e média baixa, consoante os rendimentos auferidos. Só que temos que ter em conta que a classe média só existe enquanto houver trabalho. Os que caem no desemprego rapidamente atingem o limiar da pobreza. Ora toda esta classe que vê a sua vida a descambar não vê de bons olhos as elites da governação que dão mais valor ao dinheiro do que ao trabalho.
Também não deixa de ser verdade que o voto não fala antes de as urnas serem abertas, sendo muitos deles usados como vingança na hora da votação, tendo passado muito do tempo encobertos pela capa da bajulação perante o poder que até então vigorara.
É evidente que quem se sente prejudicado tenta sempre uma mudança, pode não resultar em pleno, mas pelo menos há sempre alguém que é condenado democraticamente pelos vários atropelos feitos a muitos dos que alavancaram a subida dos mesmos ao poder.
Em todo este estratagema está a comunicação social que tem sempre a sua acutilante avidez de dar a voz e os títulos de primeira página aos que têm o poder de mexer com a vida dos outros todos, esquecendo-se que o desprezado pela sorte e espicaçado pela sociedade tem no dia das eleições um voto com o mesmo direito de um senhor que se julgue dono disto tudo. Este fator é cada vez mais visível, dado que a tecnologia está a ganhar terreno de forma galopante em detrimento da força do trabalho. Como há mais interesse em ouvir as elites e seus apaniguados, as contas das sondagens falham porque falta a parcela mais importante, embora com menos dinheiro, apresenta maior número de votos para ditar o somatório final.
Neste Mundo onde se vê o capital como a sua principal mola, não se podem desprezar todos os valores de natureza social, pois tal como o Sol que quando nasce é para todos, também a terra o que cria e o que se gera, se devia pelo menos ratear por todos, pois também entendo que nem todos podem ter a mesma medida. O meu ponto de discórdia é a distância entre o maior e o mais pequeno e é por isso que eu levanto a voz.
Seria bom que os tais donos disto tudo parassem para pensar e sobretudo analisar estes sinais bem perigosos que as urnas nos estão a dar nos diversos quadrantes do Mundo e podem ficar cientes de que quem nada tem nada perde o que se torna preza fácil para quem lança a promessa e apanhar com armadilha.
O povo tem as costas largas, quinhentos anos antes de aparecer uma voz no meu país que afirmava: – Aguenta! Aguenta… Já um dos nossos maiores oradores de toda a história garantia:- Com carga demasiada cai o jumento…
E com esta me acabo…são todos iguais ao fim e ao cabo! Mas é sempre bom pensar mais nos outros que em ti, como afirmava António Aleixo com a sua filosofia.