A Origem das Espécies, de Charles Darwin

No dia 24 de novembro de 1859, Charles Darwin, conhecido naturalista inglês, publicou a primeira edição do livro “A origem das espécies”, cuja edição de 1 250 exemplares esgotou no dia em que saiu ao público. Na época o título completo da obra era “Sobre a origem das espécies por meio da selecção natural ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida”.Hoje, 161 anos após esta edição, é um dos livros mais importantes da história da ciência mundial e está na base de toda a biologia moderna. Mas qual a teoria defendida no livro? A Teoria da Evolução de Charles Darwin demonstra, através de provas, que a evolução das espécies é a consequência de um processo complexo de modificação na descendência, por meio da seleção natural, o que leva à evolução e à diversidade biológica. Esta era uma “pedrada no charco” nos meios académicos, científicos e religiosos da época, que defendiam, maioritariamente, a teoria da criação divina, em que as espécies tinham sido criadas diretamente por Deus e eram imutáveis. Consequentemente, neste âmbito, criou-se o primeiro grande debate e conflito científico internacional da História da Ciência.Para apresentar a teoria, Charles Darwin efetuou uma viagem à volta do mundo, no navio “HMS Beagle”, que lhe permitiu recolher as bases para formular a hipótese.Mas primeiro levou a cabo estudos nas espécies de animais domesticados, concluindo que nem todas as características destas raças eram naturais, mas que algumas resultavam de uma seleção feita pelo homem em seu próprio benefício e que o hábito influenciava as características presentes nos organismos. Ora, se a ação do homem fazia, também, a evolução das espécies, por que motivo a própria natureza não o faria?Assim, como o homem seleciona as características das espécies, também a natureza faz o mesmo. A natureza atuaria diariamente rejeitando as características negativas e favorecendo as úteis. A luta pela sobrevivência é comum a todas as espécies animais. Nesta luta morrem os mais fracos e ficam os mais fortes. Os mais fortes possuem alguma(s) característica(s) natural(ais) que os faz(em) sobreviver. Se sobrevivem, vão transmitir essa(s) caracte-rística(s) à sua descendência. Na realidade, sendo um processo contínuo, os mais fortes e melhor adaptados têm mais hipóteses de sobreviverem, num modo muito lento, com as espécies a evoluir de modo quase impercetível.A seleção natural levaria mesmo à divergência de características dentro das espécies, o que implicaria, a muito longo prazo, o surgimento de novas espécies e a extinção de outras menos adaptadas ao meio natural envolvente.As condições externas também influem na evolução, levando á sobrevivência dos melhor adaptados ou dos que mais rapidamente desenvolvem características de adaptação. O próprio uso de órgão, ou a falta dele, pode levar à evolução das características animais, tal como Darwin tinha observado nos animais domésticos. O naturalista não tinha dúvidas de que o uso nos animais domésticos reforça e desenvolve certas partes e que a falta dele as atrofia, levando a que estas características passem às gerações futuras. Como se infere, este é um processo lento, reforçando a teoria da História Natural de que “Natura non facit saltum” (a natureza não se faz aos saltos).Na época, a teoria foi recebida com ceticismo pois as espécies eram consideradas imutáveis. Para Darwin isso devia-se a dois fatores. Em primeiro lugar era crença generalizada que a Terra tinha uma idade de poucos milhares de anos, estabelecida pela criação divina da Bíblia, o que impossibilitava a teoria da evolução lenta e gradual, a qual necessitava de muitos milhões de anos. Em segundo lugar, a comunidade científica tinha estabelecido que o registo fóssil estava completo, que os organismos encontrados foram os que existiram e já se extinguiram, sem haver provas de intermediários entre as espécies, pelo que não existia evolução. Hoje “a evolução das espécies” por meio de seleção natural é uma teoria aceite pela esmagadora maioria da comunidade científica internacional. A propósito do assunto, veja-se o que o autor escreveu em 1854: “Não tenho dúvidas que a visão que a maioria dos naturalistas possui, e que eu previamente também tinha, de que cada espécie foi criada independentemente é errada. Estou totalmente convencido de que as espécies não são imutáveis, mas que aquelas que pertencem ao que chamamos do mesmo género são descendentes diretas de alguma outra espécie, geralmente extinta, da mesma forma que as variedades reconhecidas de qualquer espécie são descendentes daquela espécie. Além disso, estou convencido que a Seleção Natural é o meio principal, mas não exclusivo, de modificação.”