A divina comédia, de DanteDante Alighieri, um grande poeta italiano,

nasceu em Florença em 1265 e morreu 1321. Foi um dos maiores poetas de todos os tempos, e, seguramente, o maior entre os italianos.Da sua vida permanecem algumas incertezas mas sabe-se que a sua mãe se chamava Bela e que terá morrido pouco tempo depois de o ter dado à luz. O pai, que pertencia à fação dos Guelfos e que tornou a casar, morreu em 1275.Creceu em Florença, terra que estava no epicentro da cultura italiana, onde fez amizade com os poetas Guido Cavalcanti e Cino da Pistoia que foi também jurista dfamoso, Dino Frescobaldi e Lapo Gianni, afamados pelos seus versos perfeitos, o músico Casella e o pintor Giotto.Dante ficou conhecido por ter escrito o livro “A divina comédia”, um poema épico escrito em língua italiana e que ficou para a História da Literatura como uma das obras mais sublimes de todos os tempos e de todas as nações. Escrito entre os anos de 1300 e 1318, e impresso pela primeira vez em 1472, dá-nos uma visão que retrata a situação e estado das almas depois da morte em três regiões ultraterrenas: inferno, purgatório e paraíso. Cada uma das três partes desta trilogia ou canzone (intituladas Inferno, Purgatório e Paraíso) compõe-se de 33 cantos. No total, a obra compreende, juntamente com a introdução, 100 cantos em tercetos, uma forma criada por Dante.Ao escrever este poema épico, Dante propõe-se retratar o tema da edificação social sob a forma de doutrina, na qual há que observar, entre outras coisas, o assunto, a finalidade e o género da filosofia.O assunto, o estado das almas depois da morte, tem como finalidade tornar virtuosos os que vivem na vida presente para depois os conduzir à eterna bem-aventurança. O género de filosofia é a moral. Ao inspirar-se noutros poetas religiosos e populares que, sobre o assunto, tinham escrito antes dele, Dante compreendeu que a forma didática não era o modo mais conveniente de abordar a matéria, pelo que descreveu de maneira crua e realista as penas do inferno, tais como as imaginou como poeta. Para dar mais realismo às cenas descritas, o próprio autor coloca-se na pele de um assistente das cenas que descreve e espetador de tudo que ocorre na outra vida.A obra possui um grande rigor de ordenação e estruturação. Pela estruturação o poeta consegue abranger um vasto conjunto de factos e de ideias sem se extraviar um instante e sem que o imenso número de pormenores e de descrições prejudiquem a harmonia da composição.
NO INTERIOR DE “A DIVINA COMÉDIA”Dante supõe estar a meio do caminho da sua vida, numa uma selva escura, sem saber como lá chegou. Por várias veredas chega ao sopé duma colina em cujo cume se divisam os primeiros raios de luz da aurora. Pretende subir aquela altura; mas, é impedido por uma pantera, um leão e uma loba. Retrocede e encontra o poeta Virgílio, que o previne de que não poderá sair desse pelo caminho reto e que se oferece para o acompanhar, a fim de realizarem pelas regiões da eternidade uma viagem que assegure a sua salvação. Dante vacila, mas Virgílio declara-se que foi enviado por Beatriz e que o poeta encontrará esta no final da sua jornada. Então decide-se, e, acompanhado por Virgílio, que lhe serve de guia, põe-se a caminho percorrendo o inferno e o purgatório; para visitar o paraíso, porém, acompanha-o a própria Beatriz.Aqui representa Dante a alma humana em geral: a selva em que se encontra é a vida, quer alcançar a felicidade, simbolizada pelo cume da colina, mas impedem-no a luxúria, o orgulho e a avareza, simbolizados pelos três animais. Virgílio, que é a razão iluminada pela filosofia, guia-o no caminho; e Beatriz; que é o símbolo da Teologia, condu-lo à mansão celeste.A viagem através dos infernos constitui a parte mais dramática e conhecida do poema. A diversidade dos castigos, a rapidez com que o autor passa em revista todos os grandes criminosos da história e os marca com um timbre imperecível apesar da sua brevidade, as fisionomias contorcidas, a graça de certos episódios no meio de tantos horrores, atestam um vigor de imaginação que ninguém igualou. Sobre esse fundo sombrio destacam-se episódios impressionantes, tais como os amores de Francisca de Remini e Paulo Malatesta, a morte de Ugolino e de seus três filhos na torre de Pisa, e muitos outros. Os quadros do Purgatório não têm o brilho e a variedade dos do Inferno. O Purgatório é um mundo novo onde não existem as paixões, e que, por conseguinte, não oferece tão rica matéria ao poeta.As cenas violentas são substituídas por entrevistas afetuosas ou por conversações literárias e filosóficas. Os símbolos são no Purgatório menos numerosos e menos vivos; a purificação gradual da alma marca-se por uma ascensão cada vez mais fácil para chegar ao cume da montanha.O Paraíso, finalmente, é um mundo estranho a toda paixão humana. Conduzida por Beatriz, a alma do poeta entra da mansão etérea, sendo-lhe dado conceber a beatitude dos eleitos.Na obra são, também, discutidos os mais graves problemas da filosofia medieval, as condições sociais e morais da Itália, a corrupção da Igreja e os vícios da vida política.