Percorrendo os dias que o ano nos vai fornecendo, cá estamos nós em meados de setembro.

É um mês que se caracteriza pelo final do verão, pelas colheitas e ainda pela chuva, pois segundo o rifão popular temos que atender a esta sentença: Chuvas verdadeiras, em setembro as primeiras.
Em tempos idos quando a agricultura tinha mais peso económico aqui pela nossa região, o povo designava as chuvas de setembro por águas novas. Davam-lhe e este significado pelo efeito que faziam ao solo, que se encontrava cansado depois da colheita que cedeu. Todavia estas águas querem-se bem caídas, dentro da mesma filosofia popular, pois de outro modo prejudicam as próprias colheitas, bem como a qualidade que daí advém, como danificam outras colheitas que se realizam mais tarde, como é o caso da azeitona que se identifica mais com os finais de outono.
De todas as colheitas que nesta época se realizam, a que merece mais destaque são as vindimas. De norte a sul de Portugal, seja qual for a região vinhateira, tudo entra nesta azáfama, muito embora sobressaia o Douro, dada a natureza do seu território, que por ser muito acidentado exige mais da força braçal. Por isso se celebram neste mês as homenagens a dois santos que em muito se identificam com o vinho novo, estou a falar de São Cosme, a vinte e seis e São Miguel a vinte e nove.
As vindimas são uma tarefa agrícola que ainda faz deslocar muita mão-de-obra agrícola de região para região, muito embora já esteja mecanizada em certas regiões, a mesma modernidade não chega a todos os lugares, quer seja pelo plantio da vinha quer seja pelas dobras do terreno onde a plantação está inserida.
Setembro caracteriza-se ainda por ser um mês de mudança em vários sectores da vida económica e social. Aqui o que merece mais destaque, no meu ponto de vista, é o que se relaciona com a vida académica, pois é precisamente nesta fase do ano que arranca o ano lectivo nos diversos escalões de ensino.
No meio agro-pecuário têm início a preparação das sementeiras para os prados de inverno. Aqui merece especial cuidado o gado ovino, em especial aqui pela nossa região, pois também é época em que se inicia a produção de leite destes animais, matéria-prima para o fabrico do melhor queijo português, ainda que aqui tenha que se manter a cultura artesanal.
Mas também não se pode menosprezar o queijo aqui fabricado em queijarias com leite recolhido em rebanhos, cujos criadores optaram pela venda do leite.
Para trás já ficou o dia em que mais festas religiosas acontecem em Portugal. Estou a falar do dia oito, o que se designa como o da Natividade da Virgem Santa Maria. Popularmente é conhecido como o dia das “Sete Senhoras”. A nível nacional penso que o ponto alto acontece na cidade de Lamego em honra da Senhora dos Remédios. Por aqui e perto de mim, tenho uma certa afeição pela Senhora da Alagoa que enche de Fé os crentes dos arredores da cidade da Guarda.
É a devoção à virgem que faz com que este dia seja considerado feriado municipal em Lagoa, Lamego, Mangualde, Marco de Canavezes, Marvão, Montemor-o-Velho, Murtosa, Nazaré, Odemira, Ourique, Ponta do Sol e Sabrosa. Lá mais para o final do mês temos um dia comparado, que é o dia dos Arcanjos, São Miguel, São Gabriel e São Rafael, em que é feriado municipal em Cabeceiras de Basto, Fornos de Algodres, Penela, Resende e Tarouca. Neste dia o evento mais importante que eu conheço é a Feira anual do São Miguel no Tortosendo, do concelho da Covilhã, onde a sardinha na brasa chama muitos forasteiros.
Assim vejo eu o mês de setembro e com alguma nostalgia, pois quando eu era rapazote, era mais vivido e mais sentido. Bastava a Feira da Santa Eufêmia no dia dezasseis em Celorico para que tivesse acesso ao que mais me agradava e que não tenho visto nestes últimos anos. Além de outras coisas que só por cá passavam esse dia, sentia bem a minha adrenalina com a actuação dos artistas do poço da morte.
E por aqui fico. Prometo voltar a estar aqui um dia antes do São Miguel.
Haja saúde e aquele abraço!