Começo por explicar a palavra, que titula esta minha reflexão sobre o momento político que estamos a viver.

Ela surgiu-me depois de rever o comportamento político de António Costa, e por mais que ele diga o contrário, a verdade é que ele pôs os interesses pessoais e do partido acima dos interesses do país, senão vejamos: Como interpretar o facto de ainda durante a campanha eleitoral dizer que se fosse oposição votaria contra o orçamento do Governo da aliança, isto mesmo bastante antes de saber o resultado das eleições e sem conhecer o documento, portanto se não fosse como ele queria seria a confusão a que estamos a assistir.
Para desmontar a teoria da maioria artificial de esquerda na Assembleia da República, deixo uma pergunta, se o PS tivesse ganho as eleições com maioria relativa, António Costa também recorria ao BE e ao PCP para ter a maioria de esquerda? Cada leitor que dê a resposta que entender, mas a verdade é que se os eleitores quisessem António Costa como primeiro-ministro tinham votado nele e ter-lhe-iam evitado estas piruetas políticas e aritméticas. Está explicado, por ele próprio, porque razão fora do PS desconfiam dele, e dentro do PS nem todos confiam; por isso não vale a pena afixar cartazes a dizer: “O seu voto é que decide” porque afinal quem decidiu foi um “Icarocuco” e mais dois utópicos porque estão mais interessados nesta oportunidade, que tiveram, do que nos interesses nacionais. Vamos pois explicar esta palavra, talvez, nova no léxico português.
Ícaro foi a personagem vítima da sua ambição desmedida, que ao querer subir tanto, o sol derreteu-lhe as asas de cera e ele caiu. Cuco porque é a ave que não querendo passar pelo trabalho e dificuldade de criar os próprios filhos expulsa do ninho, das outras aves, os seus ovos para pôr os dele; quer dizer os trabalhos são de uns e os proveitos de outros. Digam lá se a imagem não se adequa a António Costa que expulsou António José Seguro do PS, e agora Pedro Passos Coelho do Governo, para depois se instalar, sempre em nome da democracia, como salvador da Pátria, mas ele que vá ouvindo os ecos das vozes que não querem outro governo dos “P.E.C.s”, que desemboque no segundo resgate, ou outra coisa parecida. Aqui faço uma chamada de atenção para o comentador do PCP que repete, até à exaustão, que estas eleições foram para a Assembleia da República e não para Primeiro-Ministro, então porque razão aceitaram o Secretário Geral do PS para formar governo da maioria artificial, e só no dia 10 de Novembro assinaram os três acordos em separado?
Só tem dúvidas quem quiser, pois isto não é uma aliança, mas um somatório de acordos.
Não tenhamos dúvidas que virá aí uma “maré cheia” de benesses, mas para dar o que não há, é preciso pedir mais dinheiro às instituições internacionais, mas depois virá, outra vez, a “maré vazia” das dificuldades, quando for preciso pagar essas dívidas.
António Costa e Catarina Martins, apesar de terem acompanhado de perto, o que se passou na Grécia parece não terem aprendido nada com este exemplo.
Resumindo, agora podemos dizer, com factos, que PS, BE e PCP “são farinha do mesmo saco”.