Estamos num tempo de apressamento. Sempre num afã por novidades (supostamente novas), por concretizações impossivelmente possíveis.


Rodopio de pensamentos, corrupio de acções e lamentos, quando não tormentos e padecimentos.
Preocupados por tudo e com tudo, temos medo… medo do Nada!
Desse nada que é silêncio, que é solidão (não abandono, mas encontro); que é escuta e introspecção, logo descomunicação. Desse nada que se pacienta, mas não se tormenta. De um nada que é… Tudo!
Um tudo que não repele, acolhe; que não separa, congrega; que não negativiza, ampara; que não diz mal, orienta; que não impõe, propõe e dispõe.
De facto, temos medo de nós próprios; temos medo de estar connosco mesmos: medo de nos ouvir, de nos questionar e de não querermos saber (d)as respostas; (d)essas respostas… puras, profundamente duras. Esse não-querer-saber que nos aprisiona numa (ilusória) liberdade de acção, de comunicação, de presença; que mais não é do que uma ausência de nós mesmos… de um paradoxal apagamento de nós próprios, submergidos que estamos na “sociedade do cansaço” e que apesar disso não quer, não pode aquietar-se. Uma sociedade que quer estar sempre em relação, numa relação de expectativas (impositivas), de consumo, de dominação, de controle, de vigia… e sem que nos apercebamos que a proximidade que estabelecemos a todo o momento com o outro, nos afasta mais e mais… porque o não toleramos nem à sua diferença; porque o invejamos e, às vezes, imitamos; porque não conseguimos pôr-nos no seu lugar (talvez porque nem sequer saibamos o nosso lugar).
Sabemos tudo, opinamos sobre tudo, criticamos tudo (e todos) como se tivéssemos soluções instantâneas, eficazes, quase que mágicas, e o Outro soluções de inutilidade. Enclausurados em pontos de vista ilimitados (mas profusamente limitados), construímos a (nossa) realidade como verdade total. E a sociedade fica espartilhada em realidades díspares, em verdades ímpares.
Este espartilhamento conduz, por sistema, a uma conflitualidade latente, presente em todas as dinâmicas da sociedade- a razão assiste-me a mim e aos meus (quando os há); tu e os teus sois desprovidos dela (sempre, ou quase)!
Num tempo de excesso de informação, de comunicação, deixa de haver mediação (crucial) dos media tradicionais- não há filtros, não há ponderação; tudo se pode dizer, nada se pode dizer; tudo se pode ouvir, nada se pode ouvir. Esta cultura de confrontação criada, não deixa espaço para o bom-senso, para o bom-tempo. Um tempo de que todos necessitamos para suportarmos e configurarmos as agruras (e as virtudes) da existência individual e colectiva. Um tempo de paragem, de análise profunda de quem fomos, de quem somos, de quem queremos ser. De modo a que consigamos interagir com o Outro de forma produtiva e valorativa, sem o desprezar e menosprezar, para que a humanidade seja um… Nós- verdadeiramente transformativo.
Precisamos de silêncio. Precisamos do silêncio… verdadeiramente significante.
Precisamos do Bom-tempo!