O confinamento e a perseguição dos cristãos

Mão amiga fez-me chegar o relatório da fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o qual nos dá conta da perseguição dos cristãos no mundo. É de deitar as mãos à cabeça e de as erguer ao céu para implorar a ajuda do Santíssimo! Vivemos embalados pela comunicação social que ocupa a maior parte dos noticiários a falar quase exclusivamente, e com a maior minúcia, sobre a pandemia do coronavírus. Esquecemos que existem outros mundos à nossa volta, com maiores problemas do que os nossos. Assassínios, violações, sequestros, repressões, prisões são a panóplia das graves perseguições que os cristãos enfrentam em certas regiões, unicamente pelo facto de confessarem ou de praticarem a sua fé. O número de cristãos perseguidos em todo o mundo aumentou de 260 milhões em 2019 para 340 milhões em 2020. Também o número de cristãos assassinados aumentou consideravelmente.A pandemia da Covid-19 não facilitou a vida às minorias cristãs. Na Somália, por exemplo, os islamitas culparam os cristãos pela contaminação do coronavírus. No Bangladesh e Paquistão, os cristãos foram privados de ajuda alimentar, canalizando-a para outros grupos confessionais. No Sri Lanka, a polícia entrou em casa de cristãos para constatarem as atividades exercidas no seio na igreja local. Na Coreia do Norte a perseguição aos cristãos não deixa qualquer margem para poderem manifestar a sua fé em Deus, quer de uma maneira pública quer privada. Na Nigéria a perseguição tem sido implacável, a ponto de grupos armados terem destruído centenas de aldeias cristãs. Também “Boko Haram e uma série de grupos criminosos continuam a matar, sequestrar e violar com impunidade”, refere o relatório.Também no Iraque os cristãos têm sido vítimas de uma “permanente insegurança, ao regressarem aos seus lares, continuando a ser assassinados, sequestrados, e submetidos a abusos físicos, psicológicos, sexuais e emocionais”. Espera-se que visita do Papa Francisco a este país possa minorar o sofrimento destes cristãos que, com todas as vicissitudes de que foram alvo, constituem um grupo pouco numeroso, afirmando alguns que o cristianismo quase ali desapareceu.Na China, as igrejas tanto católicas como protestantes encontram-se cada vez mais sob a vigilância do Partido Comunista e têm pouca margem de manobra. A Índia está entre os países mais hostis ao evangelho. Desde que o BJP, partido nacionalista hindu, assumiu o poder, em 2014, a perseguição tem aumentado no país, alegando que a Índia pertence ao hinduísmo e que as outras religiões deveriam ser eliminadas do país.Na Turquia, que, antes de Erdogan assumir a presidência, em 2016, gozava de alguma liberdade religiosa, após esta data, os cristãos têm sido objeto de ódio e de assédios de todo o género, assim como as comunidades arménias e gregas ortodoxas.Também em Moçambique, em Cabo Delgado, as populações em geral e, por consequência, os cristãos têm sofrido as maiores perseguições e vitupérios da parte do grupo islamita Forças Democráticas Aliadas, causando deslocação de pessoas e pobreza extrema entre as populações. O Papa Francisco ofereceu 100 mil euros à Diocese de Pemba, onde D. Luiz Fernando Lisboa tem desempenhado um papel importante no auxílio às vítimas.Perante tamanho drama, é estranho que a comunicação social não dê importância a esta problemática em que é notório ser já o cristianismo considerado a religião mais perseguida do mundo.