Alguns anos atrás, um dirigente desportivo popularizou a seguinte frase: “no futebol o que é hoje verdade, amanhã é mentira, e o que amanhã é mentira, no dia seguinte pode ser verdade”

. Esta frase traduz na perfeição a política levada a efeito por alguns dos políticos que temos. Tudo começou em Maio de 2014, quando após uma “vitoriazinha” de António José Seguro, nas eleições europeias, António Costa e as elites urbanas do PS tomaram de assalto as estruturas partidárias, com o intuito de alcançarem a maioria absoluta nestas últimas eleições legislativas. Como nem a maioria relativa conseguiram e António Costa viu o seu fim político muito perto lembrou-se da aritmética e do muro de esquerda. Aqui faço uma pausa para citar uma frase do próprio António Costa, dita no dia 6 de Setembro de 2009, logo após o PS ter ganho, com maioria relativa, essas eleições legislativas: “quem teve mais votos e ganhou as eleições é que deve formar governo”. Cá está, o que era verdade ontem é mentira hoje, e agora está a fazer o contrário daquilo que disse na própria noite das eleições quando reconheceu a derrota do PS. Antes de me alongar na minha argumentação, deixo uma pergunta muito simples, António Costa e as elites do PS já se interrogaram porque é que após quatro anos de austeridade, que tantos sacrifícios exigiram aos Portugueses, estes deram a maioria relativa à coligação? É bom lembrar-lhes que das três vezes que Portugal teve de recorrer à ajuda internacional foi com três governos socialistas; em 1978, em 1982-1985 com Mário Soares, que pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional e em 2011 com José Sócrates Pinto de Sousa, que deu origem à vinda da “Troika”.
Isto de falar em maioria de esquerda somando os votos do PS, do BE, e do PCP é querer misturar alhos com bugalhos, se eu tiver 40 bugalhos e 22 alhos não posso dizer que tenho 62 bugalhos ou 62 alhos. Há menos de um mês, Jerónimo de Sousa, durante a campanha eleitoral, metia no mesmo saco das críticas o PS e a coligação, e toda a gente sabe que, desde o início é contrário à integração de Portugal nas estruturas europeias, por sua vontade e ideologia, nós seriamos a “Ucrânia Ibérica”. Do BE todos nos lembramos dos cartazes onde pediam a saída do euro e o regresso ao escudo, bem como da reestruturação da dívida pública, eu digo lembramos, porque muitos desses cartazes já foram retirados, a exemplo do que aconteceu com os cartazes do PS, que faziam propaganda mentirosa. É bom não esquecer que seja qual for o governo, ele estará balizado e limitado pelas regras europeias, por isso uma coligação com estes partidos é a mesma coisa que querer misturar a água e o azeite. António Costa fez da austeridade o seu cavalo de batalha, durante a campanha eleitoral, mas deve saber que ela não é uma doutrina política, pois nem votos dá, mas uma necessidade que é fruto dos desvarios do governo anterior. Se houvesse honestidade política devia saber que a austeridade começou em 2010 com o governo do seu camarada de partido José Sócrates Pinto de Sousa, pois foi ele que congelou os vencimentos dos funcionários públicos, bem como as pensões e foi alterando a idade para atingir a reforma. A prova de que a crise já estava instalada é que em Fevereiro de 2011 os juros da dívida pública estavam em 7%, número que o ministro das finanças, da altura, Teixeira dos Santos, considerava a linha vermelha para pedir o resgate financeiro, como veio a acontecer, logo a seguir, em Abril do mesmo ano. Por tudo o que ficou escrito, sou levado a catalogar António Costa como um “bom” político, pois sabe dizer as mentiras que alguns gostam de ouvir, mas é um mau governante, porque colocou os interesses partidários, de grupo e pessoais, acima dos interesses nacionais, ainda que ele diga o contrário. Enquanto houver “bons” políticos destes as abstenções não baixam para números razoáveis.