O mês de junho é muito alegre e festivaleiro.

Nós que vivemos cá pelo interior vamos perdendo essa noção devido ao despovoamento que nos vai atingindo, bem como ao envelhecimento populacional, que por força da velhice, já não acha graça à alegria que a gente mais jovem sente no que concerne a eventos de diversão.
Todavia os que ainda por cá resistem e que mantêm a devida mobilidade, vão procurando por outras localidades os divertimentos que os santos populares nos oferecem, durante este mês que encerra o primeiro semestre.
No que respeita a este assunto, podemos dizer que o primeiro a sair à rua é o Santo António, no dia treze, padroeiro em muitas localidades de Portugal e adorado pelo nosso povo, por ser considerado o português mais santo e o santo mais português. O Ponto alto das suas festividades acontecem em Lisboa, sua terra natal. Por todos os bairros há arraiais nos dias que lhe são próximos na alegria e de onde a sardinha assada é rainha nos comes e bebes. Mas o ponto alto acontece com as marchas a descerem a avenida de Liberdade em competição e transmitidas para todo o mundo com uma imponente cobertura televisiva.
Este dia é feriado em catorze municípios de Portugal, onde além de Lisboa, Vila Real como capital transmontana também se rende à devoção de Santo António, seu padroeiro.
Seguindo o calendário dos santos populares em vinte e quatro de junho é dia de São João. Por todo o país parece-me o mais festejado. Trinta e quatro municípios do país prestam-lhe as honras de feriado municipal, onde sobressaem os mais populosos do país como é o caso das cidades do Porto, de Braga, de Guimarães, de Vila nova de Gaia e de Almada. São as cidades onde a alegria e a diversão mais se fazem sentir.
Para além das inúmeras festas também é dia de muitas feiras anuais por todo o espaço português e também considerado o dia nacional do cigano, por sentir aqui bem no exercício da sua actividade feirante.
Depois do Santo António e do São João lá vem São Pedro para a reinação. Lembro-me de o nosso povo camponês entoar este refrão nos trabalhos agrícolas. Ora o São Pedro em que Deus quis assentar a sua Igreja, vem já na parte final do mês, no dia vinte e nove. Os seus festejos populares em tudo se assemelham aos dos outros dois santos. É feriado municipal em dezasseis municípios lusos, mas com especial relevância em Sintra, Évora e Povoa do Varzim.
No meu concelho que é Celorico da Beira tem as festas populares de São Pedro como as mais antigas. Estiveram dois anos sem vida devido ao estado pandémico, mas este ano voltam a ter efeito que devido às particularidades do calendário são empurradas para os primeiros três dias de semestre seguinte.
Também nos devemos lembrar que que neste dia vinte e nove de junho também é dia São Paulo, santo que deu nome e vida à maior cidade do mundo lusófono, no Brasil como todos sabem.
Mas o mês de junho não se fica só pelos santos populares, tem outras celebrações de maior recato e significado.
Logo no dia cinco tem o Domingo do Pentecostes, atirado para este mês devido ao calendário pascal. No dia dez tem o dia de Portugal, de Camões, e de todos os portuguese espalhados pelo Mundo e ainda o culto do Santo Anjo da Guarda de Portugal.
No dia dezasseis é feriado nacional e dia santo de guarda, como o nosso povo menos jovem faz questão em afirmar. É dia de Corpo de Deus, um dia de muita fé dentro do culto católico.
Em tempos mais recuados o mês de junho também era conhecido pela da foice em punho. Só que a evolução da maquinaria agrícola, fez com que hoje já ninguém saiba devidamente manejar uma foice. Também não é menos certo, que são muitos menos os terrenos que se cobrem com searas.
Junho teria muito mais para dizer, mas hoje fico por aqui. Voltarei no dia internacional das viúvas para lhes dar uma cortesia especial.
Até lá haja saúde para todos nós. Aquele baraço.