Cá estamos nós no mês, um ano depois, em que a pandemia nos fez afastar certos hábitos e criar outros.

Em abono da verdade, podemos dizer, que de março de dois mil e vinte a março de dois mil e vinte e um, vivemos sempre privados de certas liberdades que faziam parte da nossa vivência diária. Um ano depois acabamos todos por andar às cotoveladas numa estranha forma de cumprimento e de máscara, que muitas vezes nos impede de reconhecer a pessoa que procurávamos há uns tempos.Eu tenho um adereço que joga a meu favor, mesmo bem mascarado, o meu chapéu apresenta-me logo a grande parte das pessoas com quem tenho relações de amizade dirigem-me a palavra a distância legal, que é suficiente para dois dedos de conversa. No entanto, no meu entender, há uma grande diferença entre o março vinte e o março vinte e um. No ano que passou o março foi de aflição com a pandemia a alastrar, enquanto que este ano, vemos a situação a melhorar e uma medicina mais evoluída para lidar com a situação que a pandemia nos impôs. Por outro lado o povo anónimo, que é esse que está na linha da frente, cito aqui o Professor Carvalho Rodrigues, sabe controlar melhor e evitar as situações propícias ao vírus Covid-19. Mas deixem-me falar de mês de março, que está na transição do inverno para a primavera. É caracterizado pelas noites a diminuir e os dias a crescer, até atingirem a igualdade, que acontece no equinócio da primavera que no ano em que estamos acontece em vinte, data em que entra a estação das flores.É devido a esta duração aproximada que o povo atribuiu no seu saber o ditado, tanto durmo como faço, que por acaso escolhi para titular este pensamento que coloco em comum.Caracteriza-se ainda pelas noites frias, devido aos efeitos da neve que ainda resiste pelos pontos mais altos e frios, daí que as geadas matinais são frequentes, mas como o Sol durante o dia já tem uma incidência acentuada, faz aquecer durante o dia, logo aí aparece também o saber popular com a sua sentença: - Março marçagão, manhã de inverno, tarde de verão.A natureza começa a sua nova fase, começa a florir com a intenção de produzir, aproveitando o descanso a que o solo esteve sujeito, para dinâmica com que agora começa.Por seu lado a lavoura aumenta a evoluir pelas terras mais enxutas de onde se obtêm as colheitas mais temporãs, pois sempre se afastam mais do calor dos meses de verão, onde sem água em termos de produção sazonal muito poucas são as plantas que se desenvolvem.É também no mês de março e já na sua parte final que chega a ave de arribação que logo dá sinal assim que chega, estou a falar do cuco, que muito se faz sentir com o seu canto inconfundível. Não é pássaro que dê prejuízo, mas o comportamento dele, e que só a ele se conhece, que é pôr os ovos no ninho das aves das outras espécies, faz com que não seja visto com muito agrado, muito embora o seu canto anuncie bom tempo.A permanência do cuco em Portugal, tem a particularidade de anunciar a primavera quando chega, e partir nos últimos dias primaveris, por volta de meados de junho, se bem que a sua chegada é anunciada a partida é em silêncio, apenas se sabe que não está, porque não se ouve. É um costume que o nosso povo rural em tempos tinha, quando se vivia envolvido nas gripes de inverno, dizer que só o cuco é que lhe curava as maleitas. Afirmava-se isto com referência ao frio que tinha que se enfrentar, pois uma temperatura mais amena, sempre devolvia a saúde.Assim vejo o mês de março e de bom grado. Pois serve sempre de ponte de uma época fria para um tempo mais florido.Mas também tem para mim um “trinta e um” que é aquele dia que nunca recebi, nem espero receber. Hoje fico por aqui. Prometo voltar antes do cuco chegar!