Mudar o Mundo

“Acredito que (a encíclica) pode ser um guia para o desconfinamento mas será um caminho difícil de fazer. Espero que a «Laudato si» seja estudada em escolas de economia, de engenharia e tecnologia, também por pessoas de áreas da segurança nacional para, que em diferentes frentes, possamos trabalhar juntos para um mundo melhor”. 
Estas palavras do cardeal Luis Antonio Tagle, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos sobre a encíclica ‘Laudato Si’ do Papa Francisco, traduzem bem a importância deste documento para as gerações mais novas. A pandemia de Covid-19 convida a “rever o estilo de vida” de uma sociedade que diz moderna e avançada mas que acaba por repetir os erros do passado. À medida que o tempo vai passando, damos conta de que se torna muito difícil, ou quase impossível, uma pessoa sozinha querer mudar o mundo. A mudança exige sacrifícios e muita paciência, o que nem sempre agrada, principalmente aos mais novos, que costumam ser impulsivos e repentinos. 
Basta olharmos para a força das multidões, cegas por justiça e vingança. Qualquer acontecimento, hoje em dia, serve de pretexto para reivindicar, protestar e destruir. Um pouco por todo o lado há movimentos que semeiam a discórdia e a violência, num constante desrespeito pela ordem e as autoridades. Para encontrar o ponto de equilíbrio é cada vez mais importante parar para pensar, antes de agir impulsivamente. 
Quem tiver o cuidado de ler a encíclica Laudato Si, dará conta da sua pertinência, com “ensinamentos para todos os tempos”, por isso cheio de actualidade mesmo neste tempo de pandemia global. Trata-se de um documento dirigido “não apenas a cristãos” facto que o Papa aproveita para convocar “pessoas de outras disciplinas para o debate, reflexão, discussão e à procura da dignidade humana, no uso e no desenvolvimento da criação”.
Infelizmente, a pandemia que ainda estamos a viver veio mostrar, mais uma vez, que “bens essenciais, alimentos, medicamentos, água, dons essenciais de Deus não estão disponíveis para todos, em especial para os pobres”.
A encíclica do Papa Francisco é um convite ao homem para que ele se perceba como “criatura” que habita o mundo, como “custódio da criação” e não como “dono”. Infelizmente, o homem quer ser dono de tudo!